Aliado de Trump afirma que Flávio Bolsonaro já estava nos EUA desde terça-feira
Declarações de Simón Levy sobre a chegada do senador contrastam com informações divulgadas pela imprensa argentina; paradeiro ainda não tem confirmação oficial.

O advogado mexicano Simón Levy, ligado ao movimento político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (27) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) já havia chegado ao território americano. A declaração, no entanto, entrou em contradição com informações divulgadas pelo governo argentino na madrugada desta quarta-feira (28), segundo as quais o parlamentar ainda estava na Argentina na noite anterior.
De acordo com o Departamento de Migração argentino, Flávio entrou no país às 22h50 de terça-feira, acompanhado da esposa e dos filhos. Cerca de 40 minutos depois, a família deixou o território argentino em uma aeronave com destino a Guayaquil, no Equador. O voo pousou na cidade equatoriana na manhã desta quarta-feira.
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A divergência levanta dúvidas sobre as informações divulgadas anteriormente por aliados do senador. Apesar de relatos de que Flávio já estaria na Flórida, não havia confirmação oficial de sua chegada aos Estados Unidos até a manhã desta quarta-feira.
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Advogado ligado a Trump anunciou chegada antecipadamente
Na tarde de terça-feira, Simón Levy publicou nas redes sociais que Flávio Bolsonaro havia chegado em segurança aos Estados Unidos. O mexicano também atribuiu ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, a articulação de uma suposta operação para permitir a saída do senador brasileiro.
Levy afirmou que Flávio poderia liderar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do território americano. Entretanto, não apresentou documentos que comprovassem a participação de Rubio ou de autoridades dos Estados Unidos na organização da viagem.
As declarações foram divulgadas enquanto ainda existiam dúvidas sobre o paradeiro do senador. Informações atribuídas a interlocutores americanos também apontavam que Flávio teria se encontrado com o irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida, versão que não corresponde à cronologia posteriormente apresentada pelas autoridades argentinas.
Argentina confirma passagem de Flávio Bolsonaro pelo país
Na madrugada desta quarta-feira, o governo argentino apresentou uma nova versão sobre os deslocamentos do parlamentar.
Segundo as autoridades migratórias, Flávio entrou na Argentina às 22h50 de terça-feira, acompanhado de familiares. Todos apresentaram documentação considerada válida para ingressar no país, sem impedimentos migratórios identificados pelas autoridades locais.
A aeronave utilizada pela família decolou às 23h30, com destino a Guayaquil. O pouso no Equador ocorreu por volta das 5h47 desta quarta-feira.
Informações de monitoramento aéreo indicavam que o avião poderia continuar viagem para os Estados Unidos após a escala. Até aquele momento, entretanto, o destino final ainda dependia de confirmação.
Trump autorizou entrada, mas disse desconhecer paradeiro
Ainda na terça-feira, o governo americano informou que o Departamento de Estado emitiria vistos para Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo a entrada deles nos Estados Unidos.
O próprio Donald Trump também se manifestou favoravelmente à entrada do senador, mas afirmou não saber exatamente onde ele estava.
“Ouvi dizer que ele está na Argentina”, declarou Trump ao ser questionado sobre o paradeiro do brasileiro.
A manifestação do presidente americano ocorreu no mesmo dia em que aliados já afirmavam que Flávio estava em território norte-americano.
A autorização de entrada, contudo, não representa automaticamente a concessão de asilo político. Os procedimentos são distintos, e não havia confirmação oficial de que o senador tivesse recebido esse tipo de proteção.
Viagem ocorreu após determinação do STF
A movimentação internacional de Flávio Bolsonaro aconteceu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal e proibiu sua saída do Brasil.
A medida foi adotada no âmbito de uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao parlamentar e ao advogado Willer Tomaz.
Flávio nega irregularidades. A existência da investigação não representa condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.
Na segunda-feira (26), o senador publicou um vídeo informando que havia recebido uma intimação da Polícia Federal para entregar seus documentos. Na ocasião, afirmou que não pretendia deixar o país.
Desde então, não havia feito uma nova aparição pública que permitisse confirmar diretamente seu paradeiro.
Próximos passos
A principal questão agora é confirmar a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e esclarecer as circunstâncias de sua saída do Brasil, diante da determinação judicial que restringia sua viagem internacional.
Também permanece em aberto a possibilidade de um pedido formal de asilo político ao governo americano.
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal poderá avaliar os desdobramentos da viagem e o eventual descumprimento das medidas impostas ao senador.
A cronologia apresentada pelo governo argentino acrescenta uma informação relevante ao caso: enquanto aliados afirmavam que Flávio já estava nos Estados Unidos durante a tarde de terça-feira, registros migratórios divulgados pelas autoridades argentinas situam sua passagem pelo país somente naquela noite.


