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Gol de Zakaria garante liderança do Corinthians na Libertadores

Zakaria Labyad muda o rumo da noite em Montevidéu. O meia marroquino marca o gol do empate por 1 a 1 com o Peñarol e confirma, em 21 de maio de 2026, a liderança do Corinthians no Grupo E da Libertadores com uma rodada de antecedência.

Corinthians segura a ponta e elimina o Peñarol

O empate no estádio Campeón del Siglo vale mais do que um ponto na tabela. O resultado coloca o Corinthians no topo do grupo, garante vantagem no sorteio do mata-mata e encerra qualquer esperança do Peñarol, pentacampeão continental, de chegar às oitavas. Em casa, o clube uruguaio ouve o próprio estádio silenciar diante do gol de um estreante como titular.

O time de Fernando Diniz já entra em campo classificado, mas encara o jogo como decisão. A meta é terminar a fase de grupos entre as melhores campanhas gerais para decidir em Itaquera os confrontos eliminatórios. Por isso, a atuação de Zakaria ganha peso imediato: ele não apenas evita a derrota fora de casa como ajuda a pavimentar um caminho menos turbulento na sequência do torneio.

Mesmo com essa ambição, Diniz poupa a base titular e arma uma formação alternativa. Só o goleiro Hugo Souza e os zagueiros Gabriel Paulista e Gustavo Henrique são mantidos. A escolha cobra um preço no início. O Peñarol começa mais intenso, pressiona em bolas paradas e encontra o gol aos 18 minutos do primeiro tempo, em um lance que expõe falhas de marcação na área corintiana.

Após uma sequência de escanteios, Trindade cruza fechado no primeiro pau. Maxi Olivera se antecipa, desvia de cabeça e não dá reação a Hugo Souza, que fica parado. A vantagem anima o time uruguaio, que volta a balançar as redes minutos depois, em chute de Umpíerrez, mas o assistente anula o lance por impedimento de Arezo na origem da jogada. O Corinthians respira, ainda sem conseguir controlar o jogo.

Zakaria assume o jogo e transforma a noite

Zakaria aparece como o ponto de equilíbrio de um Corinthians alternativo. Depois de dez jogos entrando do banco, ele recebe a primeira chance como titular justamente em um duelo decisivo. Desde os minutos iniciais, pede a bola, cai pela esquerda, se aproxima de Matheus Pereira e tenta dar sequência às jogadas, quase sempre sob marcação dura dos uruguaios.

Nas melhores chegadas do time paulista antes do intervalo, o camisa 20 está envolvido. Em uma jogada pela esquerda, inicia o ataque que termina em finalização perigosa de Pedro Milans. Em outra, participa da troca de passes que deixa André em boa condição na pequena área, mas o chute desvia em Pedro Raul e sai sem direção. O Corinthians ameaça, mas esbarra nas próprias decisões e na falta de precisão.

Peñarol ainda flerta com a lei do ex. Milans, que já vestiu a camisa aurinegra, quase empata em chute de canhota, após tabela com Zakaria e pivô de André. A bola desvia em Maxi Olivera e passa rente à trave direita de Aguerre. No minuto seguinte, a equipe brasileira perde a chance mais clara do primeiro tempo. Labyad cruza da direita, Milans ajeita e André finaliza. Bem posicionado, Pedro Raul desvia a bola em cima da linha e praticamente corta o próprio gol.

A volta do intervalo expõe uma mudança de postura. O Corinthians passa a ocupar o campo ofensivo com mais frequência, adianta Allan e Matheus Pereira e encontra Zakaria em boas situações entre as linhas. Aos 6 minutos, o marroquino recebe dentro da área, bate cruzado e vê a bola tirar tinta da trave esquerda. O lance funciona como aviso do que está por vir.

Aos 17 minutos do segundo tempo, a trama que o torcedor esperava enfim se completa. Kaio César dispara pela direita em contra-ataque, cruza para a área e encontra Pedro Raul em condição de finalizar. O centroavante para em Aguerre, mas o rebote cai limpo na segunda trave. Zakaria aparece livre, escolhe o canto e empurra para o fundo da rede. O gol, o primeiro dele com a camisa alvinegra, muda o placar, o clima em campo e a percepção interna sobre seu papel no elenco.

Os números reforçam a impressão de quem assiste. Segundo dados do SofaScore, Zakaria fecha a noite com quatro passes decisivos e 90% de acerto nos passes. Na prática, participa das principais ações ofensivas do Corinthians, assume bolas paradas, divide com intensidade e mostra algo que a comissão técnica busca desde a chegada ao clube: criatividade associada a disciplina tática. Dentro do vestiário, o rótulo de “amigo do Memphis” dá lugar a um concorrente real por vaga entre os titulares.

Vantagem no mata-mata e pressão por eficiência

O 1 a 1 em Montevidéu redesenha o Grupo E. Com 11 pontos após cinco rodadas, o Corinthians não pode mais ser alcançado na liderança. O Peñarol, por outro lado, estaciona com campanha insuficiente e se vê eliminado ainda na fase de grupos, fato raro para um clube que soma cinco títulos continentais e constrói boa parte de sua identidade na Libertadores.

Dentro do clube paulista, o empate tem sabor de planejamento cumprido. A liderança com uma rodada de antecedência permite administrar melhor o calendário e mirar um lugar entre as melhores campanhas gerais. Em números objetivos, decidir em casa significa jogar o segundo duelo do mata-mata na Neo Química Arena, onde o Corinthians costuma se impor com o apoio de mais de 40 mil torcedores.

O desempenho, no entanto, também expõe fragilidades que Diniz não ignora. A equipe cria chances de sobra para virar o jogo. Rodrigo Garro, já na reta final, arrisca de longe e obriga Aguerre a fazer grande defesa. Yuri Alberto, que entra no lugar de Pedro Raul, desperdiça ao menos três oportunidades claras em transições rápidas. Chuta por cima na primeira, para no goleiro na segunda e manda para fora na terceira, em finalização cruzada.

A incapacidade de transformar volume em gols mantém o placar apertado até o apito final e alimenta um tema recorrente no clube: a necessidade de mais frieza nas definições. A comissão técnica valoriza a maturidade demonstrada pela equipe alternativa, mas sai de Montevidéu com anotações claras sobre ajustes de posicionamento defensivo em bolas paradas e tomada de decisão no último terço.

Calendário cheio e espaço aberto para Zakaria

A agenda corintiana segue intensa. Domingo, às 18h30, o time recebe o Atlético-MG, em Itaquera, pelo Campeonato Brasileiro. Na quarta-feira seguinte, às 21h30, volta a campo pela Libertadores para enfrentar o Platense, da Argentina, na Neo Química Arena, já com a liderança garantida e margem para rodar o elenco sem perder o controle da chave.

O desempenho de Zakaria em Montevidéu entra nesse cálculo. A tendência é que o marroquino ganhe mais minutos em jogos grandes e force uma disputa direta com nomes consolidados no setor ofensivo. Em uma temporada em que o Corinthians mira protagonismo continental e estabilidade no Brasileirão, a emergência de uma peça capaz de decidir fora de casa altera a lógica das escolhas.

O empate contra o Peñarol não entra na galeria das grandes atuações do clube na Libertadores, mas marca um ponto de inflexão. O time assegura a liderança do grupo, elimina um adversário histórico e descobre um novo protagonista em noite de pressão. A partir daqui, a pergunta deixa de ser se Zakaria merece espaço e passa a ser em quais jogos ele estará em campo quando a Libertadores entrar, de fato, no seu tempo de decisões.

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