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Vini Jr. brilha, mas Brasil só empata com Marrocos na estreia

O Brasil estreia com empate por 1 a 1 contra Marrocos no Grupo C da Copa do Mundo de 2026, neste sábado (13), em Nova York/Nova Jérsei. Saibari abre o placar, Vini Jr. responde com um golaço e evita derrota na primeira rodada.

Estreia tensa, brilho individual e alerta em plena abertura do grupo

O empate preserva uma escrita que dura mais de 50 anos: a Seleção não perde em estreias de Copa desde 1974. O resultado, porém, expõe o tamanho do desafio que o Mundial dos Estados Unidos impõe ao time de Carlo Ancelotti. Em um MetLife Stadium dividido entre verde-amarelo e vermelho, o Brasil sofre com a organização marroquina, depende do talento de Vini Jr. e sai de campo com a sensação de que poderia produzir mais.

Marrocos, quarto colocado na Copa de 2022, confirma o status de adversário mais duro do grupo C. Com o 1 a 1, as duas seleções somam 1 ponto e veem a liderança provisória ficar nas mãos de Haiti ou Escócia, que se enfrentam ainda neste sábado, às 22h (de Brasília), em Boston. A estreia brasileira, longe de ser desastrosa, reforça um recado antigo: talento resolve, mas não basta contra equipes compactas e intensas fisicamente.

Erro brasileiro, cavadinha de Saibari e resposta em golaço de Vini Jr.

O roteiro da partida começa a se desenhar cedo. Apesar do bom início marroquino, com mais força física e circulação de bola, a primeira grande chance é do Brasil. Aos 13 minutos, Vini Jr. acelera pela esquerda, encontra espaço, cruza na medida, e deixa Igor Thiago livre dentro da área. O centroavante se enrola, fura na tentativa de cabeceio e desperdiça a oportunidade de abrir a Copa com o pé direito.

O castigo vem em seguida. Aos 20 minutos, Lucas Paquetá erra um passe no lado esquerdo do ataque. Mazraoui intercepta, aciona Brahim Díaz, que encontra um buraco entre a dupla de zaga brasileira. O lançamento rasga a defesa, Saibari dispara em velocidade, domina à frente de Alisson e toca por cobertura, de cavadinha, para fazer 1 a 0. O gol recompensa a eficiência marroquina e expõe a vulnerabilidade brasileira na recomposição.

O impacto do gol se reflete no comportamento do time. A equipe de Ancelotti hesita na saída de bola, perde divididas e assiste Hakimi arrancar pela direita e finalizar cruzado, à direita do gol de Alisson. Por alguns minutos, o Brasil parece à beira do segundo golpe. A reação vem mais uma vez pelas individualidades, não pelo coletivo.

Aos 28 minutos, Bruno Guimarães encontra Vini Jr. aberto pela esquerda. O atacante do Real Madrid parte da linha lateral para dentro, protege, finta o marcador e carrega a bola até clarear o chute. Quando se abre o espaço, ele solta uma finalização cruzada, fortíssima, sem qualquer chance para Bounou. A bola morre no canto e silencia o setor marroquino: 1 a 1. O primeiro gol do Brasil na Copa de 2026 sai dos pés do jogador apontado como protagonista desta geração.

O gol reorganiza o Brasil. A equipe começa a rodar melhor a bola, empurra Marrocos para trás e fecha o primeiro tempo no ataque. Aos 46 minutos, Paquetá quase se redime. O meia aproveita sobra na área e acerta um voleio. A bola quica no gramado, ganha efeito traiçoeiro, mas Bounou se estica e espalma para o lado. O intervalo chega com sensação de equilíbrio, mas também de que o jogo ainda está aberto para os dois lados.

Ancelotti mexe, Brasil perde fluidez e Marrocos volta a assustar

O segundo tempo começa com decisões pragmáticas no banco brasileiro. Ancelotti retorna do vestiário sem Ibañez e Casemiro, ambos amarelados. Danilo entra na lateral, Fabinho assume o meio. O técnico evita o risco de expulsão, mas também mexe na espinha da equipe logo após uma etapa inicial de fortes oscilações.

O jogo ganha outra feição. Marrocos diminui o ritmo e já não pressiona com a mesma ferocidade. O Brasil, porém, não transforma essa queda de intensidade em controle real. O ataque se mostra engessado, com poucos movimentos de ruptura e lentidão na troca de passes. Vini Jr. passa a receber a bola mais distante da área, cercado por dois ou três marcadores, enquanto Igor Thiago segue desconectado.

Na metade da etapa final, Ancelotti tenta uma solução mais ousada. Tira Paquetá e Igor Thiago, coloca Luiz Henrique e Matheus Cunha e aposta em um ataque mais móvel, com trocas de posição constantes. O meio-campo, porém, perde densidade defensiva, e o Brasil passa a conviver com o risco de contra-ataques marroquinos.

A seleção africana aceita recuar, mas não abdica de atacar quando enxerga espaço. Raphinha registra a única finalização brasileira no alvo no segundo tempo, em chute que Bounou defende sem sobressalto. Do outro lado, os acréscimos reservam o susto final. Em um mesmo lance, Marrocos finaliza duas vezes de dentro da área, e Alisson salva ambas, garantindo o 1 a 1 no placar e evitando uma derrota que ampliaria a pressão sobre o elenco.

Grupo C embolado e pressão por evolução já contra o Haiti

O empate de estreia coloca o Brasil em situação de alerta, mas não de desespero. Com 1 ponto em 1 jogo, a Seleção acompanha à distância o duelo entre Haiti e Escócia, também pelo Grupo C. Quem vencer em Boston assume a liderança e joga a responsabilidade para o time de Ancelotti, que volta a campo na próxima sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia, contra os haitianos.

A tabela não oferece muito tempo para ajustes profundos. Em 11 dias, entre 13 e 24 de junho, o Brasil cumpre as três partidas da fase de grupos e fecha sua participação inicial em Miami, às 19h, diante da Escócia. O desempenho desta estreia indica onde estão os focos de atenção: saída de bola sob pressão, equilíbrio no meio, maior participação do centroavante e uma estrutura que permita a Vini Jr. decidir sem carregar o time sozinho.

O saldo da noite em Nova York/Nova Jérsei tem duas leituras claras. De um lado, a confirmação de que Vini Jr. chega à Copa de 2026 em outro patamar de protagonismo, com gol decisivo logo na estreia. De outro, a constatação de que o Brasil ainda precisa se adaptar ao desenho tático de Ancelotti e às exigências de um Mundial cada vez mais nivelado fisicamente.

O Grupo C começa equilibrado, e a margem de erro encolhe a cada rodada. A estreia não devolve ao torcedor brasileiro a confiança plena, mas mantém aberto o caminho para a classificação. As respostas sobre até onde essa seleção pode ir, porém, passam a depender menos do brilho individual e mais da capacidade de transformar talento em time.

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