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Datafolha registra 38% de avaliação negativa ao governo Lula

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (23) mostra que 38% dos brasileiros consideram o governo Lula ruim ou péssimo. O resultado acende um alerta em meio à crise política que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o Banco Master.

Polarização se cristaliza no meio da crise

O levantamento, realizado em todo o país às vésperas do segundo semestre legislativo, indica um cenário de opinião pública cada vez mais rachado em relação à gestão petista. Enquanto 38% avaliam o governo como ruim ou péssimo, outra fatia expressiva, ainda que minoritária, mantém apoio, e um grupo intermediário oscila entre a dúvida e a frustração. A pesquisa captura o impacto direto da crise política que cerca Flávio Bolsonaro e suas ligações com o Banco Master, tema que domina o noticiário nas últimas semanas e reacende desconfianças sobre o sistema político como um todo.

O Datafolha colhe as entrevistas em um ambiente de tensão permanente em Brasília. A relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso sofre abalos sucessivos, e a base aliada tenta conter a erosão da imagem presidencial. Integrantes do governo admitem, em reservado, preocupação com o avanço das avaliações negativas. Um assessor de Lula resume o clima: “O problema não é só o número em si, é a tendência. O desgaste vem se acumulando, e a crise do Banco Master entra como mais um fator de contaminação”.

Crise com Flávio Bolsonaro e Banco Master contamina o Planalto

A investigação sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o Banco Master vira o eixo simbólico dessa insatisfação. A suspeita de uso do sistema financeiro para favorecer interesses políticos, ainda sob apuração, reforça a percepção de promiscuidade entre poder e dinheiro, mesmo que o episódio não envolva diretamente integrantes do governo Lula. Pesquisadores veem um efeito de transbordamento: em um ambiente de baixa confiança institucional, qualquer escândalo de grande porte atinge o conjunto da classe política e respinga no governo de turno.

Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que o Planalto paga o preço de um cenário mais amplo de desconfiança. “A crise de Flávio Bolsonaro é, em tese, um problema da oposição, mas o eleitor não separa com tanta nitidez. Ele enxerga um sistema político viciado, e o governo atual acaba encarado como parte desse arranjo”, afirma um cientista político da Universidade de Brasília. Segundo ele, o dado de 38% de avaliação negativa indica “um patamar estrutural de rejeição” que, se mantido ou ampliado, reduz a margem de manobra do presidente em temas sensíveis, como reformas econômicas e políticas sociais.

Impacto nas reformas, no Congresso e nas eleições

A piora na percepção pública ocorre em um momento em que o governo tenta consolidar sua agenda econômica, negociar o Orçamento de 2027 e preservar programas sociais em meio a restrições fiscais. Deputados e senadores calculam cada voto sob a luz desses números. Em privado, parlamentares do chamado centrão admitem que a pesquisa fortalece o poder de barganha do Congresso. “Quando o presidente está em baixa, o custo político de contrariar o governo cai. Isso pesa na hora de votar qualquer projeto mais impopular”, diz um líder partidário.

Os 38% de avaliação negativa ampliam a pressão sobre a equipe econômica, que defende ajustes para cumprir metas de equilíbrio das contas públicas. Medidas que envolvem corte de gastos, revisão de benefícios ou mudanças tributárias tendem a enfrentar mais resistência popular. A oposição, por sua vez, enxerga na combinação de crise política e desgaste do governo uma oportunidade para reorganizar seu discurso. Dirigentes ligados ao bolsonarismo já trabalham para associar as dificuldades econômicas atuais a um suposto fracasso da gestão Lula, enquanto minimizam o impacto das denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master.

Governo busca conter desgaste e redesenhar estratégia

No Palácio do Planalto, auxiliares discutem ajustes na comunicação e na articulação política. A avaliação é que a narrativa do governo se perde em meio a escândalos sucessivos e a um noticiário econômico marcado por juros altos, inflação resistente em alguns setores e desemprego que demora a recuar. A estratégia em estudo combina reforço da presença de Lula em agendas populares, anúncios de entregas concretas e tentativa de retomar o protagonismo em pautas sociais, como habitação, saúde e educação.

O Datafolha opera como um termômetro nesse processo. Cada nova rodada de pesquisa ajuda a calibrar discursos, decidir prioridades e medir o custo de escolhas que chegam ao Congresso. A dúvida que se impõe, a partir dos 38% de avaliação negativa, é se o governo conseguirá reverter o quadro antes que a disputa eleitoral de 2026 entre em campo aberto. A crise que envolve Flávio Bolsonaro e o Banco Master tende a seguir no centro do embate político, mas o saldo final, para governo e oposição, dependerá menos do escândalo em si e mais da capacidade de cada lado de oferecer respostas concretas a um eleitorado cansado, desconfiado e cada vez mais polarizado.

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