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Salah faz último jogo pelo Liverpool e encerra era vitoriosa

Mohamed Salah se despede do Liverpool neste domingo (24), na partida contra o Brentford, em Anfield. O jogo marca o último ato do egípcio com a camisa vermelha e o fim de uma era para o clube inglês.

Um adeus carregado de simbolismo em Anfield

Anfield lota cedo. Faixas com o rosto de Salah tomam as arquibancadas, camisetas com o número 11 se misturam em vermelho intenso e o clima é de despedida anunciada. O atacante entra em campo sob aplausos longos, que duram mais de um minuto, em um gesto que resume nove temporadas de idolatria e resultados.

O duelo contra o Brentford vale pontos no calendário, mas o foco da noite está no egípcio de 33 anos. Cada toque na bola recebe reação especial, cada arrancada é tratada como uma última lembrança. A torcida parece registrar mentalmente cada detalhe, como quem sabe que não terá repetição.

Salah chegou ao Liverpool em 2017, contratado da Roma por cerca de 42 milhões de euros, então algo em torno de R$ 150 milhões. Em pouco tempo, virou referência técnica e símbolo de um time que volta ao topo da Europa. Desde a estreia, acumula números que explicam o peso da despedida: mais de 300 jogos, mais de 200 gols marcados e participação direta em títulos que encerram longos jejuns.

Em 2019, ele levanta a Liga dos Campeões e ajuda a recolocar o clube entre os gigantes do continente. Em 2020, lidera o time no título inglês que não vinha desde 1990, um hiato de 30 anos. Conquista ainda Copa da Inglaterra, Copa da Liga, Supercopa da Europa e Mundial de Clubes. Nenhum jogador do elenco atual participa de tantos momentos decisivos quanto ele, em tão pouco tempo.

O último jogo, porém, não se resume a homenagens. Nos bastidores, pesa a polêmica recente com o comando técnico. Discussões à beira do campo e relatos de desgaste no relacionamento com o treinador alimentam a sensação de ruptura. O adeus, embora carregado de gratidão, também expõe fissuras internas que o clube evita comentar publicamente.

Fim de ciclo mexe com elenco, torcida e mercado

A saída de Salah deixa um vazio imediato no time. Em campo, o Liverpool perde o artilheiro consistente, capaz de marcar 20 gols ou mais por temporada na Premier League em seis campeonatos seguidos. Fora dele, o clube se despede de um dos rostos mais reconhecíveis de sua marca global.

Nas arquibancadas, a sensação é de fim de capítulo. Torcedores que viram o time patinar em meio de tabela agora se acostumam a disputar taças em maio. Boa parte dessa mudança passa pelos gols do egípcio. A geração que cresce com Salah como referência vê o ídolo sair no auge de sua influência, ainda decisivo, o que acentua a ideia de ruptura.

Financeiramente, o clube se vê diante de uma equação complexa. A reposição de um jogador com esse impacto custa caro. Contratações acima de 70 ou 80 milhões de euros se tornam quase inevitáveis se a diretoria quiser manter o time competitivo na Inglaterra e na Europa já na próxima temporada. Ao mesmo tempo, a saída libera um dos maiores salários do elenco, o que abre espaço na folha para ao menos um grande reforço.

Do ponto de vista esportivo, o desafio é imediato. O calendário 2026/27 começa em cerca de dois meses, com pré-temporada marcada para julho. O treinador precisa redesenhar a linha de ataque, definir quem assume o protagonismo e ajustar o sistema ofensivo que, por anos, gira em torno das diagonais e da velocidade de Salah pela direita. Jogadores mais jovens ganham oportunidade, mas também carregam pressão maior.

A polêmica com o técnico adiciona camadas a esse cenário. Discussões públicas sempre geram leitura sobre desgaste de vestiário, especialmente em um clube que constrói sua retomada recente sob o discurso de união e projeto coletivo. Analistas ingleses já apontam que a saída de uma liderança como Salah pode fortalecer ou enfraquecer o comando atual, dependendo de como o clube conduz as próximas semanas.

Caso novos atritos venham à tona, a diretoria pode ser pressionada a rever não só o elenco, mas também o comando técnico. Em um mercado de treinadores em constante movimento, qualquer sinal de instabilidade vira oportunidade para concorrentes e ameaça para quem tenta se manter no topo.

Futuro aberto para Salah e incertezas para o Liverpool

O adeus em Anfield alimenta especulações sobre o próximo destino do egípcio. Clubes sauditas monitoram a situação há pelo menos duas janelas, com ofertas que passam dos 100 milhões de euros em valores totais já noticiadas pela imprensa europeia. Gigantes do continente também observam, mesmo sabendo que o investimento em um jogador acima dos 30 anos exige cálculo cuidadoso.

Salah ainda não anuncia oficialmente o futuro, o que mantém o mercado em expectativa. Aos 33 anos, ele segue em alto nível físico e técnico, condição que permite imaginar mais três ou quatro temporadas na elite europeia. Uma eventual mudança para um campeonato emergente, porém, pode pesar mais pelo aspecto financeiro e pela construção de imagem fora da Inglaterra.

No Liverpool, a diretoria corre contra o tempo. A janela de transferências do meio do ano costuma se estender por cerca de dois meses, entre junho e agosto, mas os alvos principais são disputados por rivais diretos, como Manchester City, Arsenal, Real Madrid e Bayern. Cada semana sem definição amplia a sensação de urgência e alimenta a pressão sobre o departamento de futebol.

Anfield, por ora, escolhe se concentrar no presente. Aplaude o ídolo, repete o nome de Salah em coro e transforma o último jogo em um rito coletivo de gratidão. O clube, porém, já precisa olhar além das arquibancadas. Reconstruir um ataque sem seu principal jogador desde 2017, gerenciar os efeitos de uma polêmica com o técnico e manter o time competitivo ao mesmo tempo será o verdadeiro teste dos próximos meses.

A despedida deste domingo fecha um ciclo vitorioso, mas abre um conjunto de perguntas. Quem assume o papel de Salah? Como o vestiário reage à ausência de sua maior estrela? E até que ponto o Liverpool consegue se reinventar sem perder o ritmo que o recoloca entre os gigantes da Europa?

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