Qatar busca empate nos acréscimos e faz história na Copa de 2026
O Qatar arranca um empate por 1 a 1 com a Suíça, neste sábado (13), no Levi’s Stadium, na Califórnia, e conquista seu primeiro ponto em Copas do Mundo. O gol histórico sai nos acréscimos, em cabeceio de Boualem Khoukhi. A tarde ainda fica marcada pelo susto com o goleiro Mahmoud Abunada, que desmaia em campo após choque com Remo Freuler.
Gol no fim muda a história do jogo e do grupo
A Suíça controla o placar durante quase todo o jogo e parece caminhar para uma vitória tranquila na estreia do Grupo B da Copa de 2026. O time europeu abre o marcador aos 16 minutos do primeiro tempo, com Breel Embolo, em cobrança de pênalti. A vantagem se mantém até os acréscimos da etapa final, quando o Qatar encontra forças para alterar o roteiro.
O empate surge aos 49 minutos do segundo tempo, em uma jogada simples e direta. O cruzamento parte da esquerda, viaja até a segunda trave e encontra Khoukhi livre. O zagueiro sobe mais que o marcador e testa firme, no canto, sem chance para o goleiro Gregor Kobel. O grito atrasado da torcida qatari, que vinha de um jogo tenso e de poucas chances claras, transforma a partida em marco histórico.
O resultado quebra o roteiro de frustração que se desenha desde o início. Com menos de dois minutos, o Qatar tem a primeira grande chance. O zagueiro suíço Manuel Akanji erra o chutão, fura feio e entrega a bola para Edmilson Júnior, brasileiro naturalizado qatari. O atacante avança sozinho e finaliza com o lado de fora do pé, mas para em Kobel, bem colocado.
A resposta suíça vem com mais organização. Aos 13 minutos, Denis Zakaria cruza da direita e encontra Embolo na área. O atacante desvia para Freuler, que se prepara para dominar na pequena área. Abunada tenta se antecipar, sai para afastar com um soco e acerta em cheio a perna do suíço. O contato derruba o meia e o árbitro hondurenho Said Martinez marca o pênalti sem hesitar.
A queda de Abunada assusta. O goleiro desaba imóvel, de costas para o gramado, enquanto jogadores dos dois times chamam o atendimento com urgência. O estádio silencia por quase um minuto. Médicos entram em campo às pressas, avaliam o goleiro e estabilizam o pescoço com cuidado. Depois de atendimento ainda dentro das quatro linhas, ele recobra a consciência, respira fundo e decide continuar.
Embolo cobra o pênalti com tranquilidade, desloca Abunada e abre o placar: 1 a 0. O gol consolida a sensação de controle suíço. Granit Xhaka dita o ritmo no meio-campo, alternando inversões e passes curtos, enquanto o Qatar tenta reagir com bolas longas em direção a Edmilson Júnior e Akram Afif. As melhores chegadas, porém, param na zaga europeia, firme por baixo e dominante pelo alto.
Grupo B embaralhado e Qatar em novo patamar
O segundo tempo começa mais amarrado. A Suíça administra a vantagem e reduz o ritmo, consciente de que três pontos na estreia abrem caminho confortável rumo às oitavas. O Qatar, por sua vez, sente o desgaste físico e a pressão por estrear com dignidade depois da campanha decepcionante em casa, em 2022. As equipes trocam passes sem pressa, em um ritmo que não combina com a urgência da tabela.
As alterações de Julen Lopetegui, técnico do Qatar, ganham peso com o relógio. A entrada de jogadores como Ahmed Alaaeldin e Hassan Al Haydos oferece mais mobilidade e opção de cruzamentos. A Suíça recua alguns metros, protege a área e aceita a ideia de sofrer bolas aéreas nos minutos finais. A escolha se mostra arriscada.
O empate nos acréscimos não tem apenas valor simbólico. No Grupo B, todos os quatro times agora somam um ponto após a primeira rodada. Na sexta-feira (12), Bósnia e Canadá já haviam empatado por 1 a 1. O gol de Khoukhi embaralha imediatamente as contas de classificação e transforma cada detalhe das próximas rodadas em fator decisivo.
Para o Qatar, o ponto conquistado vai além da matemática. A seleção, que sai do Mundial de 2022 sem pontuar, chega a 2026 sob desconfiança internacional e pressão interna para mostrar evolução. O empate contra uma equipe europeia consolidada, com nomes de liga de ponta como Xhaka, Embolo e Akanji, funciona como resposta esportiva e psicológica. O time deixa o Levi’s Stadium com a sensação de que pode competir em pé de igualdade.
Do lado suíço, o gol sofrido nos minutos finais pesa como oportunidade perdida. A equipe de Murat Yakin domina quase todo o jogo, cria as melhores chances e leva pouco perigo em seu próprio campo. O recuo excessivo na reta final, somado à incapacidade de matar a partida em contra-ataques, abre a porta para a reação adversária. O empate mantém a Suíça viva, mas complica uma chave que parecia encaminhada.
Rodada decisiva à vista para Qatar e Suíça
A tabela não oferece muito tempo para lamentações ou celebrações. Na próxima quinta-feira (18), às 19h (de Brasília), o Qatar enfrenta o anfitrião Canadá, novamente sob holofotes de estádio cheio e pressão de jogo eliminatório disfarçado. Uma vitória aproxima os asiáticos de um feito inédito: chegar à última rodada com chance real de avançar às oitavas de final.
No mesmo dia, às 16h, a Suíça encara a Bósnia e Herzegovina, em duelo que ganha tons de decisão precoce. Se vencer, a seleção europeia retoma o controle da própria trajetória no torneio. Se tropeçar, corre o risco de chegar à terceira rodada precisando de uma combinação improvável de resultados.
O Grupo B da Copa de 2026 nasce sem favorito claro e com margem mínima para erro. A imagem de Abunada caído no gramado, e de Khoukhi sendo abraçado pelos companheiros depois do gol, resume bem a estreia: drama, risco físico e recompensa tardia. As próximas partidas vão dizer se o ponto histórico do Qatar é apenas parêntese emotivo ou o início de uma campanha capaz de redefinir o lugar da seleção no futebol mundial.
