Esportes

Zverev vence Mensík e chega à primeira final de Roland Garros

Alexander Zverev vence o tcheco Jakub Mensík nesta sexta-feira (5) e avança à final de Roland Garros pela primeira vez. O alemão busca o primeiro título de Grand Slam da carreira em Paris.

Reação de Mensík freia, mas não derruba o favorito

O fim de tarde em Paris reserva um jogo com roteiro mais tenso do que o favoritismo de Zverev sugere. Diante de um novato de 18 anos, que chega à semifinal embalado pela vitória sobre o brasileiro João Fonseca, o alemão alterna controle e pressão até fechar a partida em quatro sets, com autoridade no momento decisivo.

Zverev entra em quadra mais sólido, domina os dois primeiros sets e parece encaminhar uma vitória rápida. Mensík demora a encontrar respostas para o saque pesado e o jogo agressivo do número 4 do mundo, que dita o ritmo a partir da linha de base e abre 2 a 0. A semifinal ganha outro rumo no terceiro set. O tcheco arrisca mais, varia as alturas das bolas e pressiona o segundo saque de Zverev. A mudança funciona, o alemão perde profundidade, comete erros seguidos e vê o jovem rival vencer a parcial por 6/2, trazendo a torcida de volta ao jogo.

O cenário exige mais do que potência de Zverev. Ele desacelera entre pontos, alonga o tempo no saque, conversa com o box e tenta reorganizar o plano de jogo. A experiência pesa. No quarto set, o alemão retoma o controle dos ralis do fundo de quadra, reduz o número de erros não forçados e passa a atacar o backhand de Mensík, que volta a oscilar. A quebra decisiva vem no meio da parcial, quando Zverev aproveita uma sequência de devoluções profundas e confirma o serviço na sequência para abrir vantagem, até fechar em 6/3 e garantir vaga na final.

Salto na carreira e pressão por um título inédito

A classificação deste 5 de junho marca um ponto de virada na trajetória de Zverev em Roland Garros. Aos 29 anos, o alemão finalmente ultrapassa a barreira das semifinais no saibro parisiense, palco em que cai nas três últimas edições antes da decisão. A nova chance de disputar um título de Grand Slam reacende um tema recorrente em sua carreira: a capacidade de entregar na hora decisiva.

Zverev já chega a uma final de Major em 2020, no US Open, quando abre 2 sets a 0 contra Dominic Thiem e deixa o troféu escapar no quinto. Desde então, convive com a imagem de jogador que frequenta o topo do ranking, mas esbarra em detalhes nos momentos mais pesados. O desempenho em Paris, com vitórias consistentes e melhor controle emocional em partidas longas, sinaliza um amadurecimento que se reflete em quadra e no discurso. Ao fim da semifinal, ele resume a sensação: “Eu sei o quanto trabalhei para voltar a esse nível. Agora falta o passo mais difícil”.

O contexto do torneio amplia o peso da campanha. Em um circuito masculino em transição, com Novak Djokovic lidando com limitações físicas e a geração mais jovem ainda em consolidação, Roland Garros de 2026 se torna uma oportunidade rara para Zverev. A ida à final em Paris também tem efeito direto no ranking. Dependendo do resultado da decisão, o alemão pode encurtar a distância para o top 3 e reforçar a posição como um dos nomes centrais da era pós-Big Three.

Do outro lado, Mensík consolida a imagem de promessa real do tênis europeu. A vitória sobre João Fonseca nas quartas e a reação contra Zverev no terceiro set reforçam a leitura de um jogador que combina potência com coragem em momentos desfavoráveis. O tcheco deixa Paris com a melhor campanha da carreira em Grand Slams e pontos importantes para subir no ranking, enquanto o brasileiro, eliminado na fase anterior, confirma a presença do país num cenário de renovação, ainda que sem representantes nas decisões.

Impacto para o tênis mundial e para o Brasil

A presença de Zverev na final de Roland Garros movimenta interesses que vão além da quadra central. Um título de Grand Slam, inédito para ele, consolida não apenas um currículo, mas uma narrativa de superação de frustrações em torneios grandes. A conquista também tende a reposicionar o alemão no mercado global de patrocínios, com ganhos na casa de milhões de dólares em novos contratos, visibilidade ampliada em transmissões e maior participação em campanhas de grandes marcas ligadas ao esporte.

O avanço do alemão fortalece a imagem de Roland Garros como palco de transição de gerações. A semifinal entre um tenista estabelecido no topo e um estreante em grandes campanhas expõe a alta competitividade do circuito e a velocidade com que novos nomes surgem. Para o público, a combinação de um favorito pressionado e um azarão sem medo cria uma narrativa que sustenta a audiência até a final, em um torneio que tradicionalmente bate recordes de público no saibro, com mais de 600 mil pessoas circulando pelo complexo ao longo de duas semanas.

Para o Brasil, o desfecho da campanha em Paris reforça um recado conhecido, mas incômodo. A boa participação de João Fonseca na chave de simples e de Luisa Stefani nas duplas mostra que o país produz talentos, mas ainda carece de estrutura constante para transformá-los em protagonistas em Grand Slams. A derrota de Stefani na semifinal de duplas e as quedas de Fonseca e da juvenil Victoria Barros deixam o país sem representantes nas decisões, e reacendem o debate sobre investimento de base, calendário nacional e apoio privado.

O que está em jogo na decisão em Paris

A final de Roland Garros coloca Zverev diante de uma encruzilhada esportiva. Aos 29 anos, ele já acumula mais de 20 títulos de nível ATP e temporadas seguidas no top 10, mas sente falta do troféu que costuma separar bons jogadores de campeões históricos. Uma vitória no saibro francês muda a forma como ele entra em quadras grandes daqui para frente e alivia a pressão de carregar a etiqueta de promessa eterna.

O duelo que fecha o torneio também ajuda a desenhar o mapa de forças do tênis masculino para os próximos anos. Se Zverev confirma o favoritismo, ganha moral e espaço para ditar o ritmo na corrida pelos próximos Grand Slams. Se deixa escapar a chance mais uma vez, reforça dúvidas sobre sua capacidade de decidir e abre caminho para que outros nomes assumam o papel de protagonistas. A resposta começa a ser escrita na final de Paris, sob o olhar atento de um circuito em busca de novos donos para os grandes palcos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *