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Candidato na Colômbia promete aplicar “método Bukele” a partir de 2026

Um dos principais pré-candidatos à Presidência da Colômbia promete levar o chamado “método Bukele” ao país a partir de 30 de maio de 2026. A proposta, anunciada em meio à escalada da violência e à desconfiança nas instituições, mira um choque de segurança pública e gestão inspirado na experiência de El Salvador.

Candidato aposta em choque de segurança inspirado em El Salvador

O político colombiano afirma que pretende adotar, “sem meias-medidas”, a combinação de megaoperações policiais, endurecimento penal e centralização de decisões que marca o governo Nayib Bukele. Ele apresenta o plano como eixo de campanha e promete detalhar, nos próximos 90 dias, um pacote de projetos de lei e decretos para “reposicionar o Estado nas ruas e nos bairros”.

A estratégia surge em um momento em que a Colômbia registra avanço de grupos armados e organizações ligadas ao narcotráfico em várias regiões. Em 2025, dados oficiais apontam crescimento de ataques a lideranças sociais e de confrontos armados em áreas rurais, enquanto grandes cidades voltam a enfrentar índices de roubo e extorsão que lembram o período pré-acordo de paz com as Farc, firmado em 2016.

O candidato diz que observa “com atenção” os números de El Salvador, onde o governo Bukele atribui à sua política de segurança uma queda de mais de 80% nos homicídios em poucos anos. “A Colômbia não pode aceitar viver eternamente sob a chantagem do crime organizado. Se um país com 6,3 milhões de habitantes consegue virar o jogo, a Colômbia, com 52 milhões, também consegue”, afirma, em referência à população aproximada dos dois países.

O plano prevê a importação de práticas que vão desde o fortalecimento do controle estatal sobre presídios até a criação de unidades especializadas para atuar em zonas dominadas por gangues e grupos armados. O discurso promete ampliar o uso de tecnologia, como câmeras inteligentes e análise de dados em tempo real, e sustenta que será possível apresentar resultados “em até 24 meses”, caso chegue ao poder.

Debate sobre direitos, resultados e limites do “método Bukele”

O anúncio acende um debate imediato entre analistas de segurança e juristas colombianos. Partidários da proposta destacam o impacto numérico da política salvadorenha, que sai de um dos índices de homicídio mais altos do mundo para patamares comparáveis aos de países europeus em menos de cinco anos. Para esse grupo, a Colômbia precisa de um “ponto de inflexão” semelhante, capaz de reduzir em dois dígitos os crimes letais já no primeiro ano de governo.

Críticos lembram que o modelo de Bukele inclui medidas de exceção, prisões em massa e forte concentração de poder no Executivo, cenário que não encontra paralelo direto na Constituição colombiana. Especialistas alertam que qualquer tentativa de copiar, de forma literal, a lógica salvadorenha pode colidir com decisões da Corte Constitucional e com tratados internacionais assinados pelo país. “Segurança sem garantias legais é atalho para novos conflitos”, observa um professor de direito público em Bogotá.

O entorno do candidato busca responder a essas críticas com a promessa de uma “adaptação” do método. A equipe fala em um pacote de reformas que combine endurecimento penal para crimes violentos, revisão de benefícios para reincidentes e maior integração entre Forças Armadas e polícia em regiões de fronteira. A campanha sustenta que o foco estará em quadrilhas de sequestro, redes de extorsão e estruturas do narcotráfico que, segundo estimativas oficiais, movimentam bilhões de dólares por ano.

Pesquisas internas, divulgadas de forma parcial pela equipe, indicam que segurança pública e corrupção aparecem entre as três principais preocupações de mais de 60% dos eleitores. A aposta política é clara: associar a imagem do candidato a resultados rápidos, em um país marcado por ciclos sucessivos de violência e tentativas frustradas de reforma policial. O discurso também procura atrair setores empresariais, que reclamam de perdas bilionárias com roubos de carga, bloqueios de estradas e custos extras com segurança privada.

O impacto potencial vai além da área de segurança. O chamado “método Bukele” inclui uma narrativa de modernização do Estado, com uso intenso de redes sociais, centralização de comunicação oficial e projetos de digitalização de serviços públicos. O pré-candidato colombiano promete, no curto prazo, reduzir prazos de licenças, concessões e registros, argumentando que a burocracia alimenta a corrupção e afasta investimentos. A meta divulgada por assessores é cortar em até 50% o tempo médio de tramitação de processos críticos em setores como infraestrutura, energia e mineração.

Campanha entra em fase decisiva e país testa limites de mudança

O anúncio formal da adoção do “método Bukele” reposiciona a campanha presidencial colombiana e pressiona adversários a apresentar alternativas concretas para reduzir a violência. Partidos rivais já discutem propostas intermediárias, que reforçam a presença do Estado em regiões conflagradas, mas evitam referências diretas a medidas de exceção. Nas próximas semanas, especialistas em segurança e direitos humanos devem ser chamados ao Congresso e a fóruns públicos para debater os limites legais e os custos sociais de um eventual endurecimento.

Organizações civis e entidades de defesa de direitos anunciam que vão acompanhar, com atenção, cada detalhe do pacote prometido, e já discutem a possibilidade de acionar a Justiça caso considerem que reformas futuras violem garantias individuais. A Igreja, historicamente ativa em processos de paz na Colômbia, também começa a se manifestar e pede que o debate não ignore as causas sociais da violência, como desigualdade, falta de oportunidades para jovens e presença frágil do Estado em áreas rurais.

O calendário eleitoral coloca um prazo concreto para que o pré-candidato transforme o slogan em plano detalhado. A expectativa é que, até o fim deste ano, sejam apresentados textos preliminares de reformas constitucionais e leis complementares, acompanhados de estimativas de custo e impacto. Governadores e prefeitos pressionam por voz ativa nesse desenho, já que serão os responsáveis por implementar grande parte das mudanças no território.

Se o “método Bukele” pode ou não ser transplantado para a realidade colombiana permanece uma pergunta aberta. A experiência de El Salvador mostra que resultados expressivos em segurança vêm acompanhados de questionamentos intensos sobre limites democráticos. A Colômbia, com história recente marcada por guerra interna, acordos de paz e reconstrução institucional, entra agora em uma nova encruzilhada: até onde está disposta a ir, em nome da promessa de viver com menos medo?

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