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Filipe Barros assume comando do PL-PR após saída de Giacobo

O deputado Filipe Barros assume nesta quarta-feira (25.mar.2026) o comando do diretório estadual do PL no Paraná, após a saída de Fernando Giacobo. A troca ocorre em meio à aliança do partido com Sergio Moro para a disputa ao governo do Estado.

Redefinição do comando e alinhamento com Moro

A mudança no comando do PL paranaense marca uma inflexão na estratégia do partido no Estado. Filipe Barros, aliado da direção nacional, chega ao posto com a missão de consolidar o apoio à candidatura de Sergio Moro ao governo do Paraná em 2026, anunciada publicamente por Flávio Bolsonaro, uma das principais lideranças da sigla.

Fernando Giacobo, que até então controlava o diretório estadual, deixa o partido após discordar do rumo tomado pela cúpula. A saída expõe divergências internas sobre o peso de Moro no tabuleiro político local e sobre o papel do PL na disputa pelo Palácio Iguaçu. A troca de comando, formalizada em 25 de março de 2026, encerra um ciclo de pelo menos quatro anos de influência direta de Giacobo na condução da legenda no Paraná.

O movimento ocorre em um momento em que as articulações para 2026 se intensificam nos bastidores. Dirigentes avaliam que a antecipação do apoio a Moro pode dar ao PL vantagem na formação de palanques regionais e na negociação por espaços em chapas proporcionais. O cálculo envolve não só a cabeça de chapa para o governo, mas também as disputas por cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Impacto na disputa eleitoral e nas alianças locais

A chegada de Filipe Barros ao comando do diretório estadual tende a aproximar ainda mais o PL da campanha de Sergio Moro. A nova direção deve atuar para unificar as bases municipais, hoje espalhadas em cerca de 399 cidades paranaenses, e garantir que prefeitos, vereadores e lideranças regionais estejam alinhados ao projeto encampado pela cúpula nacional. O objetivo é aumentar a competitividade do partido nas urnas em 2026, sobretudo nas maiores cidades do Estado.

Aliados de Giacobo avaliam reservadamente que o ex-líder do diretório sai derrotado politicamente, mas preserva a autonomia para negociar com outros grupos. A saída, porém, abre espaço para que Barros redistribua cargos internos, comissões e coordenações regionais, redesenhando o mapa de influência dentro do PL paranaense. Em disputas anteriores, esses postos foram decisivos para definir quem tinha acesso a recursos do fundo eleitoral e do fundo partidário, que somaram bilhões de reais em todo o país em 2022 e devem crescer novamente até 2026.

Dirigentes locais observam que a aliança com Moro pode reorganizar o campo da direita no Paraná. Partidos que hoje flertam com candidaturas próprias ao governo podem ser pressionados a rever seus planos diante de um bloco mais robusto em torno do ex-juiz. Ao mesmo tempo, legendas que resistem a se aproximar de Moro podem buscar alternativas em outras candidaturas, o que tende a fragmentar ainda mais o quadro eleitoral.

Nos bastidores, interlocutores do PL dizem que a aproximação com Moro é vista como aposta de alto risco. A avaliação é que o ex-ministro da Justiça ainda desperta rejeição em parcelas do eleitorado, mas mantém forte recall entre eleitores identificados com a pauta anticorrupção e com o legado da Operação Lava Jato. A presença de Barros, que constrói sua carreira com discurso alinhado a essas bandeiras, é entendida como sinal de que o partido vai explorar esse filão com mais intensidade.

Desdobramentos e incertezas até 2026

A nova fase do PL no Paraná começa com um desafio imediato: pacificar a sigla internamente. Filipe Barros terá de convencer quadros ligados a Giacobo a permanecer no partido e a aceitar o novo arranjo de poder. Uma ala já cogita migração para outras legendas antes do prazo final de filiação, seis meses antes da eleição, caso não encontre espaço nas chapas proporcionais ou nas estruturas locais.

A relação com Sergio Moro também deve passar por teste de estresse à medida que as negociações por tempo de televisão, recursos de campanha e vagas em uma eventual chapa majoritária avancem. Aliados de Moro esperam tratamento preferencial na montagem das alianças, enquanto dirigentes do PL querem preservar margem de manobra para atrair novos parceiros. A equação envolve, ainda, o impacto que a candidatura ao governo pode ter na votação para presidente e para o Senado no Estado.

Analistas ouvidos por lideranças partidárias avaliam que a troca de comando no diretório estadual funciona como termômetro da influência de Brasília sobre os diretórios regionais. A intervenção direta da cúpula, com o apoio de figuras como Flávio Bolsonaro, sinaliza que as alianças estaduais em 2026 serão definidas cada vez mais a partir da estratégia nacional, e menos da lógica local. Nesse cenário, o Paraná se torna um laboratório de como essas decisões podem redesenhar coligações inteiras.

O desempenho de Filipe Barros à frente do PL-PR, e a capacidade de a sigla sustentar o apoio a Sergio Moro até outubro de 2026, devem indicar se a aposta atual se confirma ou se abre espaço para uma nova reviravolta. Nos próximos meses, a forma como prefeitos, vereadores e lideranças regionais reagem a esse redesenho de forças vai mostrar se o movimento consolidou um novo polo de poder no Estado ou apenas expôs, de maneira mais clara, as divisões já existentes na política paranaense.

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