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Trump propõe adesão em massa de países árabes aos Acordos de Abraão

Donald Trump propõe, neste sábado (23), que oito países árabes assinem os Acordos de Abraão para tentar destravar um novo ciclo de paz no Oriente Médio. A iniciativa mira Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein. A ofensiva diplomática busca redesenhar, em poucas semanas, alianças cultivadas há décadas na região.

Trump volta ao tabuleiro do Oriente Médio

O ex-presidente dos Estados Unidos retoma conversas diretas com líderes árabes e se coloca, mais uma vez, como fiador de uma paz negociada com Israel. As tratativas, segundo interlocutores, ocorrem por telefone e reuniões reservadas, com foco em normalizar relações diplomáticas e econômicas ainda marcadas por desconfiança mútua. O roteiro tenta reproduzir, em escala ampliada, o movimento de 2020, quando Emirados Árabes Unidos e Bahrein assinam os primeiros Acordos de Abraão com Israel.

A proposta agora é mais ambiciosa. Trump busca alinhar pelo menos oito capitais em torno de um pacto que inclua reconhecimento formal de Israel, abertura de embaixadas e cooperação em segurança e comércio. A ideia circula entre chanceleres e assessores militares como uma espécie de pacote regional, não mais como acordos bilaterais isolados. “Cada novo signatário reduz o espaço para o conflito e amplia o da cooperação”, afirma um diplomata envolvido nas conversas.

Impacto potencial na guerra e no xadrez regional

A entrada de países centrais, como Arábia Saudita, Egito e Turquia, criaria um bloco de mais de 400 milhões de habitantes disposto a negociar com Israel. Em termos econômicos, o grupo somaria um PIB superior a US$ 3 trilhões, com peso direto em rotas de comércio, energia e defesa. Na prática, isso poderia redesenhar fronteiras políticas e militares em uma região que acumula guerras sucessivas desde, ao menos, a criação do Estado de Israel, em 1948.

O cálculo de Trump é que a normalização em cadeia reduza o custo político de manter confrontos abertos. Governos que assinam os Acordos de Abraão passam a ter incentivos financeiros concretos, como investimentos, crédito internacional e parcerias tecnológicas. “Se o comércio cresce 20% ou 30% em poucos anos, o apelo pela paz ganha outro peso”, diz um consultor de negócios que acompanha as negociações. O efeito esperado é diminuir o espaço de grupos armados e fortalecer governos dispostos a negociar cessar-fogos duradouros.

Quem ganha, quem resiste e o que vem a seguir

Israel surge como um dos principais beneficiados, com acesso mais amplo a mercados árabes e cooperação em inteligência e defesa antimísseis. Países do Golfo, como Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, enxergam oportunidade de diversificar economias que ainda dependem, em alguns casos, mais de 50% das receitas do petróleo e do gás. Para Egito e Jordânia, já ligados a Israel por tratados de paz anteriores, a ampliação do bloco pode aliviar pressões internas e atrair bilhões de dólares em projetos de infraestrutura, energia e turismo.

O movimento não é isento de riscos. Setores nacionalistas e grupos palestinos veem a expansão dos Acordos de Abraão como sinal de isolamento político, sem garantias claras de um Estado próprio. Governos árabes que avançarem rápido demais podem enfrentar reações nas ruas e no Parlamento, principalmente se a guerra se prolongar ou se o número de mortos civis aumentar. A pergunta que paira sobre as capitais da região é se a promessa de estabilidade e crescimento, projetada para a próxima década, consegue superar décadas de desconfiança e violência. As próximas semanas indicam se a aposta de Trump inaugura um novo capítulo diplomático ou reabre antigas fissuras no coração do Oriente Médio.

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