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Datafolha: Lula lidera centro em 2026 e abre 9 pontos sobre Flávio

Lula aparece na frente entre eleitores de centro na disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha feita em 20 e 21 de maio. O presidente marca 29% das intenções de voto nesse segmento, nove pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que tem 20%.

Centro vira terreno decisivo na corrida presidencial

O levantamento, realizado com 2.004 entrevistados em todo o país, indica que o eleitorado de centro volta a ocupar o centro da disputa política. Em um ambiente ainda marcado pela polarização entre lulismo e bolsonarismo, o desempenho de Lula nesse grupo é visto por estrategistas como termômetro para 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%.

O Datafolha registra Lula com uma vantagem confortável, mas não definitiva, sobre Flávio Bolsonaro. O senador herda parte do capital político do pai e tenta se firmar como principal nome do campo bolsonarista na ausência do ex-presidente na cédula. Mesmo assim, vê o presidente avançar sobre um espaço historicamente disputado voto a voto.

No mesmo segmento de centro, Ronaldo Caiado, do PSD, obtém 6% das intenções de voto. O governador de Goiás tenta se projetar nacionalmente como alternativa moderada, amparado em um partido que se define como centrista. Também com 6% aparece Augusto Cury, do Avante, que se apresenta ao público como candidato explicitamente de centro e tenta converter sua popularidade como autor em capital eleitoral.

Renan Santos, da legenda Missão, e Romeu Zema, do Novo, surgem logo atrás, com 5% e 4%, respectivamente, entre eleitores que se enxergam no meio do espectro político. O conjunto dos números mostra um centro fragmentado em diversas candidaturas, mas ainda sob forte influência da figura de Lula.

Liderança de Lula redesenha estratégias e alianças

Os dados chegam em um momento em que partidos aceleram conversas de bastidor e medem forças para montar palanques regionais. A vantagem de Lula entre eleitores de centro tende a fortalecer o poder de barganha do Planalto em negociações com siglas que se definem como moderadas. Em 2022, esse eleitorado se dividiu entre o petista e Jair Bolsonaro e foi decisivo no segundo turno.

A pesquisa atual também dialoga com a avaliação de governo captada pelo mesmo instituto. O Datafolha aponta que 38% dos entrevistados consideram o governo Lula ruim ou péssimo, enquanto 32% o avaliam como ótimo ou bom. A diferença mostra um ambiente de opinião dividido, em que a rejeição é alta, mas não impede o presidente de liderar a disputa no centro.

Para Flávio Bolsonaro, o resultado sinaliza um desafio imediato. Com 20% entre os eleitores de centro, ele mantém uma base expressiva, mas ainda insuficiente para ameaçar a dianteira de Lula nesse grupo. A estratégia do entorno bolsonarista tende a mirar justamente esse segmento, tentando associar o presidente à piora da economia e à alta da rejeição. No cálculo dos adversários, reduzir a margem de Lula no centro é condição para levar a eleição a um cenário mais equilibrado.

Candidaturas como as de Caiado, Cury, Renan Santos e Zema funcionam, neste momento, como vitrines de projetos que tentam furar o duopólio entre PT e bolsonarismo. Ao alcançarem entre 4% e 6% no segmento de centro, esses nomes mostram que há espaço para discursos alternativos, ainda que pulverizados. O dilema para eles é transformar essa presença em viabilidade real de campanha, algo que costuma exigir estrutura partidária robusta, tempo de TV e alianças nacionais.

Eleitor de centro ganha peso e pressiona pré-candidatos

O retrato traçado pelo Datafolha reforça o peso do voto de centro como fator decisivo em 2026. A leitura nas campanhas é direta: quem conseguir liderar nesse segmento, mantendo rejeição sob controle, larga em vantagem na reta final. Por isso, programas de governo, discurso público e alianças no Congresso tendem a ser ajustados para dialogar com esse eleitorado que rejeita extremos, mas ainda vê em Lula um porto mais seguro.

Os números também influenciam o comportamento dos partidos que hoje orbitam o chamado centrão. Legend as que se apresentam como pragmáticas avaliam não apenas a popularidade momentânea, mas a capacidade de cada pré-candidato de dialogar com o centro urbano, mais escolarizado e atento à economia. Nesse tabuleiro, a liderança de Lula pode atrair siglas em busca de espaço no governo, ao mesmo tempo em que alimenta o discurso oposicionista de que é preciso “equilibrar o jogo”.

A pesquisa, realizada com recursos próprios do instituto e registrada no TSE sob o protocolo BR-07489/2026, oferece um ponto de partida para a construção das estratégias eleitorais nos próximos meses. Com o calendário oficial ainda distante, o cenário permanece aberto a movimentos bruscos, crises econômicas e fatos novos na segurança pública e na política.

Os próximos levantamentos vão mostrar se Lula consolida a dianteira no centro ou se abre espaço para que um candidato autodeclarado moderado avance sobre esse eleitorado. A escolha desse grupo, que hoje se inclina majoritariamente ao presidente, tende a definir não apenas quem vencerá a eleição, mas também qual será o tom do próximo governo em um país ainda dividido.

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