Corinthians fixa preço de € 20 mi e afasta saída imediata de Yuri Alberto
O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, afasta na terça-feira (4) a possibilidade de venda imediata de Yuri Alberto e fixa em 20 milhões de euros o valor para iniciar qualquer conversa. O dirigente ainda atribui a empresários a declaração recente do atacante sobre buscar novos desafios, enquanto o jogador tenta reorganizar o discurso e garantir foco no clube.
Clube se fecha contra saída e mira estabilidade em meio à temporada
O recado de Stabile surge em entrevista à TMC, canal esportivo, em um momento de pressão esportiva e de mercado. O Corinthians disputa simultaneamente Brasileiro e Libertadores e tenta proteger um de seus principais ativos, de 23 anos, das oscilações do mercado de transferências às vésperas da janela do meio do ano.
Stabile descreve Yuri como peça central do projeto esportivo e minimiza o peso das declarações do jogador sobre um possível novo desafio. “O Yuri foi induzido pelo empresário a falar aquilo (sobre querer sair). Ele é um menino bom, está sempre sorrindo”, afirma o dirigente. O presidente reforça a leitura de que o desgaste é mais de bastidor do que de campo. “O mais importante para um jogador é manter o ímpeto de correr e ajudar os companheiros; ele nunca deixou de participar, sempre terminava os jogos exausto, então víamos uma dedicação muito grande”, diz.
O cartola tenta, assim, reposicionar a narrativa diante da torcida e do mercado. Segundo ele, não há movimentação concreta para uma transferência e a prioridade é preservar o elenco. “O que aconteceu foi puramente uma questão de bastidor, de empresário. Ele vai continuar conosco, tenho certeza absoluta”, declara, em tom categórico, ao ser questionado sobre o futuro imediato do camisa 9.
Preço alto trava assédio e expõe estratégia do Corinthians
A fala de Stabile não se limita ao campo das intenções. O presidente revela publicamente o valor que, na prática, funciona como uma barreira de entrada para interessados. “Não tem, não (chance de vender o Yuri). O Corinthians tem um percentual, um valor estipulado por esse percentual: 20 milhões de euros. Se vier, a gente libera. Se não quiserem, podem pagar a multa rescisória, também”, afirma.
O número posiciona Yuri em um patamar de mercado compatível com saídas recentes de atacantes brasileiros para a Europa e serve como mensagem clara para clubes estrangeiros. Em um cenário de alta do euro frente ao real, o valor supera com folga a casa dos R$ 100 milhões, dependendo da cotação, e reforça a aposta do Corinthians na valorização do ativo. Na prática, o clube sinaliza que só se senta à mesa em caso de proposta considerada irrecusável, o que reduz a margem para negociações de ocasião na janela de julho.
Do lado do jogador, o discurso ganha contornos mais cuidadosos após a repercussão. À TV Globo, Yuri havia admitido que já conversa com seus representantes sobre o futuro e que vê com bons olhos um novo desafio, depois de cinco temporadas defendendo o Corinthians. “Já foram cinco temporadas, eu já estou numa fase que eu conversei com meu staff”, afirma. Ele relata conversas frequentes com o técnico Fernando Diniz, que tenta segurá-lo como referência ofensiva. “O Diniz tem conversado bastante comigo e fala da minha importância para o grupo e para o estilo de jogo dele, que tem encaixado bastante”, diz.
Na mesma entrevista, o atacante detalha o combinado feito com seu empresário, André Cury, e com a diretoria ainda na renovação de contrato. “É uma coisa que eu pedi para o André que, neste ano, a gente teria que buscar uma coisa diferente, um novo desafio”, conta. Segundo Yuri, ficou acertado com Stabile que uma proposta “atrativa” para o clube seria avaliada em conjunto. “O Osmar nos deu um posicionamento quando acabei renovando, que, se chegasse uma proposta atrativa para o clube, a gente ia sentar e conversar”, lembra. O jogador cita ainda um horizonte de até o fim da Copa do Mundo, com cerca de dois meses para se definir.
Mercado observa, torcida reage e futuro segue aberto
A repercussão da entrevista força Yuri a ajustar o tom no dia seguinte. Em nota divulgada por sua assessoria, o atacante reafirma o desejo de atuar no exterior em algum momento da carreira, mas tenta afastar a imagem de insatisfação imediata no Corinthians. “Sobre a pergunta de ontem, o que eu quis dizer é que nunca escondi de ninguém o desejo de jogar fora um dia. Mas hoje não existe nenhuma proposta”, afirma.
O jogador destaca ainda que qualquer negociação precisa contemplar também o clube. “Se um dia acontecer, precisa ser algo bom para mim e também para o Corinthians. Enquanto eu estiver aqui, vou honrar essa camisa da melhor forma possível”, completa. A mensagem busca acalmar a torcida às vésperas de decisões importantes na Libertadores, em que o time já conhece datas, horários e local das oitavas de final, e em meio a um Brasileirão em que cada ponto pesa na tabela.
O posicionamento público de Stabile, com número e discurso claros, impacta diretamente o mercado de transferências. Clubes interessados sabem agora o preço inicial da conversa e a postura do Corinthians, que se mostra pouco disposto a abrir mão do atacante por valores intermediários. Para empresários, o recado indica que eventuais ofertas precisarão ser estruturadas com mais fôlego financeiro, o que tende a restringir o leque de candidatos.
Dentro do vestiário, a tendência é que o caso sirva também como termômetro da relação entre elenco, diretoria e comissões técnicas em um momento de transição sob o comando de Fernando Diniz. A forma como o clube administra a situação de uma de suas principais referências ofensivas pode influenciar futuras renovações, pedidos de saída e até o poder de convencimento para novas contratações.
As próximas semanas, até o fechamento da janela de meio de ano e o fim da Copa do Mundo, devem definir se o preço de 20 milhões de euros funciona apenas como escudo ou como convite a uma proposta definitiva. Enquanto isso, o Corinthians tenta manter a discussão fora de campo, Yuri promete “honrar a camisa” e a torcida observa, entre a ansiedade pelas decisões e a curiosidade sobre até onde vai a convicção da diretoria na hora de dizer não ao mercado.
