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Balogun marca dois gols e lidera vitória dos EUA sobre o Paraguai

Folarin Balogun marca dois gols na estreia dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026 e comanda a vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai, neste domingo (14). O centroavante de 24 anos decide em casa e transforma a abertura do Grupo D em uma demonstração de força da seleção anfitriã.

Da pressão da estreia à tranquilidade em campo

O jogo começa tenso para os donos da casa, mas ganha contornos de festa ainda no primeiro tempo. Aos 7 minutos, o meia paraguaio Damián Bobadilla, que atua pelo São Paulo, tenta afastar um cruzamento e desvia contra o próprio gol. O lance abre o placar em solo americano e inaugura também o primeiro gol contra da Copa do Mundo de 2026.

A vantagem inicial não diminui o peso da estreia. A seleção dos Estados Unidos carrega a responsabilidade de jogar um Mundial em casa, 32 anos depois de sediar a Copa de 1994. A torcida lota as arquibancadas, espera imposição desde o início e reage a cada erro com impaciência. O clima muda quando a principal conexão ofensiva da equipe enfim se acerta.

Christian Pulisic, referência técnica da geração, acelera pela esquerda, aos 30 minutos, e encontra espaço nas costas da zaga paraguaia. O camisa 10 levanta a cabeça e cruza na área. Balogun surge livre, ataca a bola e finaliza de primeira, sem chance para o goleiro. O 2 a 0 transforma a apreensão em alívio e inaugura a noite do centroavante.

O segundo tempo começa com o Paraguai tentando se lançar ao ataque, mas esbarra na organização defensiva americana. Os Estados Unidos controlam o ritmo, trocam passes com calma e esperam o momento certo para definir o placar. A oportunidade surge quando Balogun volta a receber em posição central, desta vez com espaço para o improviso.

O atacante é acionado na entrada da área, conduz a bola, protege do marcador e parte para cima dos zagueiros. Num movimento rápido, dribla a defesa, limpa o lance e finaliza com precisão no ângulo. A bola entra no canto, aos 20 minutos da etapa final, e sela o 3 a 0. A comemoração com os braços abertos, diante da arquibancada, mostra um jogador à vontade no maior palco de sua carreira.

Balogun assume protagonismo na seleção americana

Nascido no Brooklyn, em Nova York, Balogun deixa os Estados Unidos ainda criança e se forma como jogador na Inglaterra. Revelado nas categorias de base do Arsenal, ganha espaço profissional quando é emprestado ao Middlesbrough, também inglês. O salto na carreira acontece em 2022/23, quando marca 21 gols em 37 partidas pelo Reims, da França, e se firma como um dos jovens centroavantes mais promissores da Europa.

Após a temporada de destaque na Ligue 1, o atacante se transfere para o Monaco, clube que defende até hoje. A consolidação no futebol europeu abre caminho definitivo para a seleção dos Estados Unidos. Desde que estreia com a camisa norte-americana, Balogun soma 28 jogos e 11 gols, números que ganham outro peso a partir da atuação desta estreia de Copa.

A presença de um centroavante em boa fase sempre foi um ponto sensível na história recente da equipe americana. Em 2002, na campanha até as quartas de final na Coreia do Sul e no Japão, o time se apoia em um jogo coletivo competitivo, mas não se notabiliza por um artilheiro de referência. Em 2014, no Brasil, o país volta às oitavas, mas outra vez depende mais da organização tática do que de um protagonista ofensivo.

Balogun surge como a peça que faltava em uma geração considerada a mais talentosa que o futebol norte-americano já produz. Ao lado de Pulisic, Weston McKennie e Gio Reyna, o centroavante oferece algo diferente: presença diária na área, mobilidade para atacar os espaços e frieza para decidir. A estreia com dois gols, em um Mundial disputado em casa, reforça o peso desse papel.

A vitória sobre o Paraguai também valoriza o próprio campeonato local e o caminho percorrido por jogadores ligados ao Brasil. Bobadilla, responsável pelo gol contra, defende o São Paulo desde 2024 e representa uma das pontes entre o futebol sul-americano e o torneio. A partida reúne ainda outros seis atletas que atuam no Brasileirão, espalhados entre os dois elencos, e reforça a vitrine global que a Copa oferece.

O 3 a 0 na abertura do Grupo D se soma ao calendário do Mundial, que segue ainda neste domingo. À 1h (de Brasília) de segunda-feira (15), Austrália e Turquia se enfrentam e completam a primeira rodada da chave. O resultado da outra partida define a configuração inicial da tabela, mas a seleção anfitriã larga na frente, com saldo de três gols e uma atuação que respalda as expectativas.

Confiança em alta e novas exigências para os próximos jogos

O impacto imediato da atuação de Balogun aparece nas arquibancadas e na análise da estreia. A torcida americana, muitas vezes distante do futebol de seleções, reage com entusiasmo pouco comum ao longo da história do esporte no país. A imagem do atacante celebrando diante das câmeras, registrada por Jamie Squire, da Getty Images, sintetiza o momento: um jogador com carreira consolidada na Europa abraça o papel de líder técnico de uma equipe que joga em casa.

Dentro do elenco, a vitória tranquila tira parte da pressão que acompanha a seleção desde o anúncio de que o Mundial voltaria à América do Norte. A equipe entra em campo diante de um calendário apertado e sob desconfiança de parte da crítica internacional, que ainda vê os Estados Unidos como coadjuvantes em torneios de elite. O placar elástico, no entanto, eleva a régua de cobrança para os próximos compromissos.

Os adversários diretos passam a observar Balogun com atenção redobrada. Marcação mais próxima, vigilância constante na área e tentativa de limitar a parceria com Pulisic tendem a ser a resposta imediata. A seleção americana, por sua vez, precisa mostrar que não depende apenas da inspiração do centroavante e que tem alternativas para criar chances quando o jogo se fecha.

O Paraguai deixa o campo com a sensação de que o erro inicial muda o roteiro da partida. O gol contra de Bobadilla, logo aos 7 minutos, força a equipe a se expor mais cedo do que pretendia. O castigo vem na forma de espaços concedidos para os contra-ataques e para a infiltração de Balogun. A derrota por 3 a 0 complica a situação na tabela e obriga reação imediata na segunda rodada, sob risco de uma eliminação precoce.

Para os Estados Unidos, a noite de abertura da Copa de 2026 marca uma mudança de patamar simbólica. A seleção não apenas vence, mas domina o placar sem sustos, com um protagonista claro e um desempenho convincente. Balogun sai de campo com dois gols, prestígio ampliado e a expectativa de que possa disputar até a artilharia do torneio.

O Mundial em casa oferece ao futebol norte-americano a chance de se firmar como ator permanente no cenário global, dentro e fora de campo. Clubes locais e ligas de base podem se beneficiar do aumento de visibilidade, enquanto jogadores formados no país ganham novas referências de sucesso. A questão que acompanha a equipe a partir de agora é se a seleção conseguirá manter o nível desta estreia quando a pressão aumentar e os adversários forem mais fortes. A resposta começa a ser escrita nas próximas rodadas, com Balogun no centro da cena.

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