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Com dois expulsos, Coritiba perde para o Grêmio e cai para 7º

Com dois jogadores expulsos, o Coritiba perde do Grêmio por 1 a 0 neste domingo (26), na Arena do Grêmio, pela 13ª rodada do Brasileiro. O gol de Gabriel Mec, ainda no primeiro tempo, encerra a sequência de quatro jogos de invencibilidade do time paranaense.

Expulsão muda um jogo que era do Coritiba

O roteiro da noite em Porto Alegre passa longe de um domínio tricolor desde o apito inicial. O Coritiba começa melhor, se protege bem e encontra espaços nos contra-ataques. A proposta de Fernando Seabra funciona por meia hora, com o time paranaense compacto, rápido na transição e confortável em deixar a bola com o rival.

O equilíbrio desaba aos 30 minutos do primeiro tempo. Bruno Melo, lateral-esquerdo escalado como parte de uma linha que se transforma em trio de zaga sem a bola, entra forte e recebe cartão vermelho direto. A decisão de Felipe Fernandes de Lima, árbitro mineiro, altera não só a configuração tática, mas também o humor da Arena do Grêmio, que sente o momento e empurra o time da casa para frente.

Até a expulsão, o plano do Coritiba é claro. Thiago Santos recua entre Maicon e Jacy quando o Grêmio tem a posse, forma uma linha de três defensores e fecha os corredores internos. A estratégia trava Gabriel Mec por boa parte do início do jogo, obriga o Grêmio a insistir em cruzamentos e reduz o volume de finalizações limpas.

Com um a menos, Seabra precisa reagir em minutos. O técnico recompõe o lado esquerdo com Felipe Jonatan e sacrifica o atacante Breno Lopes, peça-chave nos contra-ataques. O ajuste fecha o buraco deixado por Bruno Melo, mas cobra um preço alto na frente. O Coritiba perde profundidade, recua alguns metros e já não assusta Weverton como antes.

O Grêmio sente a brecha e acelera. Carlos Vinicius chega a balançar a rede na sequência, em jogada que faz a Arena explodir, mas o VAR traça as linhas e aponta impedimento. O alívio do Coritiba dura pouco. Aos 42 minutos, Gabriel Mec recebe na intermediária ofensiva, encontra espaço na zaga reorganizada às pressas e finaliza para fazer 1 a 0, em lance que traduz a superioridade numérica do Tricolor.

Coritiba insiste, mas disciplina cobra a conta

O intervalo não leva Seabra a recuar ainda mais. O treinador volta para o segundo tempo com uma postura surpreendentemente agressiva para quem está em desvantagem e com um jogador a menos. JP Chermont entra para oferecer profundidade pelo lado, William Oliveira reforça o meio, e Thiago Santos é recuado em definitivo para a zaga.

A nova configuração devolve ao Coritiba algo que parecia perdido ainda no primeiro tempo: a bola. O time passa a trocar passes com mais calma, ocupa o campo ofensivo e consegue encaixar chegadas perigosas, especialmente com Lucas Ronier e Pedro Rocha. As principais finalizações, porém, saem para fora, sem exigir grandes defesas de Weverton.

O Grêmio administra a vantagem, alterna momentos de pressão alta e posse controlada, e ainda volta a marcar nos minutos finais. Outras duas bolas na rede inflam a torcida, que supera os 35 mil presentes e rende renda superior a R$ 2 milhões, mas esbarram novamente em revisões e impedimentos. O placar permanece magro, embora o clima em campo seja de jogo já resolvido.

As estatísticas ajudam a explicar o desfecho. O Coritiba soma agora quatro derrotas em 13 rodadas e estaciona em 19 pontos, na sétima colocação, sob risco de ser ultrapassado pelo Bragantino, que ainda enfrenta o Palmeiras no complemento da rodada. O Grêmio pula para 16 pontos, em 11º lugar, e respira um pouco mais distante da zona de rebaixamento.

O fim da partida expõe de forma crua o peso da disciplina em jogos apertados. Jacy, que participa da estrutura defensiva desde o início, chega atrasado em dividida no minuto final e é expulso por entrada violenta. O segundo cartão vermelho da noite encerra qualquer esperança de um último ataque organizado do Coxa e cristaliza a sensação de que a derrota nasce mais dos próprios erros do que da criatividade do adversário.

Na beira do campo, a comissão técnica do Coritiba reclama da condução da arbitragem, mas internamente a avaliação tende a ser outra. Jogar quase uma hora com dez jogadores, em uma arena lotada e contra um time pressionado para reagir no campeonato, cobra um desgaste físico e emocional difícil de administrar. A expulsão de Bruno Melo vira tema inevitável na reapresentação do elenco.

Pressão sobre Seabra e moral em alta no Grêmio

O resultado mexe diretamente no ambiente dos dois clubes. O Coritiba, que vinha de quatro jogos sem perder, volta para Curitiba com a sensação de oportunidade desperdiçada. A atuação antes da expulsão mostra um time capaz de competir fora de casa, mas a sucessão de cartões vermelhos reacende questionamentos sobre controle emocional e disciplina defensiva.

Fernando Seabra, consolidado desde 2025 como o técnico que organiza o time em blocos compactos e aposta na transição rápida, passa a conviver com uma cobrança mais aguda. Não se trata de ameaça imediata ao cargo, mas de um alerta. A diretoria observa de perto o comportamento da equipe em jogos de maior pressão e cobra atenção redobrada aos detalhes que decidem partidas grandes, como posicionamento em divididas e leitura do árbitro.

O calendário não oferece muito tempo para lamentações. No próximo sábado, 2 de maio, às 18h30, o Coritiba visita o Vitória no Barradão. A partida ganha contornos de teste de maturidade para um elenco que busca retomar confiança e precisa mostrar que o tropeço em Porto Alegre é episódio isolado, não o início de uma queda na tabela.

No lado gremista, o 1 a 0 atua como ponto de virada em um início de Brasileiro irregular. A equipe de Luis Castro soma 16 pontos, abre pequena distância para a zona de rebaixamento e encontra um fiapo de tranquilidade para avançar em outra frente. Na quarta-feira (29), às 21h30, o Grêmio viaja ao Chile para enfrentar o Palestino, em La Cisterna, pela Copa Sul-Americana.

A vitória diante de 35.443 torcedores, com renda de R$ 2.013.590,62, reforça o peso da Arena do Grêmio como aliada em noites de tensão. Para além da tabela, o jogo deixa um recado claro para os próximos capítulos do Brasileiro: em um campeonato longo, decidido muitas vezes por detalhes, a linha entre controle e descontrole pode custar pontos, posições e objetivos de temporada.

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