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Ex-vereador de Januária morre em tombamento de caminhão-tanque na BR-135

O ex-vereador de Januária João Gomes Teixeira, de 64 anos, morre na manhã desta sexta-feira (24/4) em um acidente com caminhão-tanque na BR-135, no Norte de Minas. O veículo, carregado com cerca de 16 mil litros de combustível, colide lateralmente com um caminhão dos Correios e despenca em uma ribanceira de aproximadamente 30 metros. A rodovia é interditada por tempo indeterminado por causa do risco de explosão.

Colisão em trecho de serra paralisa rodovia estratégica

O acidente ocorre por volta das 6h, em um trecho de descida de serra na altura do km 371 da BR-135, entre Bocaiúva e Montes Claros. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, os dois veículos de carga seguem no mesmo sentido quando, em circunstâncias ainda não esclarecidas, há a colisão lateral entre o caminhão-tanque conduzido por João Gomes e o caminhão dos Correios, que transporta encomendas.

Com o impacto, o caminhão carregado com combustível atinge a mureta de contenção da pista, se desprende da estrutura principal e tomba, caindo na ribanceira de cerca de 30 metros. O reservatório metálico se separa da cabine, e o corpo do motorista é encontrado ao lado do tanque, já sem sinais vitais, por equipes de resgate que chegam poucos minutos depois.

O outro motorista envolvido, que conduz o veículo dos Correios, não sofre ferimentos aparentes e recusa atendimento médico no local. A informação é confirmada por equipes do Corpo de Bombeiros que atuam na ocorrência. Bombeiros, policiais rodoviários e funcionários da concessionária responsável pela via se revezam no isolamento da área, na avaliação do vazamento e na tentativa de evitar incêndio.

O trecho afetado da BR-135, eixo importante de ligação entre o Norte de Minas e o restante do estado, é totalmente bloqueado nos dois sentidos. A orientação das autoridades é de desvio por vias alternativas, o que aumenta o tempo de viagem e sobrecarrega estradas secundárias da região. Motoristas enfrentam congestionamento e incerteza sobre a liberação da pista, já que não há previsão oficial de reabertura.

Luto em Januária e na comunidade de Pandeiros

João Gomes Teixeira, conhecido como “Dão Bucho”, é figura conhecida em Januária e na comunidade de Pandeiros, onde atua como lavrador. Ele ocupa uma cadeira na Câmara Municipal entre 2005 e 2008, eleito pelo Partido Social Cristão (PSC), e se torna referência local por intermediar demandas de pequenas comunidades rurais junto ao poder público.

Moradores de Pandeiros relatam que o ex-vereador mantém, ao longo dos anos, a rotina no campo e o contato direto com famílias ribeirinhas. “Era uma liderança que não abandonava a comunidade”, afirma, em caráter de relato, um morador ouvido pela reportagem. O ex-parlamentar deixa esposa e três filhos.

A Prefeitura de Januária divulga nota de pesar e manifesta solidariedade à família. O município lembra a atuação de João Gomes no Legislativo entre 2005 e 2008 e destaca sua ligação com o meio rural. “João Gomes Teixeira dedicou parte de sua vida à representação da população januárense, em especial das comunidades do campo”, registra o texto divulgado nas redes oficiais.

O clima na cidade é de comoção. A morte de um ex-vereador em serviço, no transporte de carga perigosa, reacende discussões sobre as condições de trabalho de caminhoneiros que cruzam diariamente rodovias sinuosas do Norte de Minas. O trajeto entre Bocaiúva e Montes Claros concentra tráfego intenso de veículos pesados, que transportam combustíveis, grãos, produtos industriais e encomendas.

Risco de explosão expõe fragilidade na segurança viária

O tombamento de um caminhão-tanque com 16 mil litros de combustível transforma um acidente de trânsito em uma operação de alto risco. Os bombeiros estabelecem um raio de segurança, suspendem qualquer uso de equipamentos que possam gerar faíscas e restringem a circulação de curiosos. A cena, ainda ao amanhecer, é de sirenes ligadas, cheiro forte de combustível e apreensão na encosta, à margem da rodovia.

O vazamento do produto obriga as equipes a trabalharem com cautela redobrada. Técnicos avaliam o terreno para conter o escoamento do combustível e reduzir o impacto ambiental em áreas de vegetação e cursos d’água próximos. Em acidentes semelhantes registrados no estado, a recuperação plena da área leva dias e exige acompanhamento de órgãos ambientais.

A interrupção da BR-135 afeta caminhoneiros, ônibus intermunicipais e veículos de passeio que usam a rodovia para acessar Montes Claros, polo regional de saúde, comércio e serviços. Empresas de transporte calculam atrasos nas entregas e remanejamento de rotas, o que eleva custos e pressiona fretes. Comerciantes que dependem de mercadorias vindas do Sul de Minas e da Região Metropolitana de Belo Horizonte também sentem reflexos quando a estrada fica parada por horas ou dias.

O acidente reforça o debate sobre a segurança no transporte de cargas perigosas em rodovias de pista simples, com trechos de serra e infraestrutura limitada. Especialistas em trânsito costumam apontar a combinação de alto fluxo de caminhões, traçado antigo e manutenção irregular como fatores que agravam o risco de tombamentos e colisões. No caso da BR-135, motoristas reclamam com frequência de falta de acostamento adequado e sinalização insuficiente em segmentos críticos.

Investigação, liberação da pista e debate sobre prevenção

A perícia da Polícia Civil e a Polícia Militar Rodoviária iniciam a coleta de dados ainda pela manhã. Os agentes registram a posição dos veículos, marcas de frenagem, danos na mureta de proteção e condições da pista. A partir desses elementos, as autoridades devem tentar esclarecer se houve falha humana, problema mecânico, excesso de velocidade ou outra causa determinante para a colisão lateral.

O laudo técnico costuma levar semanas para ficar pronto, mas os primeiros relatos já alimentam a discussão sobre medidas de prevenção. A análise inclui eventual necessidade de reforço de sinalização, instalação de barreiras mais robustas em trechos de serra e ações educativas voltadas a motoristas de veículos pesados, que lidam diariamente com o peso e a instabilidade de cargas inflamáveis.

A concessionária responsável pela BR-135 trabalha em paralelo com equipes especializadas para retirar o caminhão-tanque da ribanceira e remover o combustível remanescente com segurança. A liberação total da pista depende do fim do risco de explosão, do controle do vazamento e da conclusão da limpeza da via. Até lá, moradores do Norte de Minas convivem com desvios improvisados e um alerta renovado sobre a vulnerabilidade de quem depende das rodovias para trabalhar, se deslocar e manter a economia girando.

A morte de João Gomes Teixeira encerra a trajetória pública de um representante local, mas deixa em aberto uma questão que volta a cada grande acidente envolvendo caminhões-tanque: quantas tragédias ainda serão necessárias para que o transporte de cargas perigosas em estradas com infraestrutura precária deixe de ser apenas mais um risco cotidiano?

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