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Fifa lança ranking por algoritmo para medir craques da Copa de 2026

A Fifa anuncia nesta quinta-feira (4) o FIFA Power Rankings, sistema que vai medir, em tempo real, o desempenho dos 100 melhores jogadores da Copa do Mundo de 2026. A ferramenta usa algoritmos e dados exclusivos das partidas para reduzir a influência da opinião e criar um novo padrão de avaliação individual no futebol.

Dados entram em campo antes do pontapé inicial

O anúncio ocorre a poucos dias do início do Mundial, que começa na próxima semana na América do Norte e reúne 48 seleções. Antes mesmo do primeiro jogo, a entidade sinaliza que a disputa não será só por gols e vitórias, mas também por décimos de nota em um painel global de desempenho individual.

O Power Rankings nasce para ocupar um espaço que hoje se divide entre estatísticas soltas, rankings subjetivos e premiações decididas por voto. A Fifa decide consolidar esse universo em um sistema único, atualizado ao fim de cada partida, que promete dar transparência ao que costuma ficar no campo da percepção: quem realmente rende mais em campo, minuto a minuto.

O projeto é desenvolvido por uma equipe de analistas de desempenho e cientistas de dados, sob supervisão de Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global do futebol da entidade. O ex-treinador do Arsenal se torna o rosto de uma guinada que a Fifa tenta consolidar nos últimos anos: transformar a análise do jogo em um processo guiado por números, e não só por narrativas.

“O desempenho não será mais avaliado apenas por opiniões. Com o novo FIFA Power Rankings, cada jogador será analisado por meio de dados objetivos de jogo nas áreas de ataque, criatividade e defesa, estabelecendo um novo padrão global para a avaliação individual no futebol”, afirma Wenger, em comunicado divulgado pela federação.

Como funciona o FIFA Power Rankings em campo

O sistema atribui a cada jogador de linha uma nota de zero a 10 em três frentes: ataque, criatividade e defesa. A avaliação vale apenas para quem atinge um tempo mínimo em campo, critério que busca evitar distorções causadas por participações muito curtas. A cada jogo, as notas individuais se somam ao histórico do atleta na competição, alimentando um algoritmo que organiza a lista dos 100 melhores do torneio.

Os goleiros têm uma régua própria. Em vez de ataque e criatividade, suas notas se dividem entre desempenho com a posse de bola e proteção do gol, também em escala de zero a 10. Passes sob pressão, saídas do gol, defesas difíceis e decisões com os pés entram no cálculo que define quem se destaca sob as traves.

A primeira versão do ranking só aparece depois que todas as seleções fazem sua estreia. A partir desse momento, a tabela passa a ser atualizada após cada confronto do Mundial, abrindo espaço para subidas meteóricas depois de uma grande atuação e quedas bruscas após jogos ruins. Nomes consagrados entram na disputa em pé de igualdade com estreantes, todos submetidos à mesma régua numérica.

A lógica do sistema tenta responder a uma crítica recorrente de técnicos e jogadores: a avaliação baseada em lances de destaque, e não no conjunto das decisões em 90 minutos. Ao cruzar dezenas de métricas de passe, finalização, desarme, posicionamento e criação de jogadas, o Power Rankings tenta capturar o impacto real de cada jogador em seu time, e não apenas o gol ou o drible que viraliza nas redes sociais.

Impacto em torcedores, técnicos e mercado da bola

O novo ranking tem potencial para mexer com a forma como o público acompanha a Copa. Torcedores passam a ter um painel oficial, publicado pela própria Fifa, para comparar desempenhos de ídolos, promessas e desconhecidos que surgem durante o torneio. A briga por posições no top 100 tende a virar combustível para transmissões, debates e redes sociais ao longo dos 31 dias de competição.

Comissão técnica e departamentos de análise também encontram no sistema uma ferramenta extra. Embora não substitua a observação de campo, o ranking oferece uma referência padronizada para medir a evolução de jogadores ao longo de sete partidas possíveis, do início da fase de grupos até uma eventual final. Um atacante que aparece em queda nas notas de criatividade, por exemplo, pode virar alvo de ajuste tático imediato.

No mercado da bola, empresários e dirigentes acompanham de perto mais esse indicador de performance em um momento em que valores de transferência sobem a cada janela. Uma boa Copa já costuma inflar propostas. Um bom desempenho validado por algoritmo, com notas altas em ataque, criatividade ou proteção do gol, tende a reforçar argumentos em negociações que ultrapassam dezenas de milhões de euros.

O movimento segue uma tendência que já se espalha por grandes clubes europeus e seleções, que montam estruturas próprias de análise de dados. A diferença, agora, é a escala: com o Power Rankings, a Fifa coloca um sistema único diante de bilhões de espectadores, com critérios públicos e atualização constante. A entidade tenta transformar o que antes era ferramenta interna em peça central da narrativa do torneio.

Próximos passos e o futuro da análise no futebol

A Copa do Mundo de 2026 funciona como laboratório definitivo para o FIFA Power Rankings. Se o sistema se mostra confiável e compreensível para o público, tende a se tornar presença fixa em grandes torneios de seleções e, mais adiante, em competições de clubes organizadas pela entidade. A própria Fifa já testa modelos de ranking em outros campeonatos, como o Mundial de Clubes, agora com brasileiros garantidos na próxima edição.

O sucesso do projeto pode acelerar investimentos em tecnologia esportiva, ampliar o uso de sensores e câmeras avançadas e pressionar federações e clubes a profissionalizar seus departamentos de dados. Também deve alimentar uma discussão antiga: até que ponto números explicam o jogo em um esporte marcado por imprevistos, contexto tático e decisões humanas? A partir da próxima semana, a resposta começa a aparecer, rodada a rodada, na lista dos 100 nomes que o algoritmo da Fifa coloca no topo da Copa.

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