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Vitória faz 2 a 0, derruba Inter e encerra série invicta no Brasileirão

O Internacional perde por 2 a 0 para o Vitória, na noite deste sábado (23), no Barradão, em Salvador, e vê cair a série de sete jogos sem derrota no Brasileirão. A equipe de Paulo Pezzolano cria chances, pressiona, mas sucumbe à eficiência do time baiano e à pressão de quase 90 minutos da arquibancada rubro-negra.

Pressão do Barradão, falhas defensivas e um roteiro invertido

A noite começa com o Inter tentando ditar o jogo, mesmo sob chuva e em um gramado pesado. Pezzolano confirma a escolha esperada e escala Rafael Borré na vaga do suspenso Carbonero, mudança que não altera a ideia ofensiva da equipe. A estratégia é clara: posse de bola, ocupação do campo de ataque e intensidade para controlar o Vitória desde o início.

O primeiro susto, porém, vem dos donos da casa. Aos 5 minutos, a marcação colorada falha, Martínez recebe em profundidade de Matheuzinho e sai cara a cara com Anthoni. O meia chuta mal, e o goleiro salva o Inter. A resposta gaúcha é imediata. Aos 8, Matheus Bahia rompe pela esquerda, acha Alerrandro na área, mas o centroavante finaliza mal. Na sobra, o lateral insiste, dribla o marcador e chuta de novo. A bola desvia na zaga e sai rente à trave.

Aos 22 minutos, o Inter tem a melhor chance do primeiro tempo. Bruno Henrique cobra escanteio, Juninho desvia de cabeça, a bola bate em Vitinho e sobra limpa para Mercado. O zagueiro tenta concluir, a defesa bloqueia, e Borré pega o rebote, mas manda por cima. O time gaúcho parece perto do gol, ocupa o campo ofensivo e diminui o ímpeto do Vitória.

O roteiro vira em um lance isolado. Aos 28, o sistema defensivo colorado se desorganiza pelo lado direito. O cruzamento sai na medida, e Renê mergulha de peixinho para abrir o placar. O 1 a 0 muda o ambiente no Barradão. A torcida do Vitória cresce, o Inter se descontrola por alguns minutos e a partida passa a correr no ritmo do time baiano, que ganha confiança a cada dividida.

Na reta final da primeira etapa, o time gaúcho tenta reagir. Bernabei invade a área, disputa com o goleiro Lucas Arcanjo e cai pedindo pênalti. O árbitro Felipe Fernandes de Lima manda o jogo seguir e ainda aplica cartão amarelo no lateral colorado. A reclamação se estende até o intervalo, enquanto o Vitória deixa o campo com a vantagem mínima e a sensação de ter o jogo nas mãos.

Inter pressiona, para no goleiro e é punido no último lance

O intervalo não traz mudanças na escalação, mas altera a postura do Inter. O time volta mais agressivo, sobe as linhas e empurra o Vitória para o próprio campo. Aos 12 minutos, Bernabei recebe em profundidade, ganha do zagueiro na corrida e bate cruzado, à esquerda de Lucas Arcanjo. A bola passa perto, e o banco colorado se levanta acreditando no empate.

A pressão aumenta com o passar do relógio. O Vitória passa a se fechar com duas linhas recuadas, aposta em contra-ataques e tenta esfriar o jogo com faltas e interrupções. Aos 22, Alerrandro arrisca de fora da área e obriga Lucas Arcanjo a fazer uma grande defesa no canto. A torcida baiana vibra com o goleiro como se fosse um gol, em um recado claro de que a noite favorece o mandante.

Pezzolano mexe para manter a equipe viva na partida. Entram Alan Patrick, Allex e Thiago Maia para tentar dar fôlego novo ao meio e ao ataque. O Inter segue empurrando o Vitória para trás, ronda a área e acumula escanteios, cruzamentos e finalizações travadas. Aos 36 minutos, Allex tem boa chance dentro da área, mas pega mal na bola, que sai pela linha de fundo, alimentando a sensação de que o gol não vem nem em uma noite inteira.

O cenário fica ainda mais hostil aos 43. Bernabei recebe o segundo cartão amarelo e é expulso, em lance que desmonta a estratégia de pressão final do Inter. Com um jogador a menos, o time gaúcho segue tentando empatar, mas passa a correr riscos maiores nos contra-ataques. O castigo vem nos acréscimos. Aos 51, Tarzia aproveita a defesa aberta, conduz o contra-ataque e toca na saída de Anthoni para fazer 2 a 0 e definir a vitória baiana.

O placar sintetiza a diferença entre os dois lados. O Inter produz, mas não transforma volume em gol. O Vitória é cirúrgico, aproveita as falhas defensivas, administra melhor os momentos do jogo e conta com um estádio inteiro a seu favor.

Impacto na tabela, moral em alta na Bahia e alerta em Porto Alegre

A derrota no Barradão encerra uma sequência de sete partidas sem perder do Inter no Campeonato Brasileiro. A série é importante para a recuperação colorada na tabela, e o 2 a 0 em Salvador funciona como freio brusco em um momento de retomada. A rodada ainda em andamento pode empurrar o time para baixo na classificação e reabrir a pressão sobre o trabalho de Paulo Pezzolano.

O resultado expõe dois problemas recorrentes da equipe gaúcha. A defesa, que vinha sólida nas últimas rodadas, cede espaços decisivos nos dois gols. O ataque, mesmo com Borré e Alerrandro em campo desde o início, desperdiça oportunidades claras e se mostra incapaz de furar uma defesa bem organizada quando o placar é adverso. Em um campeonato de 38 rodadas, a combinação costuma cobrar preço alto.

Para o Vitória, o efeito é o oposto. O triunfo diante de um adversário em ascensão, em noite de casa cheia, fortalece o ambiente interno e a confiança da torcida. Renê e Tarzia transformam a partida em símbolo de reação, enquanto Lucas Arcanjo se consolida como peça fundamental em jogos de pressão. O Barradão volta a pesar como fator local, algo vital para um time que tenta se afastar da parte de baixo da tabela.

Próximo desafio antes da pausa e o que está em jogo

O Inter não tem muito tempo para assimilar o baque. No próximo domingo, volta a campo contra o Bragantino, novamente fora de casa, no último compromisso antes da pausa do Brasileirão para a Copa do Mundo. O confronto vira teste imediato de reação emocional e tática. Um novo tropeço pode cristalizar a queda de rendimento e transformar a parada em período de cobrança intensa.

Pezzolano precisa ajustar o sistema defensivo, recuperar a confiança do ataque e preservar o ambiente interno em meio à oscilação natural de um campeonato longo. A pausa que se aproxima pode servir de laboratório ou de clima de incêndio, dependendo da atuação em Bragança Paulista. Resta saber se o Inter vai usar a derrota em Salvador como ponto de alerta ou como início de uma nova série de problemas.

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