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Trump diz que chanceler alemão deve consertar “país quebrado”

Donald Trump acusa o chanceler alemão, Friedrich Merz, de ignorar um “país quebrado” e manda que ele cuide da Alemanha, em 30 de abril de 2026. A declaração responde a críticas de Merz à atuação dos Estados Unidos na crise com o Irã.

Crise diplomática em meio à guerra no Irã

O ataque verbal de Trump acontece enquanto Washington tenta manter o apoio de aliados europeus na resposta ao conflito em curso no Irã. As palavras do ex-presidente expõem fissuras numa aliança que há décadas sustenta a política ocidental no Oriente Médio.

Merz questiona nos últimos dias a condução americana da crise, ao afirmar que os Estados Unidos “estão sendo humilhados” pela escalada iraniana e pela dificuldade de conter novos ataques na região. A crítica circula em Berlim e em Bruxelas, onde governos europeus discutem sanções adicionais e a presença de tropas no Golfo Pérsico.

Trump reage em declarações públicas, em tom personalista. Diz que o chanceler “deveria focar em consertar os problemas internos da Alemanha” e chama o país de “quebrado”, em referência a sucessivas crises econômicas, à alta no preço da energia e a impasses sobre migração. “Ele deveria consertar o seu país quebrado antes de falar dos Estados Unidos”, afirma.

O embate ganha peso porque ocorre enquanto diplomatas americanos e europeus ainda tentam articular uma frente comum após mais de dois anos de tensão crescente com Teerã. Desde 2024, ataques na região do Estreito de Ormuz e em bases ocidentais se multiplicam, e as negociações sobre o programa nuclear iraniano patinam.

Risco para a coesão entre aliados

Críticas públicas entre líderes dos dois lados do Atlântico não são novidade, mas o tom de Trump pressiona uma relação já desgastada. Alemanha e Estados Unidos são os dois maiores contribuintes da Otan, que reúne hoje 32 países, e precisam alinhar posições para qualquer decisão militar ou pacote de sanções mais duro contra Teerã.

Diplomatas ouvidos reservadamente em capitais europeias admitem desconforto com a escalada retórica. O receio é que a troca de ataques saia da esfera pessoal e se converta em bloqueio concreto nas mesas de negociação sobre o Irã, onde cada frase conta. Se Berlim endurece contra Washington, outros parceiros, como França e Itália, tendem a seguir com mais cautela.

Nos últimos cinco anos, a política externa alemã tenta equilibrar pressão sobre o regime iraniano e preservação de canais de diálogo. Empresas do país têm contratos bilionários em setores como energia, construção e química no Oriente Médio. Qualquer aumento de tensão, acompanhado de novas sanções, afeta exportações, cadeias de suprimentos e preços internos.

Os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam pressão doméstica para mostrar força após uma série de ataques a posições de aliados na região. A Casa Branca busca apoio político externo para legitimar eventuais ações militares adicionais ou bloqueios econômicos. Um parceiro central em dúvida, como a Alemanha, reduz a margem de manobra de Washington.

Analistas em Berlim avaliam que o episódio fortalece alas mais céticas em relação a Trump dentro da União Europeia. Também amplia o debate sobre até que ponto governos europeus devem se alinhar automaticamente à estratégia americana em conflitos no Oriente Médio. O desgaste chega num momento em que a opinião pública, tanto na Europa quanto nos EUA, mostra fadiga com envolvimentos militares prolongados.

Próximos passos e impacto nas negociações

A troca de acusações deve repercutir nas próximas rodadas de conversas multilaterais sobre o Irã, previstas para as próximas semanas em Genebra e em Viena. Delegações americanas e europeias pretendem discutir novas sanções setoriais, com foco em petróleo, tecnologia e finanças, além de eventuais garantias de segurança para rotas marítimas estratégicas.

Interlocutores esperam que Berlim cobre de Washington mais previsibilidade e consultas prévias antes de qualquer escalada militar. Ao mesmo tempo, a equipe de Trump tende a usar a crítica a Merz como sinal de que os EUA não aceitarão questionamentos públicos sem resposta, o que pode endurecer o clima nas salas de negociação.

Na prática, empresas globais, mercados de energia e governos do Oriente Médio acompanham de perto essa disputa discursiva. Cada sinal de fratura entre Washington e Berlim alimenta incerteza política e financeira, pressiona o preço do barril de petróleo e força países dependentes de importações a refazer cálculos orçamentários para 2026 e 2027.

A imagem internacional de Merz entra em teste, assim como a de Trump, que segue como figura central no debate americano sobre política externa. A capacidade dos dois de recuar do ataque pessoal e retomar um diálogo pragmático vai indicar se a crise atual será um episódio pontual ou o sintoma de um afastamento mais profundo entre Estados Unidos e Alemanha.

Enquanto o Irã segue no centro das tensões e as grandes potências tentam desenhar uma saída, a pergunta que permanece é se os aliados ocidentais ainda conseguem falar a mesma língua quando o custo político interno aumenta.

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