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Rogério Correia liga Vorcaro a Alcolumbre e a boicote à CPMI do Dark Horse

O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirma nesta quinta-feira (11) que novos dados sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ajudam a explicar o boicote bolsonarista à CPMI do Dark Horse. Em série de publicações na rede X, ele cita suspeita de repasse de US$ 30 milhões ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e liga o caso ao financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro.

Deputado mira repasses e ausência de assinaturas

Correia escolhe a manhã de 11 de junho de 2026 para dar novo fôlego à ofensiva contra o grupo político ligado a Jair Bolsonaro. Ele retoma a proposta de criação de uma CPMI para investigar o filme Dark Horse e afirma ter encontrado, nas revelações sobre Daniel Vorcaro, uma chave para entender por que parlamentares bolsonaristas se recusam a apoiar a investigação.

O alvo central é o ex-controlador do Banco Master, preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes financeiras estimado em pelo menos R$ 12 bilhões. Segundo o deputado, as conexões de Vorcaro com figuras do alto escalão do Congresso e do bolsonarismo criam um ambiente de proteção política em torno do empresário e de seus negócios.

No X, o petista afirma que “em apenas um dia são três notícias bombásticas sobre Vorcaro e o BolsoMaster”. Ele menciona a presença do Banco Master e da empresa ligada ao filme Dark Horse no mesmo fundo de investimento, a suspeita de que Davi Alcolumbre teria recebido R$ 155 milhões, equivalente a US$ 30 milhões, e a participação do filho do ministro Luiz Fux em uma despesa de R$ 5 milhões com degustação de uísque. As informações sobre Alcolumbre, diz Correia, têm origem em reportagem da revista Veja.

O deputado sustenta que esse conjunto de relações ajuda a explicar a resistência à CPMI que apresentou no Congresso para investigar o Dark Horse e o que chama de “BolsoMaster”. “Por isto nenhum bolsonarista assinou a CPMI do Dark Horse, que apresentei no Congresso”, escreve. A comissão não sai do papel porque não alcança o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento.

A fala ocorre no momento em que Vorcaro tenta, sem sucesso, avançar em um acordo de delação premiada com a PF. A corporação rejeita, pela segunda vez, uma proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro, que busca benefícios em troca de informações sobre o esquema de fraudes e eventuais envolvidos no mundo político e empresarial.

Filme biográfico de Bolsonaro vira eixo da crise

O longa Dark Horse, centro das críticas de Correia, pretende contar a trajetória política de Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar após condenação pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão no inquérito da trama golpista. O projeto, concebido originalmente como vitrine internacional da imagem do ex-presidente, passa a ser tratado por adversários como possível instrumento de financiamento político irregular.

De acordo com reportagens citadas pelo deputado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, negocia com Vorcaro um pacote de R$ 134 milhões para bancar a produção. Desse total, R$ 61 milhões são efetivamente repassados, segundo os documentos que motivam ações judiciais. O valor, para comparação, supera o limite individual de gastos de muitas campanhas estaduais inteiras em eleições recentes.

O Partido dos Trabalhadores recorre ao STF e à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação sobre suspeita de caixa dois vinculado à futura campanha presidencial de Flávio. A legenda quer que os investigadores rastreiem a origem dos recursos, a rota do dinheiro e possíveis movimentações no exterior. A preocupação é que parte do financiamento do filme sirva como canal paralelo para custear estruturas políticas e de comunicação, fora das regras oficiais.

Correia também aponta o envolvimento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nas tratativas com Vorcaro. Segundo o Intercept Brasil, Eduardo conversa sobre o financiamento do Dark Horse por meio de Thiago Miranda, sócio do portal de entretenimento Leo Dias, e pede o envio do “máximo” de recursos para os Estados Unidos, onde vive atualmente. Esse trecho se torna um dos pontos mais sensíveis do caso, porque sugere evasão de divisas e possível uso de empresas no exterior para ocultar origem ou destino do dinheiro.

A menção ao “Banco do PCC” no mesmo fundo que abriga a empresa ligada ao filme, feita por Correia em sua postagem, reforça o tom de gravidade política e criminal que ele tenta imprimir ao episódio. Ao associar o sistema financeiro, o crime organizado e o bolsonarismo em um mesmo enredo, o deputado busca mostrar que o caso ultrapassa a fronteira de um simples financiamento privado de obra audiovisual.

Pressão por investigação e impacto político

As declarações de Correia abrem uma nova frente de desgaste no Congresso e pressionam diretamente o presidente do Senado. A suspeita de que Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões de Vorcaro, valor que ele nega em público, alimenta a narrativa de que a cúpula do Legislativo atua para enterrar qualquer tentativa de devassa sobre os negócios do ex-banqueiro. A acusação chega no momento em que o Senado discute temas de interesse direto do bolsonarismo, como a dosimetria de penas impostas pelo STF a investigados na trama golpista.

Segundo o deputado, o suposto repasse ajuda a explicar o “acordo de votar a dosimetria, para beneficiar Bolsonaro e enterrar a CPMI do Master”. O vínculo sugerido é que decisões regimentais e pautas sensíveis do Senado estariam condicionadas a interesses de quem aparece nas investigações da PF. Não há, até agora, confirmação judicial dessas alegações, mas a repercussão pública amplia a pressão por transparência sobre as relações entre o presidente da Casa e o ex-banqueiro.

O caso se torna munição para a oposição ao bolsonarismo e mexe com o tabuleiro eleitoral de 2026. Flávio Bolsonaro tenta se consolidar como principal nome do campo conservador para a sucessão presidencial, mas passa a carregar o peso de explicar um financiamento milionário que hoje é associado, por adversários, a suspeitas de caixa dois e eventual lavagem de dinheiro. A investigação, se aberta, pode atingir também Eduardo Bolsonaro e aliados que atuam nos bastidores do mercado audiovisual e do sistema financeiro.

No curto prazo, a principal consequência prática é o aumento da pressão sobre parlamentares que resistem a assinar a CPMI do Dark Horse. Cada nova revelação sobre Vorcaro, o Banco Master e o circuito de financiamento do filme tende a elevar o custo político de se manter contra a investigação. A ausência de explicações públicas detalhadas de parte dos citados alimenta a sensação de que o Congresso hesita em encarar o caso de frente.

O que pode acontecer a partir de agora

A Procuradoria-Geral da República e o STF tornam-se peças centrais no próximo capítulo dessa disputa. Os pedidos de investigação apresentados pelo PT podem resultar na abertura de inquéritos específicos sobre o financiamento do Dark Horse, a eventual movimentação de recursos no exterior e a relação de políticos com Vorcaro. Se houver autorização, a PF passa a ter poder formal para quebrar sigilos bancários, fiscais e telemáticos dos envolvidos.

No Congresso, Correia tenta rearticular apoio à CPMI usando as novas denúncias como combustível. Uma comissão instalada colocaria sob holofotes contratos do Banco Master, fundos de investimento que abrigam empresas ligadas ao filme e documentos internos de produtoras e intermediários. A resistência da base bolsonarista, porém, indica que a batalha por assinaturas deve se arrastar, enquanto o caso segue se desdobrando em boletins da PF, decisões judiciais e postagens em redes sociais.

O desfecho ainda é incerto. A depender da velocidade das apurações e da consistência das provas, o episódio pode se diluir em meio a outras crises políticas ou se transformar no principal eixo de uma grande investigação sobre dinheiro, poder e bolsonarismo às vésperas de uma eleição presidencial.

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