Ciclone se forma no litoral de SC e derruba temperaturas neste domingo
A formação de um ciclone perto do litoral de Santa Catarina altera o tempo neste domingo, 24 de maio de 2026, com queda brusca de temperatura e temporais isolados. A mudança encerra um período de dias mais estáveis e acende o alerta para ventos fortes, chuva intensa e risco de transtornos em diferentes regiões do estado.
Virada brusca após dias de tempo firme
O centro do sistema se organiza em alto-mar, próximo à costa catarinense, e muda a circulação de ventos sobre o Sul do Brasil. As rajadas ganham força ao longo do dia, principalmente entre a Grande Florianópolis, o Litoral Norte e o Vale do Itajaí, com velocidades que podem superar 70 km/h em pontos expostos. No Oeste e no Meio-Oeste, a chegada do ar mais frio faz os termômetros despencarem em poucas horas.
Na prática, a sensação é de duas estações em menos de 24 horas. Cidades que registram máximas perto dos 26 °C no sábado passam a ter marcas abaixo de 15 °C à tarde e à noite de domingo. Em áreas de serra, como São Joaquim e Bom Jardim da Serra, a previsão aponta mínimas entre 4 °C e 6 °C, com sensação térmica ainda menor por causa do vento encanado nos vales.
A mudança ocorre depois de uma sequência de cerca de dez dias com predomínio de sol, variação de nuvens e chuva concentrada em pancadas rápidas. O padrão mais estável favorece atividades ao ar livre, colheita no campo e turismo, sobretudo no litoral. O avanço do ciclone rompe essa janela de tranquilidade e devolve ao estado um cenário típico de outono rigoroso, com amplitude térmica reduzida e nebulosidade persistente.
Meteorologistas ressaltam que o sistema não é um furacão, nem um fenômeno raro, mas exige atenção pelo potencial de vento e chuva intensa em curtos períodos. A combinação entre ar frio em altitude e umidade vinda do oceano cria nuvens carregadas, capazes de provocar temporais isolados com descargas elétricas e eventual queda de granizo. Em algumas cidades, o acumulado de chuva pode se aproximar de 50 milímetros em poucas horas, volume suficiente para alagamentos pontuais em áreas com drenagem deficiente.
Impacto direto no cotidiano e na infraestrutura
O efeito mais imediato da passagem do ciclone recai sobre a rotina da população. A Defesa Civil orienta moradores de áreas de risco a acompanharem os avisos oficiais ao longo do dia e a evitarem deslocamentos desnecessários durante os períodos de chuva mais intensa. A recomendação vale sobretudo para regiões com histórico de enxurradas rápidas, como encostas urbanizadas e margens de rios e ribeirões que cortam bairros periféricos.
O trânsito também sente a mudança de cenário. Rajadas acima de 60 km/h aumentam o risco de queda de galhos e árvores sobre vias urbanas e rodovias estaduais e federais que cortam Santa Catarina. Em Florianópolis, a atenção se volta às pontes que ligam a Ilha ao continente, onde ventos fortes costumam afetar motociclistas e veículos de grande porte. Motoristas são orientados a reduzir a velocidade e manter distância de caminhões e ônibus em trechos mais expostos.
O setor elétrico entra em estado de prontidão. Linhas de distribuição próximas a áreas de mata sofrem com o impacto de troncos e galhos arremessados pelo vento. Em episódios semelhantes, como o ciclone de junho de 2020, mais de 1,5 milhão de consumidores chegaram a ficar sem luz no Sul do país, boa parte em Santa Catarina. As concessionárias reforçam equipes de campo para tentar reduzir o tempo médio de restabelecimento em eventuais interrupções.
No campo, a mudança brusca de temperatura preocupa produtores de hortaliças, frutas sensíveis e culturas em fase de florescimento. A queda dos termômetros em poucos graus por hora pode comprometer plantas mais vulneráveis a frio e vento, especialmente em pequenas propriedades da serra e do Planalto Norte. Agricultores recorrem a coberturas plásticas, irrigação noturna e outras técnicas de mitigação para reduzir perdas. A Epagri recomenda atenção redobrada para cultivos de tomate, feijão e folhosas, mais suscetíveis ao estresse térmico e ao encharcamento do solo.
O turismo costeiro também sente o impacto. Com previsão de mar agitado e ressaca moderada, escolas de surfe, operadoras de passeios de barco e atividades náuticas ajustam agendas e cancelam saídas em horários de maior instabilidade. A Capitania dos Portos costuma recomendar que embarcações de pequeno porte permaneçam abrigadas quando a altura das ondas se aproxima de 3 metros, cenário que pode se repetir em trechos do litoral catarinense nas próximas 24 a 48 horas.
Monitoramento, alerta e próximos dias
Órgãos de meteorologia e defesa seguem monitorando o deslocamento do ciclone ao longo do domingo. A tendência é que o sistema se afaste aos poucos da costa entre a noite de hoje e a segunda-feira, mantendo ainda alguma influência sobre o mar e a faixa litorânea. O pico de instabilidade em terra ocorre entre a tarde e o início da noite, com janelas de tempo firme intercaladas por pancadas fortes.
Com o avanço do ar frio, Santa Catarina deve iniciar a semana com madrugadas mais geladas e tardes amenas. Em algumas cidades do Oeste, as mínimas podem ficar próximas de 7 °C já na segunda-feira, enquanto na serra os termômetros flertam com marcas próximas de 2 °C em pontos de maior altitude. A tendência é de um período de três a cinco dias com temperaturas abaixo da média recente, antes de uma nova elevação gradual.
A Defesa Civil reforça orientações básicas: revisar calhas e telhados, retirar objetos soltos de varandas e pátios, evitar abrigo sob árvores durante rajadas mais fortes e não enfrentar áreas alagadas a pé ou de carro. A experiência de episódios recentes mostra que medidas simples ajudam a reduzir danos materiais e riscos à integridade física.
O comportamento do ciclone nas próximas horas também serve de termômetro para o restante do outono em Santa Catarina. A sucessão de frentes frias mais intensas e sistemas de baixa pressão próximos à costa indica uma estação marcada por contrastes, com alternância rápida entre calor e frio, tempo firme e chuva volumosa. A pergunta que fica, para especialistas e moradores, é se o estado está pronto para responder com rapidez a cada nova virada brusca de tempo que se desenha no horizonte.
