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Hulk treina à parte e encaminha rescisão com o Atlético-MG

Hulk treina separado do elenco do Atlético-MG nesta segunda-feira (27), na Cidade do Galo, e caminha para uma rescisão amigável. Cortado de jogos decisivos e na mira do Fluminense, o atacante de 39 anos vive os últimos capítulos de sua passagem pelo clube mineiro.

Ídolo em rota de saída em meio à crise

O afastamento de Hulk acontece menos de 24 horas depois da derrota por 4 a 0 para o Flamengo, na Arena MRV, pelo Campeonato Brasileiro. O camisa 7 é relacionado para o clássico, mas acaba cortado do jogo e deixa o estádio antes mesmo do apito inicial, em um dos episódios mais simbólicos da atual fase alvinegra.

No dia seguinte ao revés, o atacante se apresenta normalmente na Cidade do Galo, em Belo Horizonte, mas não trabalha com o grupo principal. Faz atividades em separado, enquanto a delegação se organiza para viajar ao Peru, onde enfrenta o Cienciano, pela Copa Sul-Americana. O artilheiro não entra na lista dos relacionados e permanece em Minas.

Dirigentes e representantes do atleta discutem agora os termos de uma rescisão amigável do contrato, firmado até o fim de 2026. As conversas, que esfriam no início do ano, ganham novo fôlego após o interesse renovado do Fluminense. A ideia é evitar um rompimento litigioso e preservar a relação com um dos maiores ídolos recentes do clube.

Nos bastidores, a leitura é que a saída controlada de Hulk ajuda a reduzir o desgaste num ambiente já pressionado pelos resultados. O Atlético soma 14 pontos no Brasileiro, mesma pontuação do Santos, primeiro time dentro da zona de rebaixamento, e ocupa a 15ª posição apenas pelos critérios de desempate. A goleada para o Flamengo acentua a crise e transforma qualquer decisão sobre o elenco em tema sensível.

Negociação com o Flu pesa em decisão técnica

O interesse do Fluminense, que volta à carga após uma tentativa frustrada no começo de 2026, é decisivo para o rumo da história. O clube carioca procura um reforço de impacto para o setor ofensivo e vê em Hulk uma oportunidade rara de mercado, mesmo aos 39 anos. A diretoria tricolor, segundo pessoas envolvidas na negociação, deixa claro que precisa de segurança jurídica para avançar.

Uma das condições é que o atacante não ultrapasse o limite de 12 partidas no Campeonato Brasileiro pelo Atlético. A regra impede que um jogador atue por dois clubes diferentes na mesma edição da competição se estourar esse número. Para não inviabilizar uma transferência, o departamento de futebol alvinegro opta por tirá-lo da partida contra o Flamengo e da viagem para o Peru.

Internamente, a decisão é apresentada como estratégica. Sem se manifestar publicamente, o clube evita transformar a situação em caso disciplinar e reforça o discurso de construção de uma saída negociada. Pessoas próximas ao jogador descrevem o momento como de “respeito mútuo” e afirmam que Hulk “não quer criar problema” com o Atlético na reta final de sua trajetória em Belo Horizonte.

Desde que chega ao clube, em 2021, Hulk se torna protagonista imediato. Lidera o time na conquista do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil em 2021, participa do título mineiro em sequência e assume papel central na Arena MRV, inaugurada em 2023. Sua saída agora, aos 39 anos, representa o encerramento de um ciclo que recoloca o Atlético em destaque nacional.

Impacto no elenco e pressão sobre Domínguez

A ausência do principal nome ofensivo amplia o desafio do técnico Eduardo Domínguez. Além da Sul-Americana, o Atlético encara o Cruzeiro no sábado, em clássico que pode agravar a crise. Um novo tropeço aproxima a equipe da zona de rebaixamento e coloca ainda mais holofotes sobre o treinador argentino, que tenta equilibrar a necessidade de resultados com uma reformulação acelerada do time.

Sem Hulk, o setor ofensivo perde referência técnica e liderança de vestiário. O atacante soma dezenas de gols com a camisa alvinegra em pouco mais de cinco temporadas e é um dos porta-vozes do elenco em momentos de pressão. Sua saída abre espaço para jogadores mais jovens, mas também deixa a torcida sem o rosto mais reconhecível do projeto esportivo recente.

A diretoria, pressionada por resultados ruins e pelas contas do clube, busca equilibrar finanças e competitividade. A rescisão amigável pode aliviar a folha salarial e permitir investimentos pontuais em outras posições, ao mesmo tempo em que libera Hulk para negociar luvas e salários com o Fluminense. No Rio, ele chegaria como contratação de impacto para um time que tenta se manter competitivo em três frentes na temporada.

Entre os torcedores, o sentimento é ambíguo. Parte entende o fim natural de um ciclo de um jogador veterano, em um time que precisa renovar. Outra parte vê a saída em meio à crise como sintoma de desorganização interna. A goleada por 4 a 0 em casa diante de um rival direto reforça a percepção de que o clube perde peças importantes sem apresentar um plano claro de reposição.

Reunião decisiva e futuro em aberto

Hulk e a direção atleticana devem se reunir nos próximos dias para tentar selar o acordo. A expectativa é de que a situação seja definida ainda nesta semana, antes do clássico contra o Cruzeiro. Um acerto rápido interessa a todas as partes: ao Atlético, que precisa de estabilidade para reagir na tabela; a Hulk, que quer ter tempo para se adaptar a um novo clube; e ao Fluminense, que busca reforçar o elenco antes da fase decisiva das competições.

Enquanto o acordo não sai, o atacante segue à parte do elenco e fora das partidas mais importantes do Atlético no ano. A cena de um dos maiores ídolos recentes treinando isolado, em um CT que ajudou a lotar e valorizar, sintetiza o momento de transição. A forma como o clube conduz os próximos dias dirá se essa despedida entra para a história como um fim de ciclo respeitoso ou como mais um capítulo da turbulência esportiva e política que ronda a Cidade do Galo.

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