Trump ameaça Omã e eleva a 15 lista de países sob mira dos EUA
Donald Trump ameaça atacar Omã em reunião de gabinete na Casa Branca nesta quarta-feira (27) e amplia para 15 o número de países sob sua mira militar. A declaração reacende o debate sobre a estratégia externa agressiva do ex-presidente e a instabilidade gerada por suas ameaças públicas.
Escalada verbal atinge o Golfo e expõe governo de Omã
Trump reage à possibilidade de Omã atuar ao lado do Irã no controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Diante de ministros e assessores, ele afirma que o país árabe precisa se alinhar às exigências de Washington ou enfrentar uma retaliação direta.
“Omã vai se comportar como todos os outros, ou teremos que explodi-los”, diz o ex-presidente, em tom casual, como um comentário à parte da discussão principal. O fraseado, sem preparação visível, reforça o padrão de improviso e de ameaça pública que marca sua política externa desde o primeiro mandato, iniciado em 2017.
Omã entra em uma lista que já inclui ao menos outros 14 países, da América do Norte ao Oriente Médio, que Trump ameaça atacar, mantém como alvo potencial ou de fato bombardeia nos últimos anos. A relação mistura adversários históricos, como Irã e Coreia do Norte, e parceiros tradicionais, como Canadá e México, além de países estratégicos para a segurança energética e comercial dos Estados Unidos.
Nesse período, que se estende pelos dois mandatos e chega a maio de 2026, Trump autoriza ataques em sete países: Irã, Iraque, Nigéria, Somália, Síria, Venezuela e Iêmen. Em alguns casos, como no Iraque, a ofensiva tem como alvo grupos classificados por Washington como organizações terroristas, não o governo central em Bagdá, o que não reduz o risco de escalada regional.
Quinze países na linha de fogo e 1 em cada 11 pessoas sob ameaça
O mapa das ameaças e ataques de Trump cobre quatro dos seis continentes mais populosos: África, Ásia, América do Norte e América do Sul. Apenas Europa e Oceania ficam parcialmente fora, embora a Groenlândia, território dinamarquês na América do Norte, entre no radar quando o republicano fala em anexação e não descarta o uso de força. Na prática, a retórica atinge a Dinamarca, Estado soberano responsável pela ilha.
Somados, os 15 países sob ameaça direta, possibilidade de ataque ou alvo de bombardeio representam a população equivalente a cerca de 1 em cada 11 habitantes do planeta. Em outras palavras, centenas de milhões de pessoas convivem, em maior ou menor grau, com a incerteza de uma ofensiva comandada por Washington sob liderança de Trump.
No Oriente Médio, região com menos de 20 países, cinco já sentem o impacto direto da postura beligerante do republicano. Irã, Iraque, Síria, Iêmen e agora Omã se somam a um histórico de decisões que moldam a geopolítica da região mais volátil do mundo. Cada nova ameaça reforça a percepção de que a Casa Branca, sob Trump, privilegia o uso da força em detrimento de negociações longas.
A ofensiva não se limita a guerras declaradas. No Mar do Caribe e no Pacífico, a ordem para atingir supostos barcos de narcotráfico resulta em quase 60 embarcações destruídas e mais de 190 mortos, segundo dados oficiais. As ações miram o crime organizado, mas alimentam questionamentos sobre transparência, proporcionalidade no uso da força e respeito a normas internacionais.
Mesmo aliados históricos entram no círculo de pressão. Canadá, México, Panamá, Cuba, Groenlândia e Venezuela são citados em discursos ou entrevistas como possíveis alvos de intervenção militar. Em vários momentos, Trump evita descartar a opção de ataque, mantendo a ambiguidade como instrumento de barganha diplomática e de intimidação.
Teoria do “louco”, mercados em alerta e alianças em teste
Especialistas em política externa descrevem essa postura como aplicação calculada da chamada “teoria do louco”. A lógica, formulada na Guerra Fria, sugere que um líder que parece imprevisível e disposto a ir ao limite força adversários a recuar para evitar uma catástrofe. Trump abraça essa imagem e a transforma em marca de governo.
A estratégia, porém, cobra um preço. Cada ameaça direcionada a países-chave para o comércio global, como os que cercam o Estreito de Ormuz ou o Canal do Panamá, provoca reação imediata em mercados de energia, frete marítimo e seguros internacionais. O simples risco de confronto armado na região eleva prêmios de seguro, encarece o transporte de carga e pressiona o preço do barril de petróleo.
Nos bastidores diplomáticos, aliados tradicionais dos Estados Unidos passam a calibrar o grau de confiança na palavra de Washington. Governos de países amigos, como Canadá e nações europeias, veem com inquietação o fato de que cinco dos 15 países citados por Trump como possíveis alvos são, em tese, parceiros estratégicos. A fronteira entre pressão legítima e ameaça aberta se torna mais tênue.
As próprias populações desses países vivem uma rotina de sobressalto. Em territórios já marcados por conflitos, como Síria e Iêmen, novos bombardeios agravam crises humanitárias prolongadas. Em nações que não estão em guerra, como Canadá ou Omã, a menção a uma possível ofensiva norte-americana corrói a sensação de segurança e alimenta discursos nacionalistas.
O que vem depois de Omã
Ao mirar Omã em maio de 2026, Trump sinaliza que mantém o radar voltado para o Golfo e para qualquer país que possa influenciar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. A região, vitrine da disputa com o Irã, segue como teste permanente para a combinação de bravatas públicas e ações militares que marca sua gestão.
Diplomatas em capitais ocidentais avaliam que a insistência na intimidação pública pode limitar a margem de manobra de futuros governos dos Estados Unidos, pressionados a comprovar força ou a reverter promessas herdadas. A lista de 15 países ameaçados ou atacados se torna, assim, não apenas um retrato da era Trump, mas um desafio para a próxima geração de formuladores de política externa em Washington. A questão que resta é até quando o mundo aceitará conviver com uma doutrina que transforma a imprevisibilidade em método de governo.
