Flávio Bolsonaro articula encontro com Trump em meio à crise
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) articula um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump na próxima segunda-feira, 25 de maio de 2026, em Washington. A reunião integra uma ofensiva política para reforçar o vínculo com o trumpismo e tentar conter danos da crise provocada por um repasse milionário do Banco Master.
Viagem em meio à crise financeira e disputa em 2026
A viagem aos Estados Unidos ocorre em um dos momentos mais delicados da trajetória política de Flávio. O nome do senador volta ao centro do noticiário após vir à tona um repasse de valores milionários oriundos do Banco Master, que expõe fragilidades de sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto em 2026 e alimenta questionamentos sobre sua rede de financiamento político.
Aliados descrevem a agenda em Washington como “de extrema importância” para a sobrevivência política do parlamentar. Nos bastidores, a avaliação é direta: o encontro com Trump precisa produzir imagens e gestos claros que reafirmem Flávio como herdeiro do bolsonarismo e interlocutor preferencial da direita alinhada ao ex-presidente republicano nos Estados Unidos.
A viagem está prevista para começar na própria segunda-feira, 25 de maio, com desembarque em Washington para uma série de encontros políticos e reuniões reservadas. A presença de Trump na agenda é tratada como peça central da estratégia, escolhida para marcar o início oficial da ofensiva de Flávio rumo às eleições presidenciais de 2026.
Ao Correio, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), confirma a expectativa em torno da ida do senador aos Estados Unidos. “A viagem está sendo bastante esperada”, afirma. Entre aliados, a declaração funciona como recado interno: o campo bolsonarista vê na aproximação com Trump uma chance de reorganizar forças e reduzir ruídos em torno do nome que irá liderar a direita em 2026.
Trumpismo como ativo político e disputa pela direita
O encontro em Washington não é apenas uma agenda internacional. A foto ao lado de Trump tem efeito imediato na política doméstica, especialmente entre eleitores conservadores que enxergam no ex-presidente americano um modelo de liderança. Desde 2018, o bolsonarismo se apresenta ao eleitorado brasileiro como uma versão local do trumpismo, com discurso nacionalista, conservador nos costumes e hostil às instituições tradicionais.
Flávio tenta se colocar como ponte oficial entre esse universo político e o Brasil. A aposta é que a chancela de Trump ajude a consolidar sua imagem em meio à disputa interna por espaço na direita, que reúne governadores, ex-ministros e parlamentares de diferentes partidos. O gesto ganha ainda mais peso depois da aproximação diplomática recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump, vista por bolsonaristas como uma tentativa de esvaziar o capital simbólico da antiga ligação entre as duas famílias políticas.
Nos cálculos de aliados, a reunião com Trump funciona como um selo internacional em um momento em que a reputação de Flávio sofre o impacto da crise envolvendo o Banco Master. O senador tenta inverter a narrativa: em vez de ser visto apenas como alvo de suspeitas financeiras, busca aparecer como líder de um projeto político alinhado a uma direita global que se reorganiza em várias democracias ocidentais.
O movimento também dialoga com o eleitorado evangélico e empresarial que acompanha de perto a agenda econômica e de costumes do Partido Republicano nos Estados Unidos. Para esse público, a proximidade com Trump pode pesar tanto quanto alianças internas no Brasil, especialmente em um cenário de fragmentação da oposição ao governo Lula.
Efeitos no tabuleiro político e próximos passos
A agenda em Washington tende a produzir reflexos imediatos em Brasília. Partidos do campo governista já monitoram os desdobramentos da viagem e avaliam possíveis reações, tanto no debate público quanto na articulação do Planalto com o Congresso. A leitura é que um Flávio fortalecido internacionalmente pode tornar mais dura a oposição ao governo em pautas econômicas, de costumes e de segurança pública.
Setores moderados observam com cautela a reaproximação explícita com o trumpismo. A associação direta a Trump, figura polarizadora nos Estados Unidos, pode consolidar o apoio de uma base fiel, mas também afastar eleitores de centro que rejeitam discursos mais radicais. O cálculo envolve risco: ao dobrar a aposta na polarização, o senador se distancia de uma estratégia mais ampla de diálogo com o centro político.
Entre aliados de Flávio, o objetivo é claro. A viagem deve ser usada para alimentar uma narrativa de projeção internacional, em que o senador aparece em mesas de negociação com líderes e empresários estrangeiros, com foco em segurança, economia e investimentos. A expectativa é que, ao longo de 2026, essas imagens ocupem o horário eleitoral e as redes sociais, reforçando a ideia de que o bolsonarismo mantém interlocução direta com a direita americana.
A resposta do eleitorado brasileiro a essa estratégia ainda é uma incógnita. O encontro com Trump pode funcionar como impulso decisivo para fixar Flávio Bolsonaro como principal rosto da direita em 2026 ou acentuar divisões internas e resistência de setores que desejam uma alternativa menos associada a crises e controvérsias internacionais. O desfecho da viagem a Washington ajuda a definir não apenas o futuro político do senador, mas também o rumo que o campo conservador brasileiro decide seguir na próxima eleição presidencial.
