Seleção traça plano para ter Neymar inteiro na Copa de 2026
A seleção brasileira monta um plano minucioso para ter Neymar em plena forma física na Copa do Mundo de 2026. O atacante, ainda em recuperação de lesão na panturrilha direita, tende a ficar fora da estreia contra Marrocos, em 13 de junho, e mira retorno seguro na segunda rodada, diante do Haiti, no dia 19, nos Estados Unidos.
Rotina pesada, cautela máxima e relógio da Copa
No centro de treinamento e no hotel da delegação, o roteiro se repete dia após dia. Neymar cruza corredores antes dos colegas, entra na sala de fisioterapia e só sai quando o trabalho termina. A comissão médica da seleção, comandada por Rodrigo Lasmar, conduz até três sessões diárias de recuperação para acelerar a cicatrização da panturrilha direita, lesionada às vésperas da Copa.
O último exame de imagem, realizado na segunda-feira, dia 8, mostra progresso dentro do previsto, mas também reforça o limite. A área afetada cicatriza, porém ainda não suporta o grau de esforço exigido nos treinos com bola e arrancadas em alta intensidade. Lasmar e sua equipe mantêm a diretriz que repetem desde a apresentação na Granja Comary, no fim de maio: “Só vamos liberar o Neymar quando tivermos total segurança de que não há risco de agravamento”, dizem internamente membros do estafe médico.
O plano não sofre desvios, mesmo sob pressão externa. O departamento médico define que o camisa 10 só entra em campo quando a lesão estiver completamente fechada, sem dor e sem edema. A comissão técnica de Carlo Ancelotti acompanha cada laudo e ajusta o desenho tático em função da ausência temporária do principal jogador da equipe.
Estreia em risco e impacto dentro do elenco
A consequência imediata do protocolo é clara: a tendência, hoje, é que Neymar não atue na partida de abertura do Brasil na Copa, contra Marrocos, no sábado, 13 de junho. Mesmo uma presença no banco é tratada como gesto simbólico, pensado mais para o efeito emocional sobre o grupo do que para uma utilização real em campo. A prioridade é preservá-lo para o restante do torneio.
O planejamento mais provável aponta para um retorno na segunda rodada da fase de grupos, dia 19, na Filadélfia, contra o Haiti. A comissão trabalha com esse alvo, mas não transforma a data em promessa pública. “A resposta do corpo vai determinar o dia da volta”, repetem pessoas próximas ao jogador. Em números, o time projeta algo em torno de 10 a 12 dias adicionais de controle de carga até que Neymar possa suportar mudanças bruscas de direção e choques, sem risco elevado de nova lesão.
Dentro do elenco, o efeito é duplo. Em campo, Ancelotti testa alternativas de ataque e redesenha o meio-campo para compensar a ausência do camisa 10 nas primeiras rodadas. Nos bastidores, Neymar assume papel de liderança silenciosa. Conversa com Casemiro, Marquinhos, Danilo e Alisson, mas se aproxima também dos mais jovens, em especial dos estreantes de Copa. Age como conselheiro, analisa vídeos com companheiros e comenta posicionamento, leitura de jogo e controle emocional.
Aos 34 anos, o atacante trata o torneio como “last dance”, a provável última participação em Mundial. A expressão, usada nas redes sociais nas últimas semanas, ajuda a explicar a urgência que se vê na rotina de tratamento. Mesmo em dias de folga parcial do grupo, ele mantém o padrão de até três sessões por dia, entre fisioterapia, fortalecimento muscular e recuperação na piscina ou gelo. A imagem recorrente é de um jogador que tenta ganhar cada minuto sem perder a cabeça.
Risco calculado, liderança preservada e a Copa em jogo
O dilema da seleção é clássico em ano de Copa: arriscar o craque desde o início ou protegê-lo para ter protagonismo a partir do mata-mata. O histórico recente pesa. Lesões em 2014 e 2018 marcam a trajetória de Neymar em Mundiais e servem como alerta permanente. O departamento médico prefere errar pelo excesso de cuidado a repetir cenas de frustração em fases decisivas.
Para o time, a ausência inicial reabre disputa por espaço no ataque. Jogadores que, em tese, começariam a Copa como coadjuvantes ganham minutos e responsabilidade já na estreia, contra um adversário duro como Marrocos. A estratégia carrega risco esportivo a curto prazo, mas, na avaliação interna, aumenta as chances de ter Neymar inteiro quando a margem de erro do torneio cai a zero, a partir das oitavas de final.
Na relação com a torcida, a comunicação da CBF tenta reduzir ansiedade e ruído. O discurso oficial destaca a evolução “dentro do esperado” e reforça que não há ruptura no plano inicial. A mensagem, em resumo, é que o Brasil prefere um Neymar 100% por quatro ou cinco jogos decisivos a um jogador em 70% na estreia e novamente no departamento médico antes da reta final.
Contagem regressiva e Copa tratada como última chance
As próximas semanas se organizam em torno de metas curtas. Primeiro, a liberação para treinos leves com bola, em espaço reduzido, sem contato físico intenso. Depois, a transição para atividades coletivas completas, com mudança de ritmo, sprints e choques simulados. Cada etapa depende da anterior, e qualquer sinal de incômodo adia o cronograma em 24 ou 48 horas.
Na prática, o Brasil entra na Copa de 2026 com o maior ídolo recente no papel de líder de vestiário, e não de protagonista imediato em campo. A pergunta que fica passa menos pelo diagnóstico atual e mais pela capacidade de manter o corpo intacto até o fim do torneio. Se o plano médico resistir à pressão por resultados imediatos, a seleção pode ganhar um reforço de peso no momento em que a Copa realmente começa a separar candidatos de campeões.
