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Trump pressiona países árabes a aderir aos Acordos de Abraão

Donald Trump volta a mirar o Oriente Médio e, em 23 de maio de 2026, pede a oito países árabes que ingressem nos Acordos de Abraão com Israel. O ex-presidente dos Estados Unidos tenta reativar sua marca de política externa ao defender uma ampla normalização diplomática e o fim das hostilidades na região.

Pressão direta sobre capitais árabes

Trump dirige a ofensiva diplomática a governos de Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein. Ele atua por meio de conversas reservadas, telefonemas e encontros com líderes e enviados especiais desses países, segundo interlocutores presentes em parte das reuniões. O objetivo declarado é ampliar a rede de países que reconhecem Israel e mantêm relações formais com o governo de Tel Aviv.

O ex-presidente se apresenta como fiador de um novo ciclo de cooperação regional, retomando o discurso de 2020, quando sua administração patrocinou a assinatura original dos Acordos de Abraão. Na ocasião, Emirados Árabes Unidos e Bahrein formalizaram laços com Israel, seguidos por Sudão e Marrocos, em um movimento visto pela Casa Branca como o principal trunfo externo do mandato republicano. Se agora obtiver a adesão de mais oito capitais, Trump praticamente dobrará o número de signatários árabes do arranjo.

Promessa de paz, negócios e segurança

O discurso de Trump mistura promessa de paz com promessas econômicas concretas. Assessores falam em pacotes de investimentos bilionários, projetos de infraestrutura energética e garantias de segurança, em especial para monarquias do Golfo que veem o Irã como ameaça central. A mensagem é direta: quanto maior a integração com Israel, maior o fluxo de capital, tecnologia e proteção militar ocidental.

A proposta ganha peso em uma região que convive com conflitos quase ininterruptos há mais de sete décadas. Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, guerras, intifadas e operações militares sucessivas deixaram centenas de milhares de mortos e deslocados. O atual esforço tenta reorganizar o tabuleiro, aproximando governos que, na prática, já mantêm algum nível de cooperação de bastidor com Israel em áreas como inteligência, tecnologia e defesa antimísseis.

Diplomatas envolvidos nas conversas descrevem um tom confiante. “Trump insiste que a normalização ampla é a única saída sustentável para a região”, relata um negociador árabe, sob condição de anonimato. A leitura do entorno do ex-presidente é que a fadiga com conflitos prolongados, somada à necessidade de diversificar economias dependentes do petróleo, abre espaço para acordos antes impensáveis.

Resistências, riscos e impacto regional

A ofensiva, porém, esbarra em resistências internas e externas. Governos como os de Catar e Turquia lidam com opiniões públicas sensíveis à causa palestina e temem ser vistos como aliados incondicionais de Israel sem avanços claros no processo de paz. Analistas lembram que, mesmo após seis anos dos primeiros acordos, negociações sobre fronteiras, status de Jerusalém e retorno de refugiados continuam travadas.

Em países como Egito e Jordânia, que já têm relações formais com Israel há décadas, a discussão gira menos em torno do reconhecimento e mais sobre o grau de aproximação. Militares e serviços de inteligência veem ganhos na coordenação de segurança, sobretudo na contenção de grupos armados e no controle de fronteiras. Setores da sociedade civil, no entanto, temem que a ampliação dos laços aconteça sem contrapartidas claras em direitos humanos e reconstrução de áreas devastadas por conflitos recentes.

Economistas da região apontam que uma adesão conjunta dos oito países poderia criar um corredor econômico que somaria mais de 400 milhões de habitantes e um PIB agregado superior a US$ 3 trilhões, considerando dados de 2025 do FMI. O cálculo, ainda preliminar, inclui projetos de integração de redes elétricas, corredores logísticos ligando o Mediterrâneo ao Golfo e parcerias em segurança cibernética. “O potencial de negócios é inegável, mas não elimina o risco político”, afirma um consultor de comércio exterior baseado em Dubai.

Próximos passos e incertezas

Os próximos meses devem expor o grau real de disposição dos governos árabes em avançar na direção indicada por Trump. As equipes técnicas discutem minutas de acordos setoriais, cronogramas de abertura de embaixadas e mecanismos de garantia de segurança conjunta. No horizonte, circula a ideia de uma cúpula regional ainda em 2026, para anunciar novos signatários dos Acordos de Abraão, caso as conversas prosperem.

O processo, porém, corre em paralelo à volatilidade da política americana e à incerteza sobre o papel de Washington em uma região marcada por rivalidades históricas. A iniciativa de Trump recoloca em primeiro plano uma pergunta que atravessa décadas de diplomacia: normalizar relações com Israel sem resolver o conflito palestino abre caminho para a paz ou apenas congela um problema central? A resposta, desta vez, passa por oito capitais árabes e por um ex-presidente decidido a deixar novamente sua marca no mapa do Oriente Médio.

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