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Alcolumbre prevê votação da PEC do fim da escala 6×1 só após recesso de 2026

O presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP), decide adotar um rito mais demorado para a PEC que extingue a escala 6×1 no trabalho parlamentar. A votação em plenário, admite, não deve ocorrer antes do recesso do Congresso em julho de 2026.

Senado puxa freio e afasta decisão imediata

Alcolumbre informa a líderes partidários que a proposta de emenda constitucional precisa passar por comissões temáticas antes de chegar ao plenário. O anúncio, feito em Brasília, muda a expectativa de senadores que contavam com uma deliberação ainda no 1º semestre de 2026 e empurra qualquer definição para depois do recesso de meio de ano.

O presidente do Senado aponta resistência de parlamentares à tramitação acelerada. Senadores cobram análise detalhada em colegiados específicos, com audiências públicas e parecer técnico, antes de mexer na rotina de trabalho do Congresso. A escala 6×1, hoje, significa seis dias seguidos de atividades formais e informais em Brasília para um dia de descanso, modelo que se consolidou nas últimas décadas com o avanço das votações remotas e de sessões extras à noite.

Debate se concentra em rotina, custos e imagem pública

O comando do Senado usa um argumento central para justificar o freio. Uma mudança constitucional na dinâmica de trabalho dos parlamentares, mesmo focada na escala semanal, tem impacto direto em organização de comissões, sessões de votação, viagens oficiais e relacionamento com as bases eleitorais nos Estados. “Essa proposta precisa passar por um exame mais profundo. Não vamos decidir algo dessa dimensão em poucas semanas”, afirma Alcolumbre, segundo relatos de participantes da reunião.

A decisão de prolongar o rito indica que a extinção da escala 6×1 não acontece em curto prazo. Até julho de 2026, o Congresso terá pelo menos 18 meses de sessões, recessos e negociações internas sob o modelo atual. Líderes que defendem o fim da escala alegam desgaste físico e mental, aumento de licenças médicas e baixa produtividade em maratonas de votação. Aliados de Alcolumbre respondem que não há consenso sobre esses efeitos e pedem dados consolidados, com séries históricas de presença, produtividade legislativa e custos adicionais de operação.

Tramitação em comissões alonga calendário político

O caminho definido pelo presidente do Senado prevê que a PEC seja distribuída primeiro à Comissão de Constituição e Justiça, responsável pelo exame de legalidade e compatibilidade com a Constituição. O texto deve seguir depois para colegiados ligados a trabalho, administração pública e orçamento, em um circuito que pode ocupar boa parte de 2025. Cada comissão precisa indicar um relator, elaborar parecer, abrir prazo para emendas e votar o relatório em maioria simples, antes de liberar a proposta para o plenário.

A tramitação mais longa cede espaço à mobilização de grupos de interesse. Associações de servidores do Legislativo e consultores técnicos já começam a preparar notas com simulações de impacto administrativo. Deputados favoráveis à aprovação rápida da PEC demonstram incômodo com o novo calendário e avaliam levar o tema a reuniões conjuntas com o presidente da Câmara. Parlamentares contrários à mudança veem na decisão de Alcolumbre uma oportunidade para enterrar a proposta de forma gradual, sem um enfrentamento imediato em plenário.

Impacto sobre a rotina do Congresso e a disputa política

O efeito prático da decisão é manter, por pelo menos mais um ano e meio, a dinâmica atual de trabalho em Brasília. Sessões deliberativas devem continuar concentradas em três ou quatro dias úteis por semana, com votações simbólicas e nominais estendidas até a noite, além de reuniões de comissões pela manhã e pela tarde. A agenda de segundas a sábados, que na prática se dilui pela alternância entre atividades formais e articulação política nos bastidores, segue como referência até que o Senado decida se altera ou não a regra.

Especialistas em processo legislativo destacam que a opção por um rito mais cuidadoso pode se repetir em outras propostas que mexem na organização interna do Parlamento. A leitura entre senadores é que uma decisão apressada sobre a escala 6×1 abriria precedente para mudanças relâmpago em temas sensíveis, como estrutura de comissões, número de sessões obrigatórias por semana e regras de presença. “A mensagem é de cautela. Se a Casa vai mexer em seu próprio funcionamento, precisa fazer isso de forma transparente, com debate público”, avalia um consultor ouvido pela reportagem.

Recesso de 2026 vira marco e aumenta pressão externa

O calendário político também pesa. Em 2026, o país realiza eleições gerais em outubro para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. A proximidade da disputa tende a reduzir o apetite do Congresso por votações que toquem diretamente na rotina dos parlamentares, sobretudo em um tema que afeta viagens aos Estados e tempo de campanha. A perspectiva de votação apenas após o recesso de julho empurra a decisão para um período em que a agenda eleitoral já domina corredores e gabinetes.

O recuo na pressa, porém, não encerra o debate. Entidades da sociedade civil e analistas de transparência legislativa monitoram o andamento da PEC e prometem cobrar publicidade dos pareceres, cronograma de audiências e posição de cada senador. A pressão da opinião pública deve crescer à medida que se aproximam as datas-limite do calendário eleitoral. No fim, o que hoje é apresentado como uma escolha técnica de rito pode se transformar, nos próximos meses, em mais um teste da disposição do Senado de conciliar agilidade política com qualidade na análise de mudanças constitucionais que atingem o próprio funcionamento do Congresso.

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