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Corpo de Dheorge Bernardino é encontrado após sete dias de buscas em Ilhabela

O corpo de Dheorge Pereira Bernardino é encontrado neste sábado (1º), após sete dias de buscas em alto-mar, nas proximidades da Praia do Pedro Arnaldo, em Ilhabela (SP). A localização encerra uma operação intensa que mobiliza Marinha, Força Aérea, Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Militar e agora abre espaço para a investigação das causas da morte, tratada como suspeita pela polícia paulista.

Operação de nove dias no litoral norte

A confirmação da morte vem da Marinha do Brasil e da irmã de Dheorge, Lorrane Pereira, nas redes sociais. O jovem desaparece em 24 de maio, durante um passeio de jet ski com amigos, e passa sete dias sem ser encontrado, até que uma embarcação da Defesa Civil e do Grupamento de Bombeiros Marítimos localiza o corpo perto da Praia do Pedro Arnaldo, em Ilhabela, neste 1º de junho.

A operação de busca e salvamento, iniciada ainda no dia do desaparecimento, soma nove dias de trabalho contínuo no litoral norte paulista. A Marinha coordena a ação, que envolve embarcações e helicóptero próprios, além de uma aeronave P-95 da Força Aérea Brasileira. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e o helicóptero Águia da Polícia Militar de São Paulo se somam ao esforço conjunto.

As buscas ficam mais precisas a partir da tarde de 25 de maio, quando equipes localizam parte do jet ski em que Dheorge está, já afundando, entre Ilhabela e a região de mar aberto. Nos dias seguintes, agentes encontram um colete salva-vidas boiando. O GBMar confirma, em 28 de maio, que o equipamento pertence a Dheorge, o que ajuda a delimitar a área de varredura.

A Marinha destaca, em nota oficial, o caráter integrado e ininterrupto da operação. “As ações ocorreram durante nove dias consecutivos, demonstrando o elevado grau de coordenação entre as instituições envolvidas e o compromisso permanente com a salvaguarda da vida humana no mar”, afirma o comunicado.

Da confraternização ao desaparecimento em alto-mar

O passeio que termina em tragédia começa em clima de confraternização. No domingo, 24 de maio, por volta das 16h, Dheorge e a amiga Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, deixam a praia em uma moto aquática. Eles não avisam o destino exato ao grupo de amigos que permanece em terra.

Pouco antes de desaparecer, Dheorge publica um vídeo nas redes sociais pilotando o jet ski. A correnteza forte, segundo relato posterior de Bruna, arrasta a dupla para o mar aberto, a uma distância estimada entre 18 e 22 quilômetros do ponto de partida. A moto aquática começa a afundar, e os dois tentam se manter na superfície com apoio dos coletes.

Bruna permanece à deriva por cerca de 42 horas, debilitada e em quadro de hipotermia, até ser resgatada em 26 de maio, entre a Ilha de Búzios e a Ilha do Tamanduá. Em comunicado nas redes sociais, a jovem descreve as últimas horas ao lado do amigo e a angústia no mar. “Ficamos juntos em todo momento até terça-feira (26) de madrugada. Meu colega não tirou o colete e eu não vi ele afundando”, relata.

A sobrevivente explica o silêncio nos dias seguintes ao resgate. Diz que precisa se recuperar fisicamente e emocionalmente antes de rever o episódio. “Ainda não tive a oportunidade de conversar com a família do meu colega, pois eu estava/estou me recuperando e não tinha cabeça para voltar toda a situação que aconteceu”, desabafa. Segundo ela, todas as informações já são repassadas às autoridades policiais.

Enquanto Bruna se recupera, a irmã de Dheorge transforma o próprio perfil em um ponto de mobilização. Lorrane pede ajuda de seguidores, compartilha mapas, reforça pedidos para que embarcações privadas fiquem atentas a qualquer vestígio. No dia em que o corpo é encontrado, ela publica uma mensagem de despedida. “Não terminou da maneira que a gente queria, que era ele bem, era ele vivo, mas Deus deu a oportunidade da gente se despedir dele. Vamos trazer ele pra casa, a gente vai se despedir e é isso. Obrigada, muito, muito obrigada”, escreve.

Segurança no mar, investigação e lições do caso

A morte de Dheorge reacende o alerta para a segurança em atividades recreativas no mar, especialmente em regiões com correnteza forte e mudança rápida de tempo. O caso expõe como um passeio aparentemente simples, em uma tarde de domingo, pode se transformar em uma situação de risco extremo em poucas horas, quando não há planejamento claro de rota, acompanhamento constante e equipamentos em condições ideais.

A Delegacia da Capitania dos Portos em São Sebastião abre um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação. O procedimento apura causas, circunstâncias e eventuais responsabilidades pelo acidente, incluindo condições da moto aquática, uso correto de colete, comunicação de saída e fatores ambientais naquele fim de semana. Em paralelo, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo trata a ocorrência como morte suspeita e conduz investigação na Delegacia de Ilhabela.

A prefeitura da cidade também se manifesta. Em nota, o município afirma: “A Prefeitura de Ilhabela manifesta solidariedade aos familiares e amigos neste momento de profunda tristeza e agradece o empenho e a dedicação de todas as equipes que participaram das buscas”. A Marinha, em seu comunicado, diz prestar “sinceras condolências pela irreparável perda”.

As buscas por Dheorge, que se estendem por nove dias, reforçam a importância de estrutura pública de resgate, com aeronaves, embarcações preparadas e equipes treinadas para longos períodos de operação. Mostram, também, o valor da coordenação entre diferentes esferas de governo em emergências no mar, em um litoral que concentra forte fluxo turístico e atividades náuticas durante todo o ano.

Próximos passos e o que permanece em aberto

Os próximos dias se concentram em duas frentes: o apoio à família, que organiza o traslado e o sepultamento de Dheorge, e o avanço das investigações. O inquérito da Marinha e o procedimento da Polícia Civil devem indicar se houve falha de equipamento, imprudência na navegação, omissão de dever de cuidado ou combinação de fatores ambientais imprevisíveis.

Os laudos técnicos, que costumam levar semanas, têm potencial para orientar regras mais rígidas de fiscalização de motos aquáticas, exigência de comunicação prévia de rotas e campanhas de conscientização para turistas e moradores. A pergunta que ecoa em Ilhabela e entre usuários de embarcações recreativas é se o que acontece com Dheorge poderia ter sido evitado — e que mudanças concretas serão adotadas para impedir que outro passeio de fim de tarde termine com nove dias de buscas e uma família em luto.

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