Militares dos EUA ficam feridos em ataque iraniano na Arábia Saudita
Militares dos Estados Unidos ficam feridos em um ataque coordenado do Irã contra a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, nesta sexta-feira (27). A ofensiva ocorre em meio à escalada da guerra iniciada em 28 de fevereiro, que já deixa mais de 300 soldados americanos feridos e 13 mortos.
Ataque amplia escalada entre Washington e Teerã
O bombardeio atinge uma das principais bases usadas pelos EUA na região do Golfo e reforça a sensação de que o conflito com o Irã entra em uma fase mais arriscada. A Base Aérea Príncipe Sultan abriga aviões de combate, sistemas de defesa e um contingente relevante de militares americanos, estacionados na Arábia Saudita desde o início da campanha contra o regime iraniano.
O ataque desta sexta-feira é descrito por autoridades como uma ação coordenada, planejada para alcançar alvos sensíveis da infraestrutura militar americana. Fontes ligadas à coalizão afirmam que o objetivo iraniano é enviar um recado direto a Washington após semanas de ataques e contra-ataques em vários países do Oriente Médio. O número exato de feridos na base ainda não é divulgado, mas oficiais admitem, em caráter reservado, que o impacto operacional é “significativo”.
O Irã apresenta o bombardeio como retaliação às operações lançadas pelos Estados Unidos e por Israel desde 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto mata o líder supremo Ali Khamenei em Teerã. Desde então, Teerã tenta demonstrar que mantém capacidade de resposta, mesmo após a morte de parte importante de sua cúpula política e militar. “Não vamos deixar nenhum ataque sem resposta”, repetem autoridades ligadas ao regime dos aiatolás em pronunciamentos transmitidos pela TV estatal.
Guerra se espalha pela região e aumenta custo humano
O ataque na Arábia Saudita se soma a uma série de ofensivas iranianas contra países que abrigam bases ou interesses americanos e israelenses. Desde o início da guerra, o Irã lança mísseis e drones contra Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Teerã insiste que mira apenas instalações militares e alvos ligados aos EUA e a Israel, mas o rastro de destruição atinge também áreas civis.
Mais de 300 militares dos Estados Unidos já ficam feridos em menos de um mês de conflito. Desse total, 273 retornam ao serviço ativo, segundo o Exército americano. A Casa Branca confirma 13 mortes de soldados em ataques diretamente atribuídos ao Irã. Em território iraniano, o balanço é ainda mais pesado: mais de 1.750 civis morrem, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA, em bombardeios e operações que visam portos, navios, sistemas de defesa aérea, aviões e centros de comando.
A guerra se desdobra também no Líbano, onde o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, dispara foguetes e mísseis contra o norte de Israel em resposta à morte de Ali Khamenei. Israel reage com sucessivas ofensivas aéreas contra o que descreve como posições do Hezbollah em território libanês. Centenas de pessoas morrem no Líbano nas últimas semanas, em um cenário que combina destruição de infraestrutura, deslocamento em massa de civis e pressão crescente sobre hospitais e serviços básicos.
O custo político dessa escalada é alto em Teerã e em Washington. Com a morte de Ali Khamenei e de várias figuras do alto escalão, um conselho iraniano elege Mojtaba Khamenei, filho do líder morto, como novo guia supremo. Analistas ouvidos por veículos internacionais apontam continuidade. Segundo eles, Mojtaba mantém a linha dura, a repressão interna e a hostilidade aberta aos EUA e a Israel. Donald Trump, protagonista da campanha militar americana, reage com irritação e chama a escolha de “grande erro”. Em público, ele afirma que Mojtaba é “inaceitável” e diz que deveria ter sido consultado sobre a sucessão.
Risco de ampliação da guerra e incerteza sobre saída diplomática
A ofensiva contra a Base Príncipe Sultan alimenta o temor de que o conflito avance para um estágio ainda mais amplo, com novos ataques diretos entre forças americanas e iranianas. Trump já havia mencionado a existência de “outros 3.554” alvos em território iraniano, em uma contagem que inclui instalações militares, centros de comando, infraestrutura energética e ativos estratégicos do regime. Cada novo ataque iraniano contra bases americanas fortalece a ala em Washington que defende respostas mais duras e menos dependentes de coalizões regionais.
Governos do Golfo acompanham a deterioração do quadro com preocupação crescente. Países que recebem tropas dos EUA, como Arábia Saudita, Catar e Bahrein, se veem diretamente expostos a retaliações. A presença de militares americanos, que antes funcionava como escudo, passa a ser também um fator de risco político interno. Em várias capitais, autoridades buscam equilibrar o apoio a Washington com a necessidade de evitar que seus territórios se tornem o principal campo de batalha da disputa entre EUA, Irã e Israel.
Diplomatas europeus e mediadores regionais tentam manter canais de diálogo abertos, mas encontram pouco espaço para compromisso. Em Teerã, o novo líder Mojtaba Khamenei não dá sinais de flexibilização. Em Washington, o cálculo político de Trump se ancora na promessa de não recuar diante do Irã, ao mesmo tempo em que ele acena para novas frentes de pressão, como quando afirma que “Cuba é a próxima” ao elogiar ações no Irã e na Venezuela.
O ataque desta sexta-feira na Base Aérea Príncipe Sultan reforça a percepção de que a guerra, iniciada em 28 de fevereiro, já escapa ao controle dos seus principais atores. A cada nova ofensiva, cresce o número de mortos e feridos, se fragilizam instituições locais e aumentam os riscos de erro de cálculo. A dúvida que paira sobre capitais do Ocidente e do Oriente Médio é se ainda existe tempo para uma saída negociada antes que a escalada chegue a um ponto sem retorno.
