Kassab deixa Secretaria de Tarcísio para comandar ofensiva do PSD em 2026
Gilberto Kassab deixa, nesta quarta-feira (25), a Secretaria de Governo e Relações Institucionais de São Paulo para se dedicar integralmente às eleições de 2026. O presidente do PSD abre mão de um dos cargos mais influentes do Palácio dos Bandeirantes para comandar a estratégia partidária nacional.
Kassab sai do governo e volta o foco para o tabuleiro eleitoral
A decisão é anunciada em nota pública, divulgada no início da tarde, e encerra a participação de Kassab no primeiro escalão de Tarcísio de Freitas após pouco mais de dois anos de governo. Ele assume, sem disfarces, o papel de articulador em tempo integral de uma legenda que busca aumentar sua fatia de poder no Congresso, em governos estaduais e na sucessão presidencial de 2026.
No texto, Kassab afirma que a rotina da secretaria já não cabe no calendário eleitoral que se aproxima. “Diante das intensas atividades nos campos partidário e eleitoral que se apresentam no calendário político de 2026, com eleições para presidente, governadores, senadores e deputados em outubro, a minha atuação como secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo torna-se incompatível com minha atividade política e eleitoral neste período”, escreveu.
O ex-prefeito de São Paulo lembra que integra o governo Tarcísio desde 1º de janeiro de 2023, data da posse do governador. “Desta forma, deixo o secretariado do governador Tarcísio de Freitas, que tive a honra de integrar desde o primeiro dia de seu mandato”, afirma. A saída ocorre a pouco mais de seis meses do início oficial da campanha, prazo considerado estratégico para rearrumar alianças e listas de candidatos a cargos proporcionais.
Uma ponte política deixa o Palácio dos Bandeirantes
À frente da Secretaria de Governo e Relações Institucionais, Kassab se torna um dos principais operadores da base de Tarcísio na Assembleia Legislativa e no diálogo com prefeitos e partidos aliados. O posto lhe dá poder sobre negociações de emendas, articulações de projetos de lei e composição de palanques municipais. Sua saída deixa uma lacuna em uma engrenagem política que funciona com margens apertadas em votações sensíveis.
No governo paulista, a pasta atua como espécie de central de relacionamento com 94 deputados estaduais, 645 prefeitos e dezenas de bancadas federais com interesse em São Paulo. Nos bastidores, Kassab é visto como um dos responsáveis por pacificar disputas internas desde o início da gestão, garantir maioria em votações de orçamento e abrir portas para o governador em legendas que não pertencem ao campo original do Republicanos.
O movimento agora recoloca o PSD no centro do xadrez eleitoral de 2026. O partido, que em 2022 elegeu dezenas de deputados e senadores e participa de governos estaduais relevantes, aposta em ampliar sua presença no Congresso e nas assembleias, além de negociar papel de destaque em chapas majoritárias. Em São Paulo, onde o eleitorado supera 34 milhões de pessoas aptas a votar, o cálculo é direto: cada ponto percentual de voto representa milhares de cargos em disputa.
A decisão também mexe com o equilíbrio interno do governo Tarcísio. A Secretaria de Governo, por controlar a interlocução política, costuma ser alvo de disputas entre grupos aliados. A escolha de um substituto passa a ser um teste de força entre partidos da base, lideranças regionais e o próprio governador, que precisa preservar a governabilidade em ano pré-eleitoral.
Impacto no PSD, no governo paulista e nas alianças de 2026
No plano partidário, Kassab ganha tempo para redesenhar o mapa de candidaturas do PSD em todo o país. A legenda trabalha com metas ambiciosas: fortalecer bancadas na Câmara e no Senado, manter ou ampliar governos estaduais e influenciar diretamente a corrida ao Planalto. Cada ajuste em São Paulo tende a repercutir em alianças regionais, trocas de apoio e composição de federações ou blocos parlamentares após a eleição.
A saída do comando da Secretaria de Governo também altera a dinâmica com o próprio Tarcísio de Freitas, citado com frequência como potencial candidato à Presidência. Sem a rotina do governo paulista, Kassab tem mais liberdade para negociar palanques duplos, costurar apoios cruzados e discutir cenários em que o PSD apareça como fiador de governabilidade, qualquer que seja o vencedor em 2026.
No curto prazo, as atenções se voltam para a recomposição da equipe no Palácio dos Bandeirantes. A definição do novo titular da pasta influencia a relação com a Assembleia, o ritmo de votação de projetos e a distribuição de espaços no secretariado. O cargo controla, de forma direta ou indireta, parte das negociações que sustentam o orçamento anual bilionário do Estado, superior a centenas de bilhões de reais, e que interessa a prefeitos, deputados e empresas contratadas.
Para o mercado político, o gesto sinaliza que o calendário de 2026 já saiu do papel e entrou no dia a dia das decisões de governo. O afastamento de Kassab do secretariado indica que funções executivas e comando partidário tendem a se separar à medida que outubro se aproxima, reduzindo riscos de conflitos jurídicos e de acusações de uso da máquina pública em benefício eleitoral.
Próximos passos e incertezas até outubro de 2026
Com a caneta de secretário devolvida, Kassab retoma o papel que o projetou desde o fim dos anos 1990: o de articulador que transita por diferentes governos e campos ideológicos. A missão agora é organizar o PSD para disputar espaços em 27 unidades da Federação, preparar nominatas competitivas para a Câmara dos Deputados e assembleias estaduais e negociar apoios para candidaturas a presidente e governadores.
No governo paulista, o desafio imediato é escolher um sucessor capaz de manter abertas as pontes políticas desenhadas ao longo dos últimos dois anos. A substituição terá impacto direto sobre votações sensíveis na Assembleia, sobre a relação com prefeitos em ano de pré-campanha e sobre a forma como Tarcísio se posiciona na corrida nacional. A saída de Kassab encerra um ciclo, mas abre outro, em que cada movimento partidário até outubro de 2026 pode redefinir o tamanho real do PSD e o peso de São Paulo no próximo mapa do poder.
