Vereador Senival Moura volta a ser preso em SP por suspeita de ligação com o PCC
Vereador Senival Moura volta a ser preso em SP por suspeita de ligação com o PCC

O vereador de São Paulo Senival Moura, que pediu afastamento do PT, foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28), durante uma ação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O parlamentar é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria utilizado uma empresa de transporte coletivo da capital paulista.
A nova prisão foi determinada pela 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, após pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Senival já havia sido detido em junho, mas deixou a prisão em agosto, depois que a Justiça considerou irregular a prorrogação de sua prisão temporária.
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Além do vereador, outras seis pessoas tiveram a prisão decretada. A investigação envolve a empresa de ônibus Transunião e apura a suspeita de utilização de atividades empresariais para movimentar e ocultar recursos de origem criminosa.
TJSP manda soltar vereador preso por suspeita de ligação com o PCC após considerar prisão ilegal
Por que Senival Moura foi preso novamente?
A nova ordem judicial foi assinada pelo juiz Antonio Carlos Martins, responsável pela 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores.
Ao analisar o pedido do Ministério Público, o magistrado considerou que estavam presentes os requisitos legais para a decretação da prisão preventiva.
Entre os fundamentos apresentados estão os indícios de autoria, o avanço da ação penal e os elementos reunidos durante as investigações sobre o funcionamento da Transunião.
Segundo a decisão, Senival teria exercido influência sobre a gestão financeira e sobre decisões relacionadas às atividades da empresa, apesar de não ocupar formalmente um cargo correspondente em sua administração.
O magistrado também apontou riscos associados à permanência do parlamentar em liberdade.
A prisão preventiva é uma medida cautelar aplicada durante a investigação ou o processo criminal. Sua decretação não representa uma condenação.
Outros seis investigados também tiveram prisões decretadas
A decisão judicial também determinou a prisão de outras seis pessoas investigadas no mesmo caso.
São elas:
- Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão;
- Lourival de França Monário;
- Leonel Moreira Martins;
- Devanil Sousa Nascimento;
- Osiel Bernardino Pinto;
- Fábio Fernandes de Souza.
Os investigados são apontados como possíveis integrantes de um esquema de movimentação financeira relacionado à organização criminosa.
A Polícia Civil e o Ministério Público apuram a participação individual de cada suspeito nas atividades investigadas.
A decretação das prisões não significa que todos os envolvidos tenham sido condenados ou que as acusações já tenham sido comprovadas definitivamente.
Investigação envolve empresa de ônibus da capital paulista
O caso está relacionado à Transunião, empresa que atua no transporte coletivo da cidade de São Paulo.
De acordo com o Ministério Público, a estrutura empresarial teria sido utilizada para movimentar recursos associados ao PCC.
A investigação procura identificar a origem do dinheiro, as operações financeiras realizadas e a eventual participação de pessoas ligadas à administração da companhia.
Os investigadores também apuram se atividades formalmente legais teriam sido utilizadas para ocultar valores provenientes de crimes.
Segundo a acusação, Senival Moura teria exercido um papel relevante nas decisões financeiras relacionadas à empresa.
Essa é uma hipótese apresentada pelas autoridades responsáveis pela investigação e contestada pela defesa do parlamentar.
Vereador havia sido solto em agosto após decisão judicial
Senival Moura foi preso pela primeira vez em 25 de junho de 2026, durante uma operação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
Na ocasião, a Justiça havia autorizado sua prisão temporária como parte das medidas de investigação sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro.
No início de agosto, a desembargadora Carla Rahal, da 11ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou sua soltura.
A magistrada considerou que o prazo legal da prisão temporária havia sido ultrapassado, tornando irregular a manutenção da custódia.
A decisão anterior não representou o encerramento das investigações nem uma absolvição do vereador.
Com o avanço do processo, o Ministério Público apresentou novo pedido de prisão, desta vez analisado sob os requisitos da prisão preventiva.
Ministério Público denunciou Senival e outros 20 investigados
No início de outubro, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra Senival Moura e outras 20 pessoas por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro relacionada ao PCC.
A acusação se baseia em elementos reunidos durante a investigação sobre empresas de ônibus e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
O recebimento da denúncia pela Justiça permite o andamento da ação penal, na qual os acusados têm direito de apresentar defesa, contestar provas e solicitar diligências.
Na nova decisão sobre a prisão, o juiz considerou o estágio do processo e os indícios apresentados pelo Ministério Público.
A responsabilidade criminal de cada acusado ainda depende da análise judicial das provas e do desenvolvimento da ação penal.
Senival Moura pediu afastamento do PT após primeira prisão
Senival Moura exercia mandato de vereador na Câmara Municipal de São Paulo quando foi preso pela primeira vez, em junho.
Após a operação, o parlamentar solicitou afastamento do Partido dos Trabalhadores.
Na época, a direção municipal do PT informou que acompanharia o andamento das investigações e que o caso seria encaminhado às instâncias partidárias competentes.
A legenda também declarou que eventuais medidas disciplinares deveriam respeitar o direito de defesa e os procedimentos previstos em seu estatuto.
O afastamento partidário e as medidas judiciais são procedimentos distintos, com consequências e regras próprias.
O que diz a defesa do vereador?
Em manifestações anteriores, a defesa de Senival Moura negou que o parlamentar tivesse participação em atividades criminosas ou vínculos com o PCC.
Os advogados também argumentaram que o vereador havia permanecido à disposição das autoridades durante as investigações e contestaram os fundamentos utilizados para justificar sua primeira prisão.
Na ocasião de sua soltura, a defesa afirmou confiar na demonstração da origem lícita do patrimônio e das movimentações financeiras investigadas.
Até a atualização consultada nesta quarta-feira (28), não havia sido divulgada uma nova manifestação da defesa especificamente sobre a ordem de prisão preventiva.
O posicionamento poderá ser atualizado caso os representantes do parlamentar apresentem novos esclarecimentos.
Quais serão os próximos passos da investigação?
Com a nova decisão judicial, o processo criminal segue em andamento na Justiça de São Paulo.
As autoridades deverão dar continuidade à análise das movimentações financeiras e das provas reunidas sobre o suposto esquema envolvendo a Transunião.
As defesas dos investigados poderão contestar as medidas cautelares e apresentar os recursos previstos na legislação.
A manutenção das prisões também poderá ser reavaliada pelo Poder Judiciário, conforme os pedidos apresentados e os fundamentos legais aplicáveis.
Até que exista uma decisão definitiva sobre as acusações, os investigados devem ser tratados como presumidamente inocentes.


