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Governo dos EUA começa a retirar nome de Trump do Centro Kennedy

O governo dos Estados Unidos inicia, na madrugada deste sábado (13.jun.2026), a retirada do nome de Donald Trump do Centro Kennedy. Equipes removem placas com o nome do ex-presidente após uma série de derrotas na Justiça sobre a homenagem.

Disputa judicial chega à fachada

Vans oficiais estacionam diante do Centro Kennedy pouco depois da 1h da manhã. Funcionários sobem em plataformas hidráulicas e começam a desaparafusar, uma a uma, as placas metálicas com o nome de Trump instaladas na área externa do complexo cultural em Washington. Em menos de três horas, o que se levou anos para erguer desaparece da vista de quem passa às margens do rio Potomac.

A ação ocorre depois de uma sequência de decisões judiciais desfavoráveis ao governo em processos que contestam a nomeação do ex-presidente para batizar espaços do complexo. Juízes federais apontam possíveis violações de regras internas sobre homenagens a figuras politicamente ativas e questionam a falta de consenso em torno do legado de Trump. A retirada física das placas, porém, antecede a mudança formal de nome, que ainda depende do Congresso.

Um símbolo em disputa

O embate em torno do Centro Kennedy concentra, em um único edifício, parte da fratura que marca a política americana desde 2016. Criado em 1971 e dedicado à memória de John F. Kennedy, o complexo funciona como vitrine da cultura oficial dos Estados Unidos e recebe cerca de 2 milhões de visitantes por ano. A associação do local à figura de Trump, mesmo em uma ala ou espaço específico, transforma uma homenagem cultural em campo de batalha partidária.

Decisões recentes de tribunais federais reforçam esse desconforto institucional. Em uma das sentenças, um juiz descreve a homenagem como “um gesto incompatível com a função de um centro dedicado ao diálogo democrático e à diversidade cultural”. Outro magistrado destaca que “o padrão para conceder esse tipo de distinção deve levar em conta não apenas popularidade eleitoral, mas também respeito a normas democráticas básicas”. O governo, pressionado por derrotas em diferentes instâncias, opta por agir antes que a disputa se transforme em impasse maior às vésperas do calendário eleitoral.

Nos bastidores, assessores admitem que a permanência do nome de Trump no Centro Kennedy alimenta campanhas de adversários e mobiliza parte da base trumpista. A oposição democrata usa o episódio para reforçar a narrativa de que o ex-presidente é “incompatível com instituições de Estado”. Aliados republicanos, por outro lado, acusam o governo de “reescrever a história” para agradar à militância progressista.

Impacto político e social

As primeiras imagens das placas sendo retiradas circulam nas redes sociais ainda de madrugada. Em menos de seis horas, registros feitos por celulares acumulam centenas de milhares de visualizações em plataformas como X, Instagram e TikTok. Grupos de apoiadores de Trump convocam protestos em pelo menos dez cidades, enquanto organizações progressistas comemoram o gesto como “vitória simbólica contra o trumpismo”.

A disputa sobre nomes de prédios, estátuas e monumentos não é nova nos Estados Unidos. Nos últimos dez anos, mais de 160 referências a figuras ligadas à escravidão ou à supremacia branca são removidas de espaços públicos, segundo levantamentos de organizações de direitos civis. O caso de Trump, porém, envolve um ex-presidente vivo, pré-candidato e figura central na polarização atual, o que amplifica o impacto de cada gesto em relação a seu legado.

Para analistas políticos em Washington, a cena de funcionários desaparafusando o nome de Trump de um dos principais centros culturais do país fala mais alto que muitos discursos. “É a imagem de um país discutindo, em tempo real, o que considera aceitável como símbolo oficial”, avalia um pesquisador ouvido pela reportagem. Segundo ele, a medida tende a fortalecer a crítica de que tribunais e instituições culturais atuam como “contrapeso” ao ex-presidente, o que deve ser explorado por Trump em sua narrativa de perseguição.

A decisão também atinge o próprio Centro Kennedy. Patrocinadores privados acompanham o desenrolar da crise com atenção, temendo se associar a um ambiente de conflito permanente. Há preocupação com possíveis boicotes de público, tanto de apoiadores quanto de opositores de Trump, em uma instituição que depende de bilheteria, doações e patrocínios para financiar mais de 2 mil apresentações anuais.

Congresso decide o próximo capítulo

A remoção das placas não encerra a disputa. A mudança oficial do nome, em registros e documentos públicos, depende de votação no Congresso americano, que pode levar meses. Parlamentares discutem projetos que revogam a homenagem e estabelecem critérios mais rígidos para a nomeação de espaços públicos com nomes de presidentes e outras figuras políticas. Há propostas que preveem um prazo mínimo de dez anos após o fim do mandato para qualquer homenagem permanente.

Negociações avançam em corredores do Capitólio. Lideranças republicanas avaliam obstruir a votação, temendo que a retirada do nome de Trump se torne precedente para revisões de outras homenagens. Democratas enxergam na crise uma oportunidade para consolidar novas regras que blindem instituições culturais de disputas partidárias imediatas. O impasse promete se estender para além de 2026 e se confunde com a própria disputa pela Casa Branca.

No curto prazo, o Centro Kennedy tenta voltar à rotina com a fachada parcialmente descaracterizada. Funcionários instalam coberturas provisórias onde antes se lia o nome de Trump, enquanto aguardam a decisão política definitiva. A cada visita guiada, monitores precisam explicar aos turistas por que parte da sinalização foi removida às pressas na madrugada de 13 de junho.

O futuro do nome do complexo, e o que ele representa, permanece em aberto. Congressistas medem palavras diante de um eleitorado dividido ao meio, e o governo avalia até onde pode avançar sem inflamar ainda mais a base trumpista. A pergunta que atravessa a discussão não é apenas se o nome de Trump deve permanecer ou sair, mas quem tem autoridade legítima para definir quais líderes entram, ou saem, do panteão oficial da memória pública americana.

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