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São Paulo cede empate ao Botafogo e Dorival segue sem vencer

São Paulo e Botafogo empatam por 1 a 1 neste sábado (23), no Morumbis, pela 17ª rodada do Brasileirão. Luciano abre o placar aos 3 minutos, mas Barrera acerta um chute no ângulo aos 45 do segundo tempo e define o resultado. O empate mantém Dorival Júnior sem vitória desde o retorno ao comando tricolor.

Pressão sobre Dorival cresce em tarde de lesões e frustração

O jogo começa com o roteiro perfeito para o São Paulo. Sob chuva fina e gramado pesado, Artur arrisca de média distância logo na primeira chegada. Neto solta a bola no peito, e Luciano, livre na área, completa para o gol, com menos de três minutos. O Morumbis vibra com o que parece ser o início de uma tarde tranquila para um time que busca embalar novamente no campeonato.

A comemoração dura pouco. Ainda mancando, Luciano pede substituição aos 26 minutos, apontando para a coxa. Sabino, zagueiro, também sente problema muscular pouco depois. Dorival perde o principal articulador ofensivo e um defensor titular ainda no primeiro tempo, em um elenco que já não conta com Arboleda, afastado, e Dória, que rescinde contrato. Osorio entra na zaga, e Pedro Ferreira substitui o camisa 10, mudando a estrutura da equipe antes do intervalo.

O São Paulo tenta controlar o jogo mesmo sem sua referência técnica. Pedro Ferreira quase amplia em chute colocado, que passa rente à trave. A bola corre mais rápido no gramado encharcado e provoca erros dos dois lados. Ainda assim, o Tricolor consegue manter o Botafogo distante da área de Rafael durante boa parte da primeira etapa, amparado por boa atuação de Pablo Maia na proteção à zaga.

O segundo tempo expõe as limitações físicas e táticas do time da casa. Com vantagem mínima e um setor defensivo remendado, o São Paulo recua alguns metros e passa a viver de contra-ataques, quase sempre puxados por Artur. Em um deles, Calleri aciona Tapia na área, mas o atacante erra o tempo da bola e desperdiça chance clara, em lance que escancara a falta de precisão do ataque tricolor após a saída de Luciano.

Do outro lado, o Botafogo cresce na partida. Franclim Carvalho empurra a equipe para a frente com substituições que renovam o fôlego no meio-campo e no ataque. O time carioca passa a rondar a área são-paulina e força a defesa a se multiplicar. Dois gols são anulados por impedimento: primeiro de Arthur Cabral, depois de Barrera, ambos bem marcados após checagem do VAR. O recado fica claro para o Morumbis: o 1 a 0 está longe de ser garantia.

Empate no fim expõe fragilidades e segura reação tricolor

O empate construído pelo Botafogo nos acréscimos resume a mudança de panorama no segundo tempo. Em blitz ofensiva, o time carioca acumula finalizações e empurra o São Paulo para a própria área. Barrera, Arthur Cabral, Marçal e Kadir tentam, sempre parando em Rafael ou na falta de pontaria. A defesa tricolor resiste até os 45 minutos da etapa final.

Na cobrança de escanteio pela esquerda, Marçal ganha na primeira trave e cabeceia forte. Rafael espalma de soco, mas a bola sobra na entrada da área. Barrera domina de primeira e, sem deixar cair, acerta um chute no ângulo. O goleiro do São Paulo nem se mexe. O 1 a 1 cala o estádio e premia a insistência botafoguense na reta final.

O resultado mantém o São Paulo na 4ª posição, com 25 pontos, mas aumenta o risco de perder terreno na parte alta da tabela com a sequência da rodada. A equipe chega ao segundo empate consecutivo sob o comando de Dorival desde o retorno e ainda não vence nesta nova passagem. A sensação é de oportunidade desperdiçada em casa, diante de um adversário direto por vaga na zona de cima do Brasileirão.

Para o Botafogo, o ponto conquistado fora de casa tem peso maior do que a frustração pelos gols anulados. O time chega a 22 pontos, se mantém em 9º lugar e segue vivo na primeira metade da tabela, ainda que sob ameaça de queda de posição. Em um campeonato marcado pelo equilíbrio, arrancar um empate no Morumbis, depois de sair atrás tão cedo, reforça a confiança de um elenco em busca de estabilidade.

Os bastidores também ajudam a dimensionar o jogo. Antes da partida, São Paulo e Botafogo negociam a liberação de dois jogadores emprestados: Artur e Ferraresi. Ambos só podem atuar mediante pagamento de multa contratual de R$ 2 milhões. Os clubes entram em acordo, e os dois vão a campo. Artur participa diretamente do gol são-paulino; Ferraresi sustenta a defesa alvinegra em boa parte do confronto. A decisão mostra o peso técnico do duelo e o nível de investimento envolvido para manter as equipes competitivas.

Calendário aperta e aumenta pressão por respostas rápidas

O empate cobra um preço imediato do São Paulo. Além de ver a vitória escapar no fim, Dorival precisa lidar com um elenco ainda mais curto. Sem Arboleda, Dória e agora à espera de exames de Luciano e Sabino, o treinador projeta a sequência com apenas Alan Franco e o jovem Osorio como opções de origem para a zaga. A reorganização defensiva vira urgência em um time que depende de solidez atrás para sustentar ambições no topo da tabela.

O calendário não oferece respiro. Na terça-feira, às 19h, o São Paulo recebe o Boston River pela Sul-Americana, novamente no Morumbis. A partida vale não só a classificação na competição continental, mas também a chance de aliviar a pressão sobre o trabalho de Dorival, ainda em busca da primeira vitória nesta volta. Cada resultado agora pesa na confiança da torcida e na tranquilidade interna para ajustes mais profundos.

O Botafogo vive cenário diferente, mas igualmente delicado. Na quarta-feira, também às 19h, a equipe visita o Caracas, pela Sul-Americana. O empate em São Paulo serve como combustível emocional para uma sequência que pode reposicionar o clube na temporada. Se conseguir transformar a reação do Morumbis em série positiva, o time de Franclim Carvalho ganha fôlego tanto no torneio continental quanto no Brasileirão.

A rodada 17 reforça a impressão de um campeonato embolado, em que pontos perdidos em casa podem fazer falta na reta final. O São Paulo deixa o Morumbis com aplausos tímidos e um alerta claro: sem soluções rápidas para as lesões e para a queda de rendimento no segundo tempo, a permanência no G-4 vira desafio real. O Botafogo volta ao Rio com a sensação de que o empate pode marcar um ponto de virada. A resposta virá já nesta semana, sob o peso de um calendário que não espera por ninguém.

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