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Trump enfrenta maior teste de controle sobre Partido Republicano no Congresso

Donald Trump enfrenta, no início de junho de 2026, o maior teste de controle sobre o Partido Republicano desde que deixa a Casa Branca. Em Washington, debates e votações em série no Congresso revelam fissuras profundas na legenda e colocam em dúvida a capacidade do ex-presidente de impor sua linha política. O resultado deve redesenhar a disputa interna até a corrida presidencial de 2028.

Rebelião à vista no Capitólio

As sessões desta semana no Capitólio giram em torno de cargos-chave e da agenda oficial do partido no Congresso. Em jogo estão a liderança da bancada na Câmara, a presidência de pelo menos três comissões estratégicas e o texto final do plano eleitoral republicano para os próximos dois anos. Entre aliados de Trump, a palavra mais ouvida nos corredores é “lealdade”; entre dissidentes, a preocupação é “sobrevivência” nas urnas.

Deputados que conquistam mandatos em distritos competitivos afirmam, em conversas reservadas, que o alinhamento total a Trump ameaça sua reeleição em 2026. Eles cobram espaço para uma agenda mais moderada em temas como imigração, orçamento e política externa. “Não podemos perder 10, 15 cadeiras por insistência em disputas pessoais”, reclama um republicano de primeiro mandato, sob condição de anonimato, ao deixar uma reunião a portas fechadas.

Trump acompanha cada movimento a distância, a partir de sua base política na Flórida, mas mantém linha direta com líderes leais no Capitólio. Em telefonemas e encontros reservados, pressiona para que nomes alinhados assumam postos nas comissões de Justiça, Orçamento e Relações Exteriores, centrais para sua estratégia. A avaliação do entorno do ex-presidente é que a configuração dessas três cadeiras define, em grande parte, a disciplina do partido até o fim da atual legislatura.

A tensão aumenta depois que, segundo assessores, ao menos 20 deputados republicanos indicam que podem votar contra candidatos abertamente identificados com Trump em uma das comissões. O número é suficiente para uma derrota simbólica, caso democratas votem em bloco. “Ninguém quer uma guerra civil no partido, mas há limites para o personalismo”, afirma um veterano republicano, com mais de 20 anos de Congresso.

Disputa por rumo ideológico e cálculo eleitoral

As divergências não surgem agora, mas ganham forma concreta nas pautas em discussão. De um lado estão parlamentares que defendem manter o partido ancorado no trumpismo, com discurso duro em temas culturais, ataques a instituições federais e resistência a acordos bipartidários. De outro, um grupo que insiste em recuperar a marca de conservadorismo tradicional, focado em cortes de gastos, previsibilidade fiscal e maior previsibilidade na política externa.

A disputa se reflete em minúcias do calendário legislativo. Aliados de Trump cobram que a liderança priorize, já em julho, projetos que miram diretamente o governo democrata, mesmo com baixa chance de aprovação no Senado. O grupo rival pede concentração em propostas com impacto direto sobre inflação, infraestrutura e segurança pública, de olho em pesquisas que apontam o custo de vida como principal preocupação de mais de 60% dos eleitores.

Consultores eleitorais próximos à direção republicana alertam que a legenda corre o risco de repetir o desempenho irregular das eleições de meio de mandato de 2022, quando conquistou a Câmara por margem estreita. Naquele ano, candidatos fortemente associados a Trump perdem disputas decisivas em estados como Pensilvânia, Arizona e Geórgia. “Se ignorarmos esses sinais, 2028 pode escapar antes de começar”, resume um estrategista republicano que trabalha para campanhas em pelo menos quatro estados competitivos.

Pesquisas internas, segundo interlocutores, mostram um partido dividido em três blocos quase equivalentes: cerca de um terço fiel a Trump em qualquer cenário, outro terço crítico, mas ainda aberto a negociação, e um grupo volátil que oscila conforme o ambiente econômico e a popularidade do governo democrata. Essa fragmentação torna cada votação no Congresso um termômetro imediato do peso real do ex-presidente.

Analistas em Washington lembram que, historicamente, disputas internas já redefiniram o rumo dos partidos americanos. Em 1964, a ascensão de Barry Goldwater desloca os republicanos para a direita; em 1994, a “Revolução Republicana” de Newt Gingrich remodela a oposição a Bill Clinton. O teste de 2026, avaliam, tem potencial semelhante, pois envolve não só a figura de Trump, mas a forma como o partido se posiciona diante de um eleitorado mais polarizado e volátil.

O que está em jogo para 2028 e além

As decisões tomadas neste mês impactam diretamente a corrida presidencial de 2028. A configuração das lideranças e comissões define quais vozes ganham visibilidade, quais temas ocupam o noticiário e que tipo de candidato o partido estará preparado para lançar. Se Trump mantiver o controle, ganha força o cenário de uma nova candidatura sua ou de um herdeiro político explícito, disposto a repetir sua retórica e seu estilo de confronto.

Se o ex-presidente sofrer derrotas seguidas nas votações internas, abre-se espaço para nomes que tentam se apresentar como republicanos “pós-Trump”, com discurso conservador, mas menos centrado em conflitos pessoais. Senadores de perfil mais tradicional, governadores de estados industriais e até ex-integrantes de sua própria administração já se movimentam nos bastidores. “O partido precisa escolher se quer voltar a ganhar maioria no país ou continuar ganhando aplausos em comícios”, resume um ex-assessor de campanha republicano.

O impacto não se limita às fronteiras americanas. Governos e mercados acompanham o desfecho com atenção, sobretudo na Europa e na Ásia, onde decisões de Washington sobre comércio, clima e segurança militar têm efeito imediato. A leitura em embaixadas estrangeiras é que um Partido Republicano mais previsível tende a reduzir sobressaltos na política externa dos EUA, enquanto a manutenção do trumpismo sinaliza mais choques retóricos e incerteza sobre acordos multilaterais.

Nas próximas semanas, novas rodadas de votação em comissões e na liderança da bancada devem indicar se a rebelião contra Trump se consolida ou recua. Até o recesso parlamentar, previsto para agosto, dirigentes republicanos esperam ter um quadro mais claro sobre quem controla a máquina partidária em Washington. A pergunta que circula hoje nos corredores do Congresso, porém, permanece sem resposta: o Partido Republicano ainda é de Trump ou está pronto para buscar outro rumo?

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