Esportes

Vasco negocia venda de 90% da SAF por mais de R$ 2 bi

O Vasco da Gama vive semana decisiva em São Januário. A diretoria negocia a venda de 90% da SAF ao empresário Marcos Lamacchia, em operação que pode superar R$ 2 bilhões. O cronograma final de investimentos é fechado para ser levado aos conselheiros ainda nesta semana de 25 de março de 2026.

Negociação bilionária e corrida contra o relógio

As conversas avançam em ritmo acelerado. Dirigentes do Vasco e representantes de Marcos Lamacchia costuram, nos últimos dias, os detalhes de um acordo que pode redesenhar o futuro financeiro do clube. A prioridade é garantir aportes robustos e previsíveis, capazes de estabilizar as contas e sustentar investimentos no futebol por vários anos.

O desenho do negócio, revelado inicialmente pelo GE.com, prevê a venda de 90% da SAF vascaína por um valor que ultrapassa a marca de R$ 2 bilhões. O montante não chega em uma única vez. O que está sobre a mesa é um pacote com fases de investimento, atrelado a metas e prazos claros, para evitar repetições de ciclos de endividamento e improviso.

Os últimos encontros entre as partes se concentram justamente nesse cronograma. Assessores financeiros destrincham planilhas de fluxo de caixa, simulações de receitas futuras e impacto sobre dívidas antigas. Só depois desse ajuste fino o acordo segue para avaliação dos conselheiros, etapa considerada sensível por envolver não apenas números, mas também identidade, poder e memória de um clube centenário.

O que está em jogo para o Vasco

A negociação não se resume ao valor global da operação. Há uma lista de compromissos de investimento que baliza a tomada de decisão. O plano inclui recursos para transferências de atletas, reforço da folha de pagamento, melhoria da infraestrutura dos centros de treinamento, cobertura de fluxo de caixa do dia a dia e apoio aos esportes olímpicos, por meio de leis de incentivo. Toda a dívida do clube e da própria SAF entra na conta.

Na prática, o Vasco tenta trocar incerteza por previsibilidade. A diretoria trabalha com a perspectiva de um ciclo em que as contas deixam de ser um freio permanente às ambições esportivas. O pacote bilionário é apresentado nos bastidores como uma chance rara de equacionar passivos históricos e, ao mesmo tempo, montar elencos competitivos de forma recorrente.

O presidente Pedrinho, ídolo em campo e hoje dirigente, ainda não se manifesta oficialmente sobre o assunto. Pessoas próximas relatam otimismo com o desfecho. A expectativa é que Lamacchia aceite ir além do mínimo obrigatório previsto em contrato e injete recursos adicionais, especialmente em estrutura e futebol de base. Essa margem extra é vista como diferencial na comparação com outros modelos de SAF no país.

Enquanto discute o futuro com um investidor bilionário, o clube tenta arrumar o passado. Neste primeiro trimestre, o Vasco inicia o pagamento da recuperação judicial e projeta encerrar março com quase R$ 20 milhões em dívidas quitadas. O movimento sinaliza ao mercado e aos conselheiros que, mesmo em meio às negociações, a gestão não paralisa obrigações assumidas.

Quem é Marcos Lamacchia e qual o impacto esportivo

O protagonista do outro lado da mesa tem biografia ligada ao sistema financeiro e ao futebol. Aos 47 anos, Marcos Faria Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Em 2011, ele funda a Blue Star, gestora de fundos de investimento, após atuar por anos como diretor da própria Crefisa e acumular passagem pelo banco Alfa.

Lamacchia vive entre Aspen, nos Estados Unidos, e São Paulo, mas acompanha de perto os movimentos em São Januário. De olho na repercussão entre torcedores vascaínos, aciona equipes jurídica e financeira de suas empresas para destrinchar números, cenários de risco e potencial de retorno. O interesse não é apenas contábil. Trata-se de entrar em um mercado em que a combinação de paixão e negócio costuma potencializar tanto ganhos quanto pressões.

A curto prazo, a eventual entrada do investidor tende a se refletir no campo. O Vasco, agora comandado por Renato Gaúcho, já mostra sinais de reação. São três vitórias e um empate nos últimos quatro jogos, com o time somando 11 pontos e ocupando a nona colocação no Campeonato Brasileiro. A perspectiva de um caixa mais forte dá ao departamento de futebol margem para planejar reforços com menos improviso.

O impacto, porém, não se limita ao elenco principal. A proposta em discussão cita investimentos em categorias de base e infraestrutura de CT, áreas em que o atraso histórico do Vasco é evidente. A ideia é fazer da estrutura um ativo, e não um obstáculo, na disputa com rivais que há anos modernizam centros de treinamento e processos internos.

Próximos passos e o que pode mudar no futebol brasileiro

O próximo capítulo se desenha nos conselhos internos do Vasco. A apresentação formal do plano de venda, com cifras, prazos e obrigações detalhadas, é a etapa crucial da semana. Conselheiros devem avaliar não apenas a injeção de recursos imediata, mas também cláusulas de governança, mecanismos de controle e limites de ingerência do novo dono sobre símbolos e decisões estruturais do clube.

Se a operação for aprovada, o Vasco inaugura um novo ciclo. A combinação de um aporte superior a R$ 2 bilhões, quitação gradual de dívidas e investimentos em futebol coloca o clube em outro patamar de competição interna. A movimentação tende a pressionar rivais endividados a buscar modelos de gestão mais profissionais e parcerias com investidores de perfil semelhante.

O desfecho ainda depende de ajustes finais e da leitura política dentro de São Januário. Torcedores acompanham com expectativa e desconfiança em doses parecidas, cientes de que a decisão envolve abrir mão de parte do controle para fugir de um passado de crise recorrente. A venda da SAF pode marcar o início de um período de estabilidade rara ou se tornar apenas mais um capítulo turbulento. A resposta virá quando o acordo chegar à mesa dos conselheiros.

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