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Datafolha: 88% dos eleitores de Flávio mantêm apoio após Dark Horse

Pesquisa Datafolha realizada em 20 e 21 de maio mostra que 88% dos eleitores de Flávio Bolsonaro defendem a permanência do senador na disputa presidencial, apesar do escândalo Dark Horse. No eleitorado em geral, porém, quase metade prefere que ele desista da candidatura.

Base permanece fiel em meio ao escândalo

O levantamento, feito com 2.004 entrevistados em 139 cidades do país, é o primeiro do instituto a medir o impacto direto das revelações sobre o chamado caso Dark Horse. As reportagens do site The Intercept Brasil trazem conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, envolvendo repasses de R$ 61 milhões para um filme de propaganda de Jair Bolsonaro.

Os números revelam uma base resiliente em torno do senador do PL. Entre os que declaram voto em Flávio, 72% dizem ter ouvido falar do escândalo e 54% consideram próxima a relação dele com Vorcaro. Mesmo assim, 73% afirmam confiar no filho do ex-presidente e 53% avaliam que ele agiu bem ao pedir dinheiro ao banqueiro para a produção do filme.

No conjunto do eleitorado, o clima é outro. Entre todos os entrevistados, 64% dizem conhecer o caso Dark Horse, mas só 30% se consideram bem informados sobre o tema. Quando a pergunta é sobre a conduta de Flávio, 64% dos brasileiros ouvidos entendem que ele agiu mal ao solicitar os recursos. A percepção negativa, porém, não se traduz automaticamente em ruptura. Para 67%, o escândalo não altera o nível de confiança no senador.

O contraste entre base e público geral se cristaliza na avaliação sobre a candidatura. Na amostra total, 48% defendem que Flávio Bolsonaro deixe a corrida presidencial, enquanto 44% preferem que ele siga na disputa e 8% não sabem responder. Entre seus eleitores, o quadro se inverte e a permanência vira consenso quase absoluto.

Polarização molda reação ao caso Dark Horse

Os resultados reforçam o papel da polarização política na forma como o país reage a denúncias que envolvem figuras centrais do bolsonarismo. Dois anos após o fim do governo Jair Bolsonaro, o campo conservador segue organizado em torno de lideranças que exploram a narrativa de perseguição e tentam transformar acusações em combustível eleitoral.

O caso Dark Horse se insere nessa lógica. A revelação de conversas sobre repasses multimilionários para um filme de propaganda de Jair Bolsonaro reabre o debate sobre os limites entre financiamento privado, marketing político e uso de estruturas financeiras para projetar candidaturas. Para uma parte expressiva do eleitorado, porém, o escândalo não passa de mais um capítulo na guerra permanente entre bolsonaristas e seus críticos.

O Datafolha indica que o grau de informação pesa na leitura do episódio. Entre os que se dizem bem informados sobre o caso, cresce a fatia que considera a conduta de Flávio inaceitável e defende sua saída da corrida presidencial. Já entre os que ouviram falar superficialmente do tema, prevalece a tendência de manter a opinião anterior sobre o senador, seja de apoio, seja de rejeição.

A disputa em torno do significado político do escândalo tende a se intensificar à medida que a campanha avança. Aliados de Flávio devem insistir na tese de que o episódio é um ataque coordenado contra o projeto da direita, enquanto adversários vão usar os dados sobre repasses e proximidade com o banqueiro para questionar a integridade do pré-candidato.

Eleição de 2026 entra em zona de atrito

A fotografia captada pelo Datafolha ajuda a explicar por que o caso Dark Horse não produz, por ora, uma implosão da candidatura de Flávio Bolsonaro. A resiliência da base garante fôlego político e reduz o custo imediato de permanecer na disputa, mesmo sob forte pressão midiática e institucional. Ao mesmo tempo, a rejeição expressiva na sociedade amplia o potencial de isolamento do senador em cenários de segundo turno e em negociações de alianças.

O efeito prático recai também sobre o cálculo de outros atores. Partidos de centro e centro-direita avaliam se aproximar ou manter distância de uma candidatura que mobiliza um eleitorado fiel, mas carrega um passivo ético crescente. No Judiciário e nos órgãos de controle, novas frentes de apuração sobre o fluxo de recursos e a participação do banco de Daniel Vorcaro podem alterar o tabuleiro em ritmo imprevisível.

A poucos meses do primeiro turno, o escândalo passa a ser um teste para a capacidade das denúncias de furar a bolha de apoiadores convictos. Se a narrativa de perseguição continuar eficaz, Flávio tende a preservar um piso relevante de intenções de voto, ainda que tenha dificuldade para ampliar seu alcance além do núcleo bolsonarista. Se novas revelações conectarem o Dark Horse a práticas ilegais mais claras, o custo de sustentar a candidatura pode se tornar alto demais até para aliados próximos.

O Datafolha não encerra o caso, apenas registra um momento de tensão. O futuro da disputa presidencial de 2026 dependerá de como a opinião pública vai reagir a novas informações, da atuação da Justiça Eleitoral e da disposição dos partidos em apostar em candidaturas que caminham na beira do abismo ético. A pergunta que permanece é se a fidelidade demonstrada hoje pelos eleitores de Flávio Bolsonaro resiste ao desgaste prolongado de um escândalo ainda em aberto.

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