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Coritiba reage no segundo tempo e vira sobre o Bahia no Couto

O Coritiba vence o Bahia por 3 a 2, de virada, nesta segunda-feira (25), no Couto Pereira, e encerra a 17ª rodada em alta no Brasileirão. O time paranaense marca três vezes no segundo tempo, sobe para a sexta posição e aumenta a pressão sobre a equipe baiana, que chega a oito jogos sem vitória na competição.

Virada em 12 minutos muda o clima no Couto e na tabela

O jogo começa com o Bahia mais organizado, trocando passes com paciência e explorando o erro do adversário. O Coritiba tenta acelerar pelas pontas, mas esbarra em decisões apressadas e na falta de capricho no último passe. A impressão inicial é de que o time de Rogério Ceni controla o ambiente em Curitiba.

Aos 25 minutos, o roteiro confirma esse domínio. Erick Pulga recebe em velocidade, pela esquerda, entra na área e finaliza cruzado. O zagueiro Tiago Coser se estica para cortar, desvia a bola e engana o goleiro Pedro Rangel. O gol sai com a assinatura da insistência baiana, mas nasce de um toque contra a própria meta, símbolo de um Coritiba ansioso e desajustado na marcação.

O Bahia tem a chance de ampliar ainda no primeiro tempo. Éverton Ribeiro aparece livre na entrada da área após vacilo de JP Chermont, mas finaliza para fora. A bola passa à direita do gol e mantém o Coxa respirando. Pouco depois, uma cena muda o clima da noite: o goleiro Léo Vieira aterrissa de mau jeito ao tentar segurar um cruzamento e machuca o joelho. Ele cai no gramado, o Coritiba insiste na jogada e os dois times se estranham. Léo deixa o campo, aos 47, e abre espaço para João Paulo, reserva, assumir o gol tricolor.

O intervalo chega com o Bahia em vantagem e com a sensação de que o segundo gol está mais perto dos visitantes. No vestiário, porém, a dinâmica muda. O Coritiba volta mais intenso, adianta a marcação e transforma o volume em presença efetiva na área. A reação vem em bloco e com pouco espaço para respiro.

Aos 10 minutos do segundo tempo, Josué cruza com precisão da esquerda. Bruno Melo surge entre os defensores e cabeceia firme, sem chance para João Paulo. O empate não é apenas um gol: é o gatilho emocional que o Coritiba procura desde o início da partida. O camisa 10 do Coxa registra a 10ª assistência na temporada e reforça o papel de articulador do time.

A virada se completa nove minutos depois. Um novo cruzamento encontra a defesa baiana desatenta. Lavega, bem posicionado, finaliza de primeira, por baixo das pernas de Iago Borduchi. A bola entra rasteira, o Couto Pereira explode e o Bahia, antes seguro, passa a conviver com a própria desorganização. Em três minutos, a situação fica ainda mais delicada para os visitantes.

Aos 22, o Coritiba arma um contra-ataque de manual, três contra dois. Breno Lopes conduz com liberdade, aciona Lavega e recebe de volta na entrada da área. O atacante domina, escolhe o canto e acerta o ângulo de João Paulo. O 3 a 1 transforma o placar em retrato fiel do segundo tempo: um time agressivo e conectado contra um adversário que perde o eixo e acumula erros de posicionamento.

Bahia afunda em série negativa e vê pressão sobre Ceni crescer

O gol tardio de Everaldo, aos 45 do segundo tempo, ainda devolve o Bahia ao jogo. Éverton Ribeiro cobra falta na área, o centroavante sobe mais alto que a defesa alviverde e testa para o fundo da rede. O 3 a 2 renova por alguns minutos a esperança de empate, mas o relógio é implacável. A reação para em um lance isolado, sem tempo para nova investida.

O resultado mantém o Bahia estacionado nos 23 pontos, em oitavo lugar, e amplia para oito o número de partidas sem vitória no Brasileiro. A sequência negativa passa a pesar não apenas na tabela, mas no ambiente interno. A pressão sobre Rogério Ceni aumenta, com questionamentos sobre a consistência defensiva e a capacidade de o time sustentar boas atuações durante 90 minutos.

O segundo tempo em Curitiba expõe de forma clara essa fragilidade. Em 12 minutos, a equipe sofre três gols, perde o controle emocional e se vê obrigada a buscar alternativas na base do abafa. A entrada do goleiro João Paulo, após a contusão de Léo Vieira, acrescenta um ponto de preocupação. O clube ainda avalia a gravidade da lesão no joelho do titular, que sai de campo com muita dor e pode desfalcar a equipe às vésperas da parada do calendário para a Copa do Mundo.

O Coritiba, por outro lado, se beneficia de uma noite de afirmação. A vitória leva o time aos 26 pontos e à sexta posição, consolidando uma reação importante antes da pausa. O crescimento no segundo tempo não se resume à intensidade física. A equipe ajusta a marcação, encurta os espaços entre os setores e mostra repertório ofensivo com cruzamentos precisos, infiltrações e contra-ataques bem executados.

O desempenho de peças como Bruno Melo, Lavega e Breno Lopes reforça a sensação de que o elenco encontra alternativas de protagonismo além de um único nome. A participação de Josué, com mais uma assistência na temporada, indica uma engrenagem ofensiva em evolução. O estádio, que começa a noite desconfiado após o gol contra de Coser, termina em clima de confiança renovada.

Parada à vista aumenta peso dos próximos compromissos

O calendário adiciona uma camada extra de tensão ao cenário. O Bahia encara o Botafogo no próximo sábado, dia 30, na Arena Fonte Nova, em seu último compromisso antes da pausa para a Copa do Mundo. Um novo tropeço em casa, depois de uma sequência tão longa sem vitórias, pode acelerar cobranças sobre o trabalho de Rogério Ceni e abrir espaço para debates sobre mudanças na comissão técnica.

No Coritiba, o horizonte imediato é desafiador, mas menos tenso. A equipe visita o Flamengo no fim de semana, no Maracanã, em duelo direto com um dos elencos mais fortes do país. O resultado contra o Bahia oferece combustível emocional e confiança para encarar o confronto sem complexo de inferioridade. A meta é clara: sustentar o bom momento e chegar à parada do Mundial consolidado na parte de cima da tabela.

A noite no Couto Pereira deixa, para os dois lados, mais do que três pontos em disputa. O Coritiba ganha um roteiro de virada para se apoiar nas próximas rodadas. O Bahia sai com o alerta máximo ligado, uma lesão preocupante no gol e uma pergunta que deve atravessar a semana em Salvador: até quando o time consegue conviver com a crise de resultados sem que algo mais profundo mude no clube?

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