Seleção faz treino com bola e Ibañez fala em véspera de estreia
A seleção brasileira realiza nesta terça-feira (9) mais um treino com bola aberto à imprensa e concede coletiva com o zagueiro Ibañez, no hotel The Ridge, nos Estados Unidos. A atividade marca a reta final da preparação para a estreia na Copa do Mundo de 2026, neste sábado (13), contra Marrocos, em Nova Jersey.
Treino controlado e vitrine calculada
O dia começa no campo anexo ao hotel em que a delegação está concentrada. A CBF autoriza a presença dos jornalistas apenas nos primeiros 15 minutos do trabalho com bola, janela que costuma mostrar aquecimento, roda de passe e primeiras movimentações táticas. Depois desse período, os portões se fecham e o restante do treinamento ocorre sem câmeras nem celulares, em clima de Copa e segredo estratégico.
O controle do acesso não é novidade em grandes torneios, mas ganha peso às vésperas da estreia. A seleção enfrenta Marrocos às 19h de sábado, pelo horário de Brasília, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e não quer oferecer pistas gratuitas ao rival. O treino desta terça serve para ajustar posicionamento, ensaiar bolas paradas e testar variações para um jogo que tende a ser físico, de alta intensidade e com pouco espaço.
Neymar em evolução e defesa em alerta após corte de Wesley
Nos bastidores, a situação física de Neymar continua como principal ponto de atenção. O camisa 10 trata uma lesão de grau 2 na panturrilha direita e passa por acompanhamento diário da comissão médica. Nesta segunda-feira (8), o atacante realiza ressonância magnética. Segundo nota oficial da CBF, o exame aponta “boa evolução” no quadro, dentro do cronograma traçado para a recuperação. O texto reforça que o atleta “seguirá o processo de recuperação e de preparação física planejado pela comissão médica da Seleção Brasileira”.
O discurso interno, porém, é de cautela. A presença de Neymar em campo contra Marrocos é vista como improvável. Pessoas próximas ao estafe da seleção relatam que a prioridade é evitar qualquer risco de agravamento. A intenção é ter o jogador no estádio, ao menos no banco ou nas tribunas, independentemente da liberação médica. A imagem do camisa 10 ao lado dos companheiros, ainda que fora das quatro linhas, tem peso simbólico para o grupo e para a torcida.
A defesa vive um problema diferente. O lateral-direito Wesley, de 22 anos, ex-Flamengo e hoje na Roma, está fora da Copa. O jogador se lesiona no amistoso contra o Egito, no sábado (6), e deixa o campo com dores na coxa esquerda. O diagnóstico confirma contusão de grau 3 no músculo adutor, na parte interna da coxa, com previsão de recuperação entre oito e 12 semanas. O corte é comunicado oficialmente e obriga a comissão técnica a redesenhar opções para o setor às vésperas do Mundial.
A saída de Wesley reduz a margem de manobra de Carlo Ancelotti na lateral direita, área em que o Brasil já não tem abundância de nomes com rodagem internacional. A perda de um jogador jovem, veloz e em fase de afirmação na Europa afeta planos de rotação e de ajustes durante a fase de grupos. O setor defensivo, que busca equilíbrio entre força física e saída de bola, passa a conviver com menos alternativas.
Ibañez em evidência e pressão às vésperas de Marrocos
Às 15h30, Ibañez assume o papel de porta-voz do elenco. O zagueiro fala em coletiva no próprio hotel The Ridge e deve ser questionado sobre o ambiente interno, o impacto das lesões e a preparação para o duelo com Marrocos. A presença do defensor diante dos microfones indica a tentativa de reforçar segurança defensiva como pilar de uma equipe que inicia o Mundial sob pressão por desempenho e resultado.
Ibañez chega ao torneio em um momento de consolidação. Aposta da comissão técnica para renovar o setor, ele disputa espaço em um elenco que mistura remanescentes de 2022 com nomes estreantes em Copas. O discurso esperado é de foco, cautela com o rival africano e confiança no trabalho diário. A coletiva também deve servir de termômetro para o humor do grupo, que ainda se ajusta à ausência de peças importantes e ao calendário apertado até sábado.
Marrocos, adversário da estreia, não é tratado como surpresa ocasional. A campanha na Copa de 2022, quando chega à semifinal e elimina seleções tradicionais, transforma a equipe em referência de organização defensiva e contra-ataque rápido. O Brasil chega ao confronto sabendo que um tropeço na primeira rodada complica o caminho em um grupo que ainda tem Haiti e Escócia e define, em apenas três jogos, quem avança ao mata-mata.
Os próximos dias funcionam como reta final de ajustes finos. A preparação física de Neymar, a recomposição da lateral direita e a definição da zaga titular se cruzam com ensaios táticos e observação detalhada de Marrocos. A transparência controlada da CBF, que abre parte do treino e coloca Ibañez para falar, tenta responder à curiosidade da torcida sem expor demais a estratégia. Sábado, às 19h, em Nova Jersey, o Brasil descobre se essa equação basta para começar o Mundial com segurança ou se a estreia volta a ser um teste de nervos para uma seleção que joga, mais uma vez, contra adversários e fantasmas recentes.
