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Advogado de Jairinho sofre infarto, e júri do caso Henry segue no Rio

O advogado Rodrigo Faucz sofre um infarto pouco antes do início do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Jairinho, nesta segunda-feira (25), no II Tribunal do Júri do Rio. Mesmo com o susto, a sessão sobre a morte do menino Henry Borel, em 2021, segue com os sete jurados sob a presidência da juíza Elizabeth Machado Louro.

Júri avança sob tensão e forte carga emocional

O clima no tribunal muda em minutos. Antes das 9h, a notícia de que Faucz passa mal nos bastidores corre entre advogados, promotores e familiares. Minutos depois, a confirmação de um infarto coloca em xeque a continuidade do julgamento mais aguardado do ano no fórum do Rio.

O episódio ocorre às vésperas da fase decisiva do caso que investiga a morte de Henry, então com 4 anos, em março de 2021. Jairinho e a mãe do menino, Monique Medeiros, respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual. O Ministério Público afirma que o menino vive uma rotina de agressões dentro do apartamento na Barra da Tijuca e pede penas que podem superar 50 anos de prisão.

A despeito da gravidade do quadro clínico do advogado, a defesa de Jairinho informa que o julgamento será mantido, com ajustes internos na equipe. Faucz, conhecido por atuar em casos de grande repercussão, vinha liderando a estratégia que tenta descredibilizar parte da prova pericial. A ausência repentina adiciona um elemento de incerteza num processo que já chega marcado por adiamentos, reviravoltas e forte pressão da opinião pública.

O plenário está lotado. De um lado, integrantes do Ministério Público dividem a bancada com o pai de Henry, o engenheiro Leniel Borel, que acompanha cada movimento do processo há mais de três anos. Do outro, advogados de defesa se revezam em conversas rápidas, reorganizando papéis e estratégias para suprir a falta de Faucz na primeira fila.

Defesa contesta laudos, acusação fala em rotina de agressões

O julgamento de hoje marca uma virada em relação à sessão anterior, em março, quando a defesa abandona o plenário e força o adiamento do júri. A manobra abre uma crise e acentua o desgaste com a juíza Elizabeth Machado Louro, responsável por conduzir um processo que se torna símbolo do debate sobre violência doméstica e proteção infantil.

Os advogados de Jairinho sustentam que há contradições nos laudos periciais sobre as causas da morte de Henry. Segundo a defesa, um dos documentos sofre alterações cerca de 40 dias após o fato, o que levantaria dúvida sobre a cadeia de custódia das provas. A estratégia é insistir na tese de erro médico ou morte acidental e sugerir que a versão oficial se molda sob pressão social.

Procuradores e assistentes de acusação, entre eles o próprio Leniel, contrapõem com um conjunto de mensagens recuperadas de celulares, depoimentos de testemunhas e relatórios técnicos. Para o Ministério Público, o material reconstrói uma sequência de episódios de violência e mostra que o menino apresenta sinais de medo e sofrimento antes da noite em que é levado sem vida a um hospital da Barra.

A juíza Elizabeth Machado Louro reforça, ao longo da sessão, que o papel dos sete jurados é decidir por maioria simples se os réus são culpados ou inocentes. O Tribunal do Júri, explica a magistrada, é o espaço onde cidadãos comuns assumem a responsabilidade de julgar crimes contra a vida, um mecanismo previsto na Constituição e que confere caráter exemplar ao julgamento.

Enquanto a acusação tenta amarrar um enredo de violência contínua e ocultação de provas, a defesa volta a mirar na credibilidade de documentos, na cronologia dos fatos e nas motivações de personagens laterais do caso. O embate jurídico se mistura à comoção do público, que acompanha cada detalhe desde a prisão dos réus, em 2021.

Repercussão pública e próximos passos do julgamento

O caso Henry já ultrapassa os limites do tribunal. Organizações ligadas à defesa da infância acompanham o processo e cobram respostas rápidas do sistema de Justiça. Parlamentares citam o caso em debates sobre endurecimento de penas para violência doméstica e sobre a responsabilização de agentes públicos que falham em proteger crianças em situação de risco.

O desfecho do júri pode influenciar propostas de alteração em leis de proteção infantil, protocolos de atendimento em conselhos tutelares e a forma como escolas e serviços de saúde lidam com sinais de agressão. A morte de uma criança de 4 anos, em um apartamento de classe média alta, expõe rachaduras que vão além das relações familiares e alcançam a rede de proteção prevista em lei desde o Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor há mais de 30 anos.

No campo jurídico, a condução do julgamento tende a virar referência para outros casos de grande exposição midiática. A decisão de manter o júri mesmo após o infarto de um dos principais advogados de defesa levanta debate entre criminalistas sobre o equilíbrio entre o direito de defesa plena e a necessidade de evitar novos atrasos em ações que se arrastam há anos.

A sessão desta segunda-feira é apenas o início de uma maratona que pode se estender por vários dias, com interrogações, oitivas de testemunhas e longas sustentações orais. No fim, os sete jurados serão levados à sala secreta para votar, em cédulas, pela condenação ou absolvição de Jairinho e Monique.

Até lá, a imagem de um advogado de defesa caindo doente às portas do julgamento mais importante de sua carreira permanece como síntese da tensão que cerca o caso. A resposta que os jurados derem à morte de Henry indicará não apenas a responsabilidade penal dos réus, mas o quanto a sociedade brasileira está disposta a enfrentar, de fato, a violência contra crianças dentro de casa.

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