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Inflação coloca Trump sob pressão e aumenta pessimismo dos eleitores nos EUA

Às vésperas das eleições legislativas, custo de vida preocupa americanos, apesar do desemprego baixo e do crescimento econômico; resultado pode afetar o controle do Congresso.

Inflação coloca Trump sob pressão e aumenta pessimismo dos eleitores nos EUA

A inflação e o aumento do custo de vida colocaram a economia no centro das preocupações dos eleitores dos Estados Unidos às vésperas das eleições legislativas desta terça-feira (3). Mesmo com desemprego historicamente baixo e crescimento econômico, muitos americanos demonstram pessimismo em relação à situação financeira do país e responsabilizam políticas do presidente Donald Trump pela alta persistente dos preços.

A votação definirá se o Partido Republicano conseguirá manter o controle do Congresso. Embora Trump não seja candidato, a avaliação de seu governo influencia o debate eleitoral, especialmente entre os eleitores preocupados com alimentação, combustível, moradia e contas domésticas.

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Inflação e custo de vida dominam preocupação dos eleitores americanos

Pesquisas de confiança do consumidor mostram que o sentimento da população se deteriorou desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em janeiro de 2025. O cenário apresenta diferenças entre os indicadores: enquanto o Conference Board registrou melhora em outubro, o índice da Universidade de Michigan chegou a um patamar próximo de sua mínima histórica.

Parte dos americanos atribui a inflação persistente às tarifas comerciais adotadas pelo governo e aos impactos econômicos da guerra com o Irã. Os preços continuam pressionando o orçamento das famílias, mesmo depois de terem desacelerado em comparação com os níveis registrados alguns anos atrás.

O descontentamento aparece principalmente nas despesas cotidianas. Abastecer o carro, pagar contas de serviços públicos, comprar alimentos e contratar serviços representam custos que continuam pesando no bolso dos consumidores.

Desemprego baixo não elimina insatisfação econômica

Apesar do pessimismo, os indicadores do mercado de trabalho apresentam aspectos positivos. A taxa de desemprego dos Estados Unidos ficou em 4,2% em setembro e não ultrapassou 4,5% durante cinco anos consecutivos, período considerado o mais longo já registrado.

Os pedidos semanais de auxílio-desemprego também estão próximos do menor patamar em 57 anos. Ao mesmo tempo, as empresas não estão promovendo demissões em massa, embora o ritmo de contratações tenha perdido força e os recém-formados enfrentem dificuldades para encontrar trabalho.

O quadro demonstra uma diferença entre os indicadores gerais da economia e a percepção individual dos consumidores. Mesmo com um mercado de trabalho relativamente estável, a população continua preocupada com o poder de compra.

Economia americana cresce, mas ganhos não chegam igualmente às famílias

Outro indicador positivo está no crescimento econômico. Dados divulgados na semana anterior apontaram que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos avançou a uma taxa anualizada de 3,4% no último trimestre, o melhor resultado do ano até então.

O mercado de ações também registrou dezenas de recordes ao longo de 2026. Parte desse desempenho está relacionada ao crescimento dos investimentos em inteligência artificial, que impulsionaram empresas e contribuíram para a valorização de ativos financeiros.

Entretanto, os ganhos estão distribuídos de maneira desigual. Famílias de renda mais alta possuem uma parcela maior dos investimentos em ações e, por isso, se beneficiam mais diretamente da valorização dos mercados.

Esse movimento ajuda a sustentar o consumo, mas não significa que todos os americanos estejam sentindo melhora nas condições financeiras.

Salários e preços avançaram no mesmo ritmo

Desde janeiro de 2025, os preços ao consumidor e a remuneração média por hora aumentaram aproximadamente 5,5%, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos.

Na prática, isso significa que o poder de compra dos trabalhadores permaneceu praticamente estável em relação ao início do segundo mandato de Trump. Embora os salários tenham acompanhado a inflação no período, não houve avanço significativo na capacidade de consumo.

O resultado ajuda a explicar por que indicadores econômicos positivos não se traduzem necessariamente em uma percepção de melhora na vida cotidiana.

Juros e financiamento imobiliário aumentam pressão sobre os americanos

As condições de crédito também representam um desafio. Os juros de longo prazo subiram, enquanto as taxas de financiamento imobiliário de 30 anos ultrapassaram 7%.

Somada à baixa oferta de moradias e à valorização dos imóveis, essa situação tornou a compra da casa própria inacessível para uma parcela maior da população.

O Federal Reserve, banco central americano, mantém a inflação sob atenção e elevou a taxa básica de juros em setembro. A expectativa apresentada na reportagem é de um novo aumento em dezembro, medida que pode encarecer ainda mais os empréstimos.

Eleição de 3 de novembro pode mudar o controle do Congresso

As eleições legislativas de 3 de novembro vão definir a composição do Congresso americano e podem alterar o equilíbrio de forças entre republicanos e democratas.

O desempenho econômico do governo Trump tornou-se um dos principais assuntos da disputa. Mesmo sem concorrer diretamente, o presidente está presente no debate eleitoral, já que os eleitores avaliam as decisões de sua administração.

O resultado será um importante indicador da aprovação popular ao governo, especialmente em relação à inflação, ao custo de vida e às condições econômicas das famílias.

O cenário mostra uma contradição: os Estados Unidos apresentam crescimento econômico e desemprego baixo, mas parte significativa da população continua insatisfeita com o custo de vida. Essa percepção pode ter peso decisivo na escolha dos representantes que controlarão o Congresso.

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