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PL sela aliança com PP e União e lança Márcio Canella ao governo do RJ

O Partido Liberal (PL) confirma nesta terça-feira, 25 de fevereiro de 2026, uma aliança com PP e União para disputar o governo do Rio. O acordo lança Márcio Canella ao Palácio Guanabara e Douglas Castro ao Senado, sob liderança política do presidenciável Flávio.

Reunião decisiva redesenha a disputa no estado

A costura da aliança ocorre em uma reunião fechada no Rio de Janeiro, que reúne dirigentes estaduais e nacionais das três siglas. Flávio, hoje um dos nomes centrais do campo conservador, conduz as tratativas e dá aval final à chapa encabeçada por Canella, com Douglas Castro como principal aposta para o Senado. O movimento ocorre a pouco mais de oito meses das eleições estaduais e mira diretamente o comando de um orçamento anual superior a R$ 100 bilhões.

Aliados avaliam que a antecipação da chapa reduz incertezas internas e dificulta a ação de adversários. Nos bastidores, dirigentes falam em “formar o maior bloco de oposição ao atual grupo no poder” e em “unificar a direita fluminense em torno de uma candidatura competitiva”. A intenção é ocupar desde já o espaço no debate público, apresentando Canella como rosto da coalizão e preparando Douglas Castro para uma campanha de alcance estadual.

Aliança amplia tempo de TV e estrutura de campanha

O acordo entre PL, PP e União tem efeito imediato sobre a estrutura de campanha. Juntas, as legendas somam dezenas de deputados federais e estaduais, prefeituras estratégicas na Baixada Fluminense, no interior e na Região Metropolitana, além de maior tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV. Em eleições recentes, coligações desse porte chegaram a concentrar mais de 30% do tempo de exposição diária, fator decisivo em disputas acirradas.

Para Canella, que constrói sua base sobretudo na Baixada, a entrada formal de União e PP significa ampliar presença em regiões onde o PL ainda é frágil, como parte da Região Serrana e municípios de médio porte do interior. Douglas Castro, por sua vez, ganha um palanque unificado que tende a reduzir a pulverização de candidaturas ao Senado, tradicionalmente disputado em campanhas personalistas e caras. Líderes envolvidos nas negociações falam em “uma chapa robusta, com capilaridade e musculatura política”.

Cálculo político e impactos no tabuleiro fluminense

A aliança pressiona diretamente outros grupos que planejam disputar o governo do Rio em 2026. Siglas que flertavam com candidaturas próprias começam a avaliar novas composições, inclusive na centro-direita, para evitar isolamento diante do bloco liderado pelo PL. A decisão também força partidos à esquerda a acelerar definições internas, sob risco de perderem tempo de articulação num cenário que se polariza com antecedência.

Analistas políticos ouvidos reservadamente apontam que a coalizão cria um polo competitivo capaz de atrair prefeitos e vereadores em busca de recursos, espaço em chapas proporcionais e proteção política. O efeito prático tende a aparecer nos próximos meses, com migração de lideranças locais e acordos regionais que podem redefinir o mapa de apoios em ao menos 30 dos 92 municípios fluminenses. O cálculo é simples: quem embarca cedo na chapa tem mais chances de negociar cargos, verbas e presença em palanques estratégicos.

Histórico eleitoral e busca por estabilidade

O Rio de Janeiro vive ciclos de forte instabilidade política desde a década passada, com sucessivas crises de segurança, operações anticorrupção e afastamentos de governadores. Nesse ambiente, alianças amplas ganham peso como sinal de força e promessa de governabilidade mínima. A articulação entre PL, PP e União se ancora nesse discurso, ao se apresentar como frente capaz de dar previsibilidade administrativa a partir de 2027.

Flávio tenta transformar o capital eleitoral acumulado em eleições recentes em uma rede de apoios consolidada no estado onde construiu sua carreira. A escolha de Canella, político de trajetória em ascensão, e de Douglas Castro, nome projetado nacionalmente no campo conservador, aponta para uma aposta em renovação controlada. Não se trata de romper com o grupo atual, mas de reposicioná-lo para alcançar um eleitorado que cobra resultados concretos em segurança, emprego e combate à corrupção.

Próximos movimentos e incertezas no horizonte

Os próximos meses devem ser marcados por negociações intensas em torno de vagas na chapa majoritária e na disputa proporcional. Vice-governador, suplências no Senado e alianças em grandes cidades, como Rio, Niterói e Duque de Caxias, entram na mesa com peso semelhante ao do próprio Palácio Guanabara. Dirigentes estipulam, nos bastidores, um prazo de cerca de 90 dias para fechar o desenho final das coligações municipais e estaduais.

Parte das incertezas, porém, permanece. Adversários testam candidaturas alternativas, o humor do eleitorado fluminense segue volátil e fatores externos, como economia nacional e segurança pública, podem alterar o cenário até a formalização das candidaturas, em agosto. A aliança lançada hoje se apresenta como ponto de partida, não como solução fechada. A disputa, a partir de agora, gira em torno de uma pergunta central: quem conseguirá convencer o eleitor de que tem mais capacidade real de governar um estado em crise crônica?

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