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Vietnã desmantela quadrilha que roubava gatos para abate e consumo

Autoridades do Vietnã desmantelam, em junho de 2026, uma rede criminosa acusada de roubar gatos para abate e consumo humano. Nove pessoas são presas e mais de 400 animais são resgatados vivos em operações na província de Tay Ninh e na cidade de Ho Chi Minh.

Rede de roubos expõe os bastidores do comércio de carne de gato

A investigação tem início em 11 de junho, após uma sequência de denúncias de desaparecimento de animais de estimação em bairros de Ho Chi Minh. Policiais seguem o rastro de roubos e localizam um grupo que, segundo as autoridades, atua há pelo menos três anos em várias cidades do sul vietnamita.

Os agentes encontram mais de 400 gatos vivos em condições precárias de confinamento. Em freezers, apreendem cerca de 80 animais mortos, preservados em gelo e prontos para serem enviados a comerciantes que vendem carne de gato. Em outro endereço, a polícia recolhe mais 21 gatos, também destinados ao abate.

O caso vem a público em 18 de junho, quando a organização de defesa animal Humane World for Animals Viet Nam divulga detalhes da operação. A entidade confirma que cerca de 40 gatos já retornam a seus lares, identificados por tutores que reconhecem os animais entre os resgatados.

O jornal oficial da polícia de Ho Chi Minh, citado pela agência AFP, descreve o grupo como um “grupo criminoso especializado em roubar e coletar gatos”. Os suspeitos, segundo a própria polícia, admitem capturar animais em diferentes províncias do sul e entregá-los a intermediários que abastecem o mercado de carne.

Mercado legal, rede ilegal e mudança de opinião pública

O consumo de carne de cães e gatos é legal no Vietnã, desde que os comerciantes apresentem documentação que comprove a origem dos animais. A quadrilha agora investigada opera à margem dessa regra, sem qualquer autorização sanitária ou registro de procedência, o que transforma cada captura em um crime de roubo e maus-tratos.

A Humane World for Animals afirma que fornece ração, cuidados básicos e outros suprimentos para os gatos que seguem sob custódia policial enquanto o inquérito avança. Em comunicado divulgado na terça-feira, 16 de junho, a organização elogia o trabalho dos agentes, classifica a ação como “decisiva” e ressalta que “salvou a vida de tantos animais”. Ao mesmo tempo, reconhece que “alguns deles morreram posteriormente em consequência do sofrimento que enfrentaram”.

As investigações revelam uma rotina estável de fornecimento de animais. De acordo com a polícia, o grupo recolhe gatos em diferentes bairros e zonas rurais, reúne os animais em locais de confinamento e os envia a comerciantes a cada dois ou três dias. O fluxo constante indica uma cadeia organizada, com divisão de tarefas entre caçadores, transportadores e compradores.

O episódio joga luz sobre a dimensão desse tipo de comércio no país. Estimativas da Humane World for Animals apontam que, todos os anos, cerca de cinco milhões de cães e um milhão de gatos são capturados, roubados, traficados e abatidos para consumo humano no Vietnã. Parte expressiva desses animais, segundo a entidade, sai diretamente de lares, roubada de quintais e varandas.

Relatos reunidos pela ONG indicam que cães são muitas vezes envenenados com iscas, o que facilita a captura rápida para revenda. Gatos, menores e mais ágeis, são apanhados com armadilhas de mola espalhadas em ruas e terrenos baldios. O esquema derrubado em Tay Ninh e Ho Chi Minh se encaixa nesse padrão descrito por ativistas e tutores de animais.

Impacto sobre tutores, pressão social e próximos passos da investigação

A operação traz um alívio imediato para dezenas de famílias que buscam seus animais há semanas ou meses. A polícia orienta moradores que suspeitam do roubo de seus gatos a comparecer às delegacias para ajudar na identificação dos bichos recuperados. Cada reencontro, registrado em fotos e vídeos pela Humane World for Animals, reforça a dimensão doméstica do crime: não se trata apenas de comércio irregular, mas da ruptura de vínculos afetivos construídos ao longo de anos.

O caso também alimenta um debate que ganha força entre jovens vietnamitas e donos de pets. Pesquisa encomendada em 2023 pela Humane World for Animals mostra crescimento da rejeição ao consumo de carne de cães e gatos, com maiorias entre esses grupos defendendo a proibição total desse tipo de comércio. A quadrilha desmantelada agora se torna símbolo, para ativistas, de um sistema que sobrevive cada vez mais em conflito com a opinião pública urbana.

Autoridades vietnamitas evitam, por enquanto, discutir mudanças amplas na legislação. O foco imediato recai sobre a responsabilização dos nove suspeitos presos, que respondem por roubo, maus-tratos e violação das regras de comércio de animais para consumo. A expectativa é que o caso sirva de precedente para operações semelhantes em outras províncias, onde denúncias de sumiço de cães e gatos se acumulam.

A Humane World for Animals defende que o episódio de Tay Ninh e Ho Chi Minh acelere reformas. A entidade pede que o governo imponha controles mais rígidos sobre o transporte de animais, amplie as exigências de rastreabilidade e considere a proibição do comércio de carne de gatos. Ativistas dizem que a mudança não dependerá apenas de leis, mas da disposição de consumidores, cada vez mais expostos a imagens de resgates e denúncias.

O desfecho judicial do caso deve indicar até onde as autoridades estão dispostas a ir nesse conflito entre tradição, economia e proteção animal. A cada novo resgate, a pergunta volta a circular nas redes sociais vietnamitas: por quanto tempo um mercado que depende de roubo e sofrimento ainda encontra espaço em um país que se urbaniza e se afeiçoa a seus animais de estimação?

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