Demolição vira caso de polícia após homem colocar palitos de dente em retroescavadeira
Proprietário de 74 anos tentou impedir a retirada de duas quitinetes em Juiz de Fora; construções foram consideradas de risco pela Defesa Civil e ficavam acima de uma escola estadual.

Um homem de 74 anos foi preso após tentar impedir a demolição de duas quitinetes no bairro Santa Helena, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Durante a operação, realizada na sexta-feira (6), o proprietário colocou palitos de dente no sistema de ignição de uma retroescavadeira e teria arremessado pedras contra o equipamento utilizado pelos trabalhadores.
A demolição havia sido determinada pela Justiça depois que a Defesa Civil identificou quatro pontos de deslizamento no terreno, localizado na Rua Olímpio Reis. Segundo a Prefeitura, as construções representavam risco para a Escola Estadual Maria das Dores de Souza, situada abaixo do imóvel.
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A Polícia Militar precisou ser acionada duas vezes durante a operação. Na primeira abordagem, o homem teria concordado em não interferir nos serviços, mas voltou a dificultar os trabalhos cerca de três horas depois. Apesar da confusão e do risco envolvendo a máquina, ninguém ficou ferido.
Por que a Justiça determinou a demolição das quitinetes?
A decisão está relacionada aos danos provocados pelas fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora em fevereiro de 2026. Após a tragédia, a Defesa Civil realizou vistorias em diferentes áreas da cidade para identificar imóveis com risco de desabamento e deslizamento.
No terreno do bairro Santa Helena, os técnicos encontraram quatro pontos de instabilidade. A localização das quitinetes agravava a preocupação das autoridades, já que as estruturas ficavam acima de uma escola estadual.
Segundo a Prefeitura, a construção das duas unidades havia sido embargada em março, mas o proprietário não teria respeitado a determinação de interromper as obras.
Mesmo após o embargo, as quitinetes foram concluídas e chegaram a ser anunciadas para aluguel, conforme informações da administração municipal.
Diante da continuidade das construções e do risco identificado, o Ministério Público recomendou a demolição dos imóveis. O pedido foi acolhido pela Justiça, permitindo a realização da intervenção.
Homem colocou palitos na retroescavadeira e jogou pedras contra máquina
A confusão começou na manhã de sexta-feira, quando equipes responsáveis pela demolição chegaram ao imóvel para cumprir a determinação judicial.
De acordo com o boletim de ocorrência, o proprietário tentou impedir o andamento dos serviços e dificultou até mesmo a realização de uma vistoria cautelar.
Policiais militares foram chamados e conversaram com o homem, que teria prometido não interferir novamente no trabalho.
A situação mudou algumas horas depois. Segundo os profissionais envolvidos na operação, o proprietário voltou ao local e arremessou uma pedra contra a retroescavadeira enquanto um funcionário operava o equipamento.
O objeto atingiu o vidro de proteção da cabine. Conforme o relato apresentado à Polícia Militar, o susto quase provocou o tombamento da máquina, que trabalhava em uma área elevada do terreno.
O homem também colocou palitos de dente no sistema de ignição da retroescavadeira, em uma tentativa de impedir seu funcionamento.
Apesar do perigo, não houve registro de feridos.
Prefeitura relata ameaças anteriores durante processo de demolição
Segundo a administração municipal, os problemas envolvendo o proprietário não começaram na sexta-feira.
O homem já teria feito ameaças e praticado agressões contra servidores e profissionais envolvidos nas intervenções no terreno.
A Prefeitura também relatou que ele tumultuou uma audiência de conciliação realizada antes da operação.
Os episódios ocorreram durante o processo de cumprimento das medidas destinadas a eliminar o risco identificado pela Defesa Civil.
Com a nova interferência nos trabalhos, a Polícia Militar efetuou a prisão do proprietário.
Tragédia das chuvas motivou vistorias em áreas de risco
A determinação de demolição ocorre meses depois das chuvas de fevereiro, que provocaram mortes, deslizamentos e destruição em diferentes bairros de Juiz de Fora.
O município foi um dos mais afetados pela tragédia na Zona da Mata mineira. Desde então, imóveis situados em encostas e terrenos considerados instáveis passaram a ser avaliados pelas autoridades.
No caso das quitinetes do bairro Santa Helena, a preocupação não envolvia apenas as construções, mas também a segurança da escola localizada na parte inferior do terreno.
A ordem judicial de demolição foi adotada após as avaliações técnicas e a recomendação do Ministério Público.
O que acontece após a prisão?
O proprietário foi preso durante a ocorrência, mas não havia confirmação, até a última atualização das informações divulgadas, sobre sua permanência na prisão ou eventual liberação.
A Polícia Civil foi procurada para esclarecer a situação do homem, mas ainda não havia apresentado retorno.
Também não foi confirmado se a demolição das duas quitinetes foi totalmente concluída após a intervenção policial.
A medida judicial permanece relacionada à necessidade de eliminar os riscos identificados no terreno e proteger as estruturas próximas, especialmente a escola estadual.


