Gol, abraço e recado: Luciano banca Roger Machado no São Paulo
Luciano marca o gol da vitória do São Paulo sobre o Mirassol, na noite de 25 de abril de 2026, fora de casa, e transforma a comemoração em mensagem pública de apoio a Roger Machado. O camisa 10 chama o lance de “gol do alívio”, abraça o treinador à beira do gramado e tenta encerrar rumores de que trabalha contra comandos técnicos. A vitória rende três pontos e um recado direto à torcida.
Gol, abraço e um recado em meio à pressão
O jogo em Mirassol tem clima de cobrança para o São Paulo. A equipe vem de atuações irregulares e escuta críticas ao trabalho de Roger Machado antes mesmo de a bola rolar. Cada erro em campo aumenta a tensão no banco de reservas. O gol de Luciano, já no segundo tempo, funciona como freio imediato nesse ambiente de desconfiança.
O atacante aparece na área, finaliza com precisão e abre o placar. A comemoração não é instintiva. Ele aponta para o banco, corre em direção a Roger e o abraça com força, cercado por companheiros. O gesto vai além do ritual comum de dividir um gol com o treinador. Em poucos segundos, Luciano tenta inverter a narrativa que, nas últimas temporadas, o coloca como pivô de crises internas no clube.
Luciano rebate rótulo e reforça liderança no elenco
Na saída do campo, ao canal Premiere, o camisa 10 escolhe as palavras com cuidado. Ele sabe que carrega um histórico de protagonismo não só com a bola, mas também em momentos de turbulência. “Acho que foi um gol do alívio mesmo. Acho que a gente precisa cada vez mais ganhar jogos e passar confiança ao nosso torcedor que vem ao estádio, por mais hoje não tenha sido na nossa casa”, diz, ainda ofegante.
O abraço em Roger, segundo ele, não é cena espontânea isolada, mas resposta a um incômodo antigo. “O abraço foi para dizer que nós jogadores estamos juntos com o treinador. Porque quando as coisas estão ruins, o primeiro nome a ser falado que está querendo derrubar o treinador é o meu. Então, estou tentando ajudar ele da melhor maneira possível. Graças a Deus, hoje foi com um gol e com três pontos”, completa.
O discurso acompanha a evolução recente de Luciano no clube. Em 2024 ele já se consolida como protagonista ofensivo, e em 2025 ultrapassa marca de ídolos em gols pelo Brasileirão. Em 2026, alcança número superior ao de Rogério Ceni na competição nacional, feito simbólico para um atleta que convive com comparações e expectativas desde que veste a camisa 10. O gol em Mirassol adiciona outro capítulo a essa trajetória e reforça a imagem de líder técnico e emocional do grupo.
A vitória fora de casa também aparece como antídoto às oscilações recentes. Em um campeonato decidido ponto a ponto, vencer em 25 de abril, longe do Morumbi, evita dispersão logo no início da campanha e dá a Roger mais tempo para ajustar o time. O “gol do alívio”, como define o atacante, funciona tanto no placar quanto no vestiário.
Roger valoriza desgaste de Luciano e blindagem do elenco
Roger Machado não esconde o peso da partida. O treinador vive o cotidiano de um cargo em que a margem de erro é mínima. No apito final, celebra o resultado, mas faz questão de destacar o comportamento de Luciano. “Ele está cumprindo uma função que é até mais desgastante para ele, mas que está se provando que é importante para o time nas atuações dele”, afirma.
O técnico se refere à movimentação intensa do camisa 10, que volta para marcar, sai da área, participa da construção e ainda chega para finalizar. A função exige mais fôlego que o papel clássico de centroavante e reforça a leitura de que o jogador compra a ideia de jogo. “Acima de tudo, a gente percebe quando um profissional se envolve com o trabalho. E não é só o Luciano, todos os atletas estão bem envolvidos no trabalho e têm a disposição de fazer as coisas acontecerem”, completa Roger.
Em meio às especulações recorrentes sobre mudanças no comando, o treinador tenta proteger o ambiente. Ele repete, internamente, que o mínimo exigido é o que chama de “100%”: entrar em campo e trabalhar. “O que faz a diferença é um pouquinho mais”, diz, em referência ao esforço adicional que enxerga em Luciano e no grupo. O gol em Mirassol se encaixa nessa lógica. Não é apenas o chute preciso, mas o conjunto de simbologias que o cerca, do gesto ao discurso pós-jogo.
O episódio ganha ainda mais peso porque o nome de Luciano aparece com frequência em debates sobre vestiário, especialmente quando resultados não vêm. Ao se colocar publicamente ao lado de Roger, o atacante tenta esvaziar leituras que o apontam como agente de desgaste de treinadores. O abraço transforma uma noite comum de Campeonato Brasileiro em sinal político dentro do clube.
Confiança, tabela e o que está em jogo no São Paulo
Os três pontos conquistados em Mirassol podem parecer apenas mais uma vitória na longa maratona nacional, mas têm efeito prático imediato. A equipe ganha fôlego na tabela, espanta o risco de início ruim e sustenta o discurso de continuidade no trabalho de Roger. Em tempos de demissões precoces, cada rodada pesa na avaliação da diretoria e da torcida.
Para o elenco, a noite expõe um pacto. O principal atacante assume a defesa pública do treinador, e o treinador devolve com elogios públicos à entrega do jogador. Esse alinhamento reduz ruídos internos e diminui a margem para boatos de racha ou panela. A torcida, por sua vez, encontra no gesto de Luciano um sinal de que o vestiário fala a mesma língua e encara a temporada de forma coletiva.
O próximo desafio do São Paulo, seja no Brasileirão ou em outra frente, chega agora com narrativa diferente. Em vez de crise anunciada, o clube leva a campo um discurso de união e resposta rápida sob pressão. A atuação de Luciano em Mirassol, somada ao histórico recente de gols e ao posto entre os maiores artilheiros do time no torneio, consolida o atacante como termômetro emocional do grupo.
O “gol do alívio” abre uma janela de estabilidade, mas não encerra o debate. A sequência de jogos vai dizer se o São Paulo transforma o recado de Mirassol em padrão de desempenho ou se o abraço entre craque e treinador vira só uma fotografia emblemática de uma noite tensa de abril. A bola, a partir de agora, precisa confirmar o discurso.
