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Gakpo decide em Nova York, e Holanda fecha preparação com vitória

Cody Gakpo assume o protagonismo, converte dois pênaltis, e a Holanda vence o Uzbequistão por 2 a 1 neste 8 de junho, em Nova York. O amistoso no Icahn Stadium encerra a preparação da seleção de Ronald Koeman para a Copa do Mundo de 2026 e reforça a confiança às vésperas da estreia contra o Japão.

Holanda domina, mas volta a expor problema nas finalizações

O placar mostra equilíbrio, mas o jogo não. A Holanda controla as ações desde o primeiro minuto, empurra o Uzbequistão para o próprio campo e cria chances em sequência. O trio Gakpo, Summerville e Malen encontra espaço com facilidade, explora as laterais e transforma a área uzbeque em zona de pressão quase permanente.

No primeiro minuto, Gakpo desce pela esquerda e tenta Malen na pequena área. O centroavante se enrola no domínio e desperdiça a jogada. O lance antecipa o roteiro da tarde: volume ofensivo alto, pouca eficiência na conclusão. Aos 8 minutos, Malen aciona Summerville em contra-ataque rápido, mas o goleiro Yusupov se antecipa e evita o gol com uma saída precisa.

Os erros se repetem. Malen fura na pequena área após cruzamento rasteiro de Gakpo. Reijnders surge livre na frente do goleiro e cabeceia por cima. Summerville corta da direita para o meio, encontra o espaço, mas tem o chute bloqueado. Koeman, na beira do campo, insiste em pedir calma e capricho no último toque.

O gol nasce em jogada individual de Summerville. Aos 29, ele invade a área pela direita, corta o marcador e é derrubado por Urozov. A árbitra norte-americana Alyssa Pennington marca o pênalti sem hesitar. Dois minutos depois, Gakpo assume a cobrança, bate forte no canto direito e abre o placar. Yusupov acerta o lado, não alcança a bola.

O segundo tempo mantém o mesmo desenho. Van Dijk sobe mais que a defesa uzbeque em escanteio e cabeceia por cima. Gakpo recebe livre na área e manda muito alto. Summerville sai cara a cara e finaliza de canela. O gol anulado de Brobbey, aos 23, após impedimento, aumenta a sensação de desperdício. A Holanda constrói, mas não mata o jogo.

Depay é preservado, e Uzbequistão aproveita falha no fim

Memphis Depay passa a tarde sentado no banco de reservas, sob olhares atentos da comissão técnica e dos torcedores corintianos que acompanham sua recuperação. O atacante do Corinthians se apresenta à seleção holandesa depois de dois meses afastado, por um estiramento muscular, e Koeman opta por não arriscar. A decisão parece tomada antes do apito inicial: ele aquece pouco, conversa com o treinador, volta a se sentar. O recado é claro. A prioridade é tê-lo inteiro em junho, não mais solto em um amistoso.

Sem Memphis, Gakpo assume a faixa central do protagonismo ofensivo. Se desperdiça algumas chances em bola rolando, mostra frieza nas bolas paradas. Do outro lado, o Uzbequistão, dirigido por Fabio Cannavaro, passa boa parte do jogo recuado. A seleção asiática tenta travar as jogadas pelos lados e apostar em transições rápidas. Raramente consegue ameaçar Verbruggen no tempo regulamentar.

Quando o relógio se aproxima do fim, a falta de objetividade holandesa cobra preço. Aos 46 do segundo tempo, Van Dijk falha na rebatida, a bola sobra para Nasrullaev, que lança Mozgovoy na área. A jogada se desenha confusa. Summerville divide forte, a bola espirra e encontra Sergeev livre. O atacante bate firme e empata: 1 a 1. O gol premia a insistência uzbeque nos minutos finais e expõe a fragilidade holandesa na gestão do resultado.

Koeman se irrita à beira do campo. O empate, naquele momento, ameaça o clima de encerramento positivo da preparação. A Holanda já vem de derrota por 1 a 0 para a Argélia em outro amistoso, e um novo tropeço ampliaria as dúvidas sobre a capacidade de transformação do domínio em gols. Os últimos instantes se transformam em teste mental para um elenco que convive com a pressão de repetir campanhas de gerações anteriores.

O alívio chega no apagar das luzes. Aos 51 minutos, em cobrança de escanteio de Reijnders, a árbitra vê Khusanov puxar Van Hecke dentro da área. Novo pênalti. Gakpo pega a bola, olha para o goleiro, espera o silêncio possível em um amistoso e desloca Yusupov com categoria, mais uma vez no canto direito. A cobrança coloca a Holanda novamente em vantagem e sela o 2 a 1.

Confiança em alta, alerta ligado e estreias no horizonte

O resultado chega em momento chave. A seleção holandesa fecha a preparação para o Mundial com uma vitória e uma derrota em dois amistosos, desempenho modesto, mas suficiente para ajustar o discurso. Koeman consegue apresentar uma equipe que pressiona alto, agride o adversário e cria em grande quantidade. Ao mesmo tempo, vê, a cada nova chance perdida, um recado claro para a Copa: a Holanda ainda precisa aprender a ser mais pragmática na área.

Gakpo ganha moral como referência ofensiva, ainda mais enquanto Memphis Depay continua em processo de controle de carga física. O atacante corintiano, preservado em Nova York, segue peça central para o plano de ataque no Mundial. A expectativa na delegação é que ele chegue em melhores condições para o dia 14 de junho, data da estreia contra o Japão, em Dallas. O desempenho do time sem ele, com boa movimentação, mas baixa precisão, reforça a ideia de que a Holanda precisa de seu talento para jogos grandes.

Do lado uzbeque, o balanço preocupa. A equipe de Cannavaro acumula duas derrotas nos amistosos pré-Copa, para Canadá e Holanda, e chega ao Mundial com mais perguntas do que respostas. O empate parcial no fim mostra competitividade e organização, mas evidencia limitações defensivas que podem ser fatais diante de adversários mais fortes. A estreia contra a Colômbia, marcada para 17 de junho no estádio Azteca, no México, promete ser o primeiro teste real em clima de torneio.

O amistoso em Nova York funciona como fotografia de um estágio intermediário. A Holanda exibe ideia de jogo clara, protagonismo técnico e capacidade de controlar partidas. O Uzbequistão mostra que pode resistir e competir em blocos baixos, mas ainda sofre para resistir a 90 minutos de pressão contínua. O Mundial, com seu calendário apertado e margem reduzida para erro, tende a punir com rapidez quem não converte domínio em gol.

Os próximos dias serão de ajustes táticos, recuperação física e decisões de Koeman sobre o time titular. A primeira resposta virá em Dallas, diante do Japão, quando a Holanda precisará transformar o amistoso contra o Uzbequistão em lição prática. A pergunta que segue aberta é simples e decisiva: o time aprenderá a ser tão eficiente na área quanto é na construção de jogo?

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