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Ausência de Neymar vira alvo da torcida após empate de Santos na Bahia

A ausência de Neymar repercute entre torcedores do Santos após o empate por 2 a 2 com o Bahia, neste sábado (25), na Arena Fonte Nova, em Salvador. O atacante é poupado pela comissão técnica para estar inteiro no duelo contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana, mas vira personagem central da discussão sobre a perda de uma vantagem de dois gols no Brasileirão.

Torcida mira Neymar após empate que expõe fragilidade

O jogo parecia sob controle para o Santos até a metade do segundo tempo. O time abre 2 a 0 ainda na etapa inicial, com dois pênaltis convertidos por Rollheiser, aos 19 e aos 43 minutos, e deixa a impressão de que vai deixar Salvador com três pontos importantes. O desfecho, porém, reacende um debate antigo entre os santistas: até que ponto o time depende de Neymar para sustentar resultados e controlar o ritmo de jogo.

Nas redes sociais, a irritação transborda logo após o apito final. Parte da torcida direciona a frustração para a decisão de poupar o camisa 10. Comentários se repetem em tom de cobrança à comissão técnica, com frases como “como sempre” e referências ao que, na visão dos torcedores, é um padrão recente: um Santos que produz, abre vantagem e desaba quando perde suas principais referências técnicas na parte final das partidas.

A diretoria e a comissão técnica sustentam a escolha como planejamento. Com três competições em andamento e uma viagem à Argentina marcada para quinta-feira (30), contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana, o clube considera essencial preservar o jogador após uma sequência intensa de jogos. Neymar, principal estrela do elenco e peça central do projeto esportivo e comercial, é visto internamente como ativo que precisa ser administrado com cuidado físico e estratégico.

No gramado, porém, a teoria não encontra respaldo no placar. Sem o camisa 10, o Santos volta a oscilar na construção ofensiva e, principalmente, na gestão emocional do resultado. A equipe já vinha de duas partidas em que sofre para manter a intensidade até o fim. Em Salvador, repete o roteiro: domina o primeiro tempo, recua demais na etapa final e permite a reação do Bahia.

Virada de roteiro em campo amplia pressão por resultados

O início da noite na Fonte Nova sugere uma história diferente. Thaciano dita o ritmo do Santos, encontra Rony em profundidade e força a defesa baiana a recuar. O primeiro pênalti nasce de jogada de Gabriel Bontempo, derrubado por Erick Pulga dentro da área. Rollheiser desloca o goleiro Léo Vieira e abre o placar, aos 19 minutos. O Bahia reage com um chute na trave aos 24 e volta a assustar no fim da primeira etapa, quando Santiago Mingo obriga Diógenes a fazer intervenção difícil, com a bola ainda tocando no travessão.

O segundo gol do Santos sai em novo pênalti, desta vez após cruzamento de Thaciano desviar no cotovelo de Ramos Mingo. Rollheiser repete a cobrança no canto e amplia aos 43 minutos. A vantagem de 2 a 0, construída em menos de meia hora, dá ao Santos a chance de administrar o jogo, girar a bola e reduzir o ritmo. A equipe, porém, recua demais, reduz a pressão sobre a saída de bola do Bahia e passa a depender de ligações longas e rompantes individuais.

O Bahia cresce no segundo tempo. A mudança de postura se traduz em números e sensação. O time da casa ocupa mais o campo ofensivo, ganha segundas bolas e passa a rondar a área de Diógenes com mais frequência. Aos 30 minutos, Luciano Juba, discreto até então, cobra falta com precisão, aproveita o goleiro adiantado e diminui o placar. O gol muda o ambiente na Fonte Nova e expõe a dificuldade do Santos em se reorganizar.

O empate sai pouco depois. Erick Pulga, que participa diretamente dos principais lances ofensivos do Bahia, cruza na medida, e Willian José sobe sem marcação para fazer 2 a 2. Em menos de 10 minutos, o Santos vê ruir a vantagem construída no primeiro tempo e volta a demonstrar instabilidade defensiva e emocional. A equipe falha na recomposição, afrouxa a marcação na bola aérea e parece sentir o peso físico da maratona de jogos.

A perda de dois pontos em Salvador tem impacto imediato na tabela. Em um Campeonato Brasileiro que costuma ser decidido em detalhes, empates em jogos com vantagem de dois gols tendem a pesar no fim da temporada. O cenário também alimenta um sentimento de urgência: com calendário apertado, o Santos precisa pontuar no Brasileirão sem abrir mão da ambição continental na Copa Sul-Americana.

Dependência de Neymar expõe dilema entre gestão física e ambição

A discussão que toma conta dos debates esportivos após o jogo vai além do empate na Fonte Nova. A opção de poupar Neymar, ainda em abril, escancara um dilema comum a clubes brasileiros que disputam várias frentes: proteger o principal jogador para decisões internacionais ou garantir pontos imediatos no campeonato de pontos corridos. No caso do Santos, a fragilidade sem o camisa 10 torna essa equação mais sensível.

Nas arquibancadas virtuais, o ídolo vira, ao mesmo tempo, solução desejada e alvo indireto da revolta. Torcedores se perguntam “se tivesse Neymar em campo” ao comentar os minutos finais do segundo tempo, quando o time perde profundidade no ataque e praticamente abandona a bola ofensiva. A percepção predominante é que o atacante, acostumado a decidir jogos grandes desde a primeira passagem pelo clube, faria diferença na retenção da bola, na cobrança de faltas e na capacidade de atrair marcação.

A comissão técnica enxerga o risco físico. Neymar volta a atuar com regularidade em alto nível, acumula minutos seguidos e, aos 34 anos, já não tolera calendários sem gestão específica. O planejamento prevê sua presença em duelos considerados-chave, como o confronto com o San Lorenzo, em Buenos Aires, na quinta-feira. Um bom resultado na Argentina pode compensar, em parte, a frustração deste sábado e reforçar o discurso interno de que a escolha de poupá-lo é estratégica, não conservadora.

A repercussão nas redes, porém, não obedece à lógica de médio prazo. A torcida reage ao que vê no campo e à tabela do Brasileirão, em que cada ponto perdido aumenta a pressão por recuperação imediata. A sequência de jogos em que o Santos falha na administração do resultado alimenta a sensação de que o time ainda não encontra equilíbrio entre intensidade ofensiva e solidez defensiva, com ou sem Neymar.

Próximos jogos testam fôlego e discurso do Santos

O Santos desembarca na Argentina pressionado a dar resposta rápida. O duelo com o San Lorenzo, na quinta-feira (30), passa a ter peso duplo. Além de valer pela Copa Sul-Americana, a partida funciona como termômetro da condição física de Neymar e do poder de reação do elenco após novo tropeço no Brasileirão. Um desempenho convincente, com o camisa 10 em campo, tende a aliviar o ambiente e fortalecer o argumento da comissão técnica.

O calendário, no entanto, não oferece descanso. A equipe volta ao Brasil com pouco tempo de recuperação antes de retomar a maratona de jogos nacionais. A direção sabe que não pode transformar cada ausência de Neymar em motivo de crise. O desafio, a partir de agora, é construir um Santos capaz de preservar seu principal jogador sem abrir mão da competitividade. A resposta começa a ser dada nos próximos 90 minutos na Argentina, mas a pergunta que ecoa entre os torcedores permanece: até quando o time vai depender tanto de um só camisa 10?

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