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Ataque russo com mísseis atinge Kiev e eleva temor de ofensiva massiva

Um ataque russo com mísseis atinge Kiev na manhã desta segunda-feira (1º) e provoca incêndios em um prédio residencial e em veículos no distrito de Obolon. Ao menos uma pessoa morre e cerca de 20 ficam feridas, entre elas moradores de áreas próximas a um jardim de infância.

Incêndios em Obolon e clima de sirenes constantes

Explosões interrompem a rotina de uma capital que vive sob sirenes quase diárias desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Em Obolon, região de bairros residenciais ao norte do centro, destroços de mísseis caem sobre um edifício de nove andares, atingem carros estacionados e espalham fogo por áreas abertas.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, descreve o cenário em mensagem no Telegram logo após o ataque. “No distrito de Obolon, carros estão queimando depois de serem atingidos por destroços de mísseis que caíram. Também há incêndios em dois locais em áreas abertas, incluindo um próximo a um jardim de infância”, afirma. Segundo as autoridades locais, bombeiros levam mais de uma hora para controlar as chamas no prédio e nos veículos.

Retaliação russa e escalada na linha de frente

Moscou apresenta o ataque como resposta direta a um bombardeio com drone em Luhansk, cidade sob controle russo no leste da Ucrânia, que deixa 21 mortos na semana anterior. O governo russo acusa Kiev de atingir um dormitório estudantil e promete “ataques sistemáticos” contra alvos militares e centros de decisão na capital ucraniana. A Ucrânia nega responsabilidade pelo episódio em Luhansk e fala em manipulação russa para justificar nova escalada.

O presidente Volodymyr Zelensky entra em rede nacional de vídeo ainda pela manhã para reforçar o alerta à população. “Os avisos da inteligência sobre os ataques russos continuam em vigor. Um ataque maciço é possível, eles prepararam um”, diz. O líder ucraniano insiste que a defesa aérea opera no limite. “Nossos defensores estão prontos 24 horas por dia, 7 dias por semana, na medida do possível, com os suprimentos atualmente disponíveis.”

O ataque desta segunda-feira se insere em um movimento de aumento da pressão militar russa, inclusive contra a infraestrutura energética e logística ucraniana. Há semanas, generais em Kiev falam em um “ponto de virada” na guerra, com linhas de frente mais estáticas e maior dependência de ataques à distância, por mísseis e drones, para tentar desgastar o adversário e atingir a capacidade de comando e controle.

Impacto direto sobre civis e pressão internacional

As imagens que circulam nas redes sociais mostram janelas estilhaçadas, fachadas chamuscadas e moradores deixando o prédio às pressas, com crianças no colo e animais de estimação nos braços. O fogo próximo ao jardim de infância realimenta o temor de famílias que já convivem há mais de dois anos com abrigos improvisados e aulas interrompidas. A destruição de veículos, muitos usados para deslocamento ao trabalho, aprofunda a sensação de vulnerabilidade em uma região até então considerada relativamente mais segura da cidade.

Hospitais de Kiev recebem pelo menos 20 feridos, a maioria com cortes por estilhaços e queimaduras. Profissionais de saúde relatam um padrão conhecido: novos picos de atendimento logo após grandes ataques, seguidos por um aumento de casos de ansiedade e distúrbios do sono. Organismos internacionais de direitos humanos voltam a destacar que mísseis em áreas civis violam o princípio de distinção, previsto nas Convenções de Genebra, que exige separar alvos militares de civis.

O ataque reacende a pressão externa por algum tipo de contenção. Países aliados, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, discutem o envio de novos sistemas de defesa aérea, como o reforço de baterias Patriot e de mísseis de médio alcance. Zelensky insiste que cada atraso em entregas de armamentos se traduz em mais vítimas civis e mais danos à infraestrutura urbana, de energia e de transporte.

Próximos passos na guerra e incertezas em Kiev

O Kremlin afirma que continuará atingindo o que chama de “alvos militares legítimos” em Kiev, inclusive centros de comando e prédios ligados às forças de segurança. Na prática, a distinção entre estruturas militares e civis se torna cada vez mais difusa em uma capital que concentra ministérios, quartéis, empresas de tecnologia e centros de comunicação. O alerta feito na semana passada para que estrangeiros deixassem a Ucrânia adiciona uma camada de tensão diplomática e ameaça afastar ainda mais investimentos e missões internacionais do país.

O governo ucraniano responde reforçando pedidos por sanções adicionais e por maior isolamento político da Rússia em fóruns multilaterais. Generais em Kiev falam em usar o momento para acelerar reformas internas nas Forças Armadas e tornar o país menos dependente de apoio externo, embora reconheçam que isso não ocorre no curto prazo. Enquanto diplomatas buscam brechas para retomar discussões sobre cessar-fogo, a realidade em Obolon expõe o custo diário da guerra: moradores que voltam aos escombros para avaliar danos, crianças que se acostumam a correr para abrigos ao som das sirenes e uma cidade inteira que tenta seguir em frente sob a ameaça constante de um ataque ainda maior.

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