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STJD reduz pena, mas mantém Abel Ferreira fora do Brasileirão

O STJD reduz parte da punição, mas mantém Abel Ferreira suspenso por reincidência em abril de 2026. O técnico seguirá fora do Palmeiras no Brasileirão.

Redução parcial, frustração completa no Palmeiras

A decisão sai nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, e esfria a expectativa do Palmeiras de ver Abel de volta à beira do campo ainda neste mês. O tribunal diminui a pena pela expulsão contra o Fluminense para um jogo, mas preserva a suspensão de seis partidas aplicada pelo episódio no clássico contra o São Paulo. Na prática, o treinador continua afastado dos próximos quatro compromissos do time pelo Campeonato Brasileiro.

A sanção vale apenas para competições organizadas pela CBF. Abel segue liberado para comandar o Palmeiras na Libertadores, sob responsabilidade da Conmebol, o que cria um cenário curioso: o mesmo técnico que dirige o time em jogos continentais precisa entregar o comando a auxiliares em rodadas decisivas do Brasileirão. No clube, dirigentes tratam o desfecho como uma vitória parcial, insuficiente para aliviar o incômodo com o tribunal.

Reincidência pesa, efeito suspensivo é negado

O processo se arrasta desde o início de abril, quando o STJD se debruça sobre as expulsões de Abel em partidas contra Fluminense e São Paulo. As imagens mostram o técnico em discussões acaloradas com a arbitragem, somadas a relatos da súmula. O tribunal enxerga reincidência em condutas semelhantes e usa esse histórico como base para sustentar a punição mais longa, de seis jogos, no clássico paulista.

Na semana anterior ao julgamento final, o Palmeiras parte para a ofensiva jurídica. O clube tenta um efeito suspensivo para liberar o treinador ao menos para o clássico contra o Corinthians, marcado para o fim de semana. O pedido chega ao STJD na quinta-feira, dia 9, e é rejeitado no sábado, 11, em decisão monocrática. A negativa impede a volta imediata de Abel ao banco de reservas e aciona um novo grau de tensão entre o clube e a Justiça Desportiva.

O incômodo extrapola os corredores internos e vira posicionamento público. Em nota divulgada nas redes sociais, o Palmeiras fala em “rigor desproporcional” e questiona o método usado no julgamento. “Em decisão que foge aos preceitos historicamente adotados pelas comissões disciplinares, nosso treinador foi punido com rigor desproporcional, em uma sessão que considerou, entre outras imprecisões, uma leitura labial sem qualquer respaldo pericial”, afirma o texto.

O clube também acusa o tribunal de tratamento desigual em relação a outros casos recentes. “Em inúmeros casos semelhantes, o mesmo tribunal atendeu a essa solicitação, como forma de garantir o amplo direito à defesa; com o treinador do Palmeiras, contudo, observa-se tratamento desigual, destoando dos princípios da isonomia”, diz a nota. A reincidência de Abel, contudo, pesa no plenário do STJD, que entende haver necessidade de resposta mais dura a sucessivas explosões à beira do gramado.

Quatro jogos sem o técnico e pressão sobre a CBF

A manutenção da sanção mais longa projeta um abril e um início de maio de ajustes no banco palmeirense. Abel está fora dos duelos contra Athletico-PR, em casa, Red Bull Bragantino, fora, Santos, no Allianz Parque, e Remo, também fora, todos pelo Brasileirão. Em um calendário apertado, com viagens, Libertadores e Copa do Brasil, a ausência do técnico em quatro rodadas pesa não só na estratégia, mas no controle emocional de um elenco acostumado à presença intensa do português.

Os auxiliares assumem a rotina de orientar a equipe à beira do campo, enquanto Abel se limita à preparação no dia a dia e à montagem do plano de jogo. A comunicação durante as partidas, restrita por regras da CBF, se torna um desafio adicional. Em campeonatos de pontos corridos, cada rodada pesa, e uma sequência sem o principal líder técnico aumenta o risco de tropeços que cobram preço em outubro e novembro. A diretoria teme perder terreno em uma largada que costuma definir o tom do campeonato.

A crise com o tribunal se soma a um atrito paralelo com a CBF. No mesmo comunicado em que critica a condução do julgamento, o Palmeiras mira a decisão da entidade de adiar o Fla-Flu da 11ª rodada, transferido de sábado, 11, para domingo, 12. O clube paulista enxerga benefício direto ao Flamengo, que ganha um dia extra de recuperação após viagem pela Libertadores. “É necessário questionar, contudo, por que somente um clube tem a sua solicitação atendida, enquanto outras equipes vêm tendo pedidos similares sistematicamente rejeitados”, escreve o Verdão.

O discurso coloca em xeque a imparcialidade da confederação na gestão do calendário. A nota lembra que todos os participantes lidam com deslocamentos longos, fusos horários e pouco intervalo entre jogos. “Em um calendário reconhecidamente desafiador, todos os clubes enfrentam dificuldades logísticas – incluindo o Palmeiras – e, por isso, é essencial que haja imparcialidade e transparência em decisões que podem impactar o campeonato”, completa o texto.

Segunda instância, bastidores e credibilidade em jogo

A estratégia jurídica do Palmeiras não se encerra com a redução da pena ligada ao jogo contra o Fluminense. O clube prepara recurso à segunda instância do STJD para tentar, ao menos, diminuir o gancho de seis partidas decorrente do clássico com o São Paulo. A expectativa é que o caso volte à pauta ainda neste semestre, em data a ser definida pelo tribunal. Internamente, a diretoria aposta em revisão mais “coerente”, como registra a nota oficial, e em maior peso para a defesa apresentada pelo departamento jurídico.

O desfecho pode ir além da situação de Abel. O debate sobre reincidência, leitura labial e parâmetros de punição para treinadores volta ao centro da discussão no futebol brasileiro. A forma como o STJD aplica penas e concede, ou não, efeitos suspensivos se torna termômetro para medir a confiança dos clubes no sistema disciplinar. Ao questionar publicamente o tribunal e a CBF, o Palmeiras também fala a outras diretorias que se sentem prejudicadas por decisões recentes.

Enquanto aguarda a nova rodada de julgamentos, o clube tenta blindar o elenco. A preocupação é evitar que a ausência do técnico, somada ao barulho institucional, contamine o vestiário em uma temporada que ainda reserva Copa do Brasil, fases decisivas da Libertadores e 38 rodadas de Brasileirão até dezembro. A forma como o Palmeiras atravessa este período sem Abel à beira do gramado indicará se a punição ficará restrita ao campo disciplinar ou se terá reflexos diretos na tabela e na disputa por títulos em 2026.

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