AtlasIntel mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em 2026
Uma nova pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta quarta-feira (25), aponta empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento indica um cenário de disputa aberta e oferece a primeira fotografia consistente da corrida ao Planalto neste ano eleitoral.
Pesquisa revela disputa aberta pela Presidência
O estudo da AtlasIntel testa diferentes combinações de candidatos, mas é o confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro que concentra as atenções. No cenário de segundo turno, o presidente e o senador aparecem tecnicamente empatados, com o filho de Jair Bolsonaro numericamente à frente, dentro da margem de erro de um ponto percentual.
A pesquisa é realizada entre 18 e 23 de março, com 5.028 entrevistas pela internet, por meio de recrutamento digital aleatório. O método, cada vez mais presente nas disputas eleitorais, substitui o contato telefônico ou presencial por questionários online, o que reduz custos e acelera a coleta de dados. O levantamento tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04227/2026.
A divulgação ocorre a pouco mais de seis meses do primeiro turno e ajuda a reposicionar o tabuleiro político. O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro sinaliza que o campo bolsonarista preserva força após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, enquanto o presidente testa sua capacidade de transferir capital político e defender o mandato em meio a um cenário econômico ainda frágil.
A AtlasIntel também avalia outros sete cenários de segundo turno, incluindo o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que nesta mesma semana anuncia publicamente a desistência de concorrer ao Planalto. A inclusão de seu nome mostra que parte do establishment político ainda busca uma alternativa fora do eixo Lula-bolsonarismo, mas a saída precoce do governador reforça a dificuldade de consolidação de uma terceira via competitiva.
Paisagem eleitoral segue polarizada e pressionada por indecisos
Os números confirmam a manutenção da polarização que marca as disputas nacionais desde 2018. Mesmo com Jair Bolsonaro fora da disputa direta, o sobrenome Bolsonaro segue no centro da cena. Flávio herda parte da estrutura política construída pelo pai, testa sua própria imagem nacional e tenta se apresentar como continuidade de um projeto que ainda mobiliza milhões de eleitores.
Para Lula, o cenário é desafiador. O presidente governa em meio a um Congresso fragmentado, enfrenta resistência em setores do mercado e convive com frustrações de parte da base que o elegeu em 2022. A pesquisa sugere que, até aqui, o governo não consegue transformar em vantagem confortável o desgaste acumulado do bolsonarismo. Ao mesmo tempo, o empate técnico indica resiliência de Lula, que segue competitivo diante de um adversário sustentado por uma militância digital ativa e disciplinada.
O dado central para as próximas semanas é o comportamento dos indecisos. Em um cenário de segundo turno parelho, diferenças de dois ou três pontos percentuais, abaixo da margem de erro de 1%, podem ser decisivas. Especialistas ouvidos ao longo das últimas semanas descrevem esse grupo como menos engajado em redes sociais, mais sensível a notícias sobre emprego, inflação e segurança pública, e menos fiel a identidades partidárias históricas.
A pesquisa da AtlasIntel reforça a tendência de campanhas cada vez mais segmentadas. Com o mapa eleitoral de 2022 ainda fresco, os dois campos procuram avançar sobre regiões-chave, como o Sudeste e partes do Centro-Oeste, onde variações mínimas de voto são suficientes para definir a eleição. A disputa pela classe média urbana, mais exposta ao noticiário econômico e às redes, também ganha peso.
Campanhas ajustam estratégias e miram reta final
O levantamento publicado nesta quarta-feira pressiona os dois lados a rever prioridades. No campo governista, a pesquisa tende a reforçar a cobrança por entrega concreta em áreas como renda, emprego e crédito. A avaliação é simples: sem melhora perceptível no bolso até o início oficial da campanha, a vantagem de Lula como presidente em exercício pode se diluir.
Entre aliados de Flávio Bolsonaro, os números alimentam a narrativa de que o bolsonarismo sobrevive à ausência do ex-presidente nas urnas. Esse grupo aposta na combinação de forte presença digital, agenda conservadora em costumes e crítica dura à política econômica do governo. A pesquisa mostra que esse discurso encontra eco suficiente para colocar o senador em condições reais de disputar o Palácio do Planalto.
A desistência de Ratinho Junior, testado pela AtlasIntel em um dos cenários, deixa órfãos setores que ainda insistem em uma alternativa ao confronto direto entre petistas e bolsonaristas. Sem um nome competitivo que una centro e direita tradicional, cresce a pressão sobre partidos médios para que negociem cedo seus apoios no segundo turno, em troca de espaço em um futuro governo.
Enquanto institutos divulgam novos levantamentos e campanhas calibram seus movimentos, o eleitor assiste à antecipação da lógica de segundo turno. A disputa que hoje aparece nas tabelas da AtlasIntel tende a migrar para a TV, para os palanques regionais e, sobretudo, para as redes sociais. A pergunta que se impõe, a partir desta fotografia de março, é se o país terá fôlego para escapar de uma nova eleição definida por milímetros entre dois projetos que se enfrentam há quase uma década.
