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Ressaca e alagamentos costeiros colocam litoral de SC em alerta

Pescadores e moradores do litoral de Santa Catarina enfrentam, deste sábado (2) até segunda-feira (4), risco moderado a alto de ressaca e alagamentos costeiros. Ventos de até 80 km/h e ondas que chegam a 4 metros obrigam a rever rotinas, adiar saídas de barco e reforçar cuidados nas áreas mais baixas das cidades.

Mar sobe com vento sul e lua cheia

O mar muda de comportamento ao longo do sábado. A frente fria que avança sobre Santa Catarina reforça a umidade, derruba as temperaturas e aciona o vento sul, tradicional vilão para quem vive de frente para o oceano. No início da noite, o mar já fica mais encorpado, com ondas mais longas e rompendo com mais força na faixa de areia.

Meteorologistas da Defesa Civil e da Epagri/Ciram explicam que a combinação de fatores é pouco amigável para a costa. A frente fria organiza os ventos, que passam a soprar do quadrante sul com intensidade, enquanto a lua cheia aumenta naturalmente o nível das marés. “Temos vento forte, mar grosso e maré cheia na mesma janela de tempo, o que eleva o risco de ressaca e inundações costeiras”, resume a equipe técnica dos órgãos de monitoramento.

No litoral sul e na Grande Florianópolis, a previsão aponta ondas entre 3 e 4 metros entre domingo (3) e a madrugada de segunda (4). Em alto-mar, as alturas podem ser ainda maiores, o que afeta a formação das ondas que chegam às praias. No litoral norte, a Epagri/Ciram projeta ondas entre 2 e 3 metros, patamar considerado elevado para a região, com impacto direto em costões, trapiches e estruturas à beira-mar.

As rajadas de vento devem alcançar 80 km/h e podem superar esse valor em pontos mais expostos do litoral sul. Em bairros próximos à orla, o vento já se faz presente desde a tarde de sábado, levantando areia, balançando embarcações fundeadas e aumentando a sensação de frio. Nas praias de pesca artesanal, redes e barcos são puxados para o alto da faixa de areia, em uma cena que se repete a cada novo aviso de mar agitado.

Rotina alterada para pesca, turismo e moradores

Os horários mais prováveis de alagamentos coincidem com os picos de maré alta, fenômeno que se torna mais visível em noites de lua cheia. Em áreas já sujeitas a enchentes por causa da maré, como partes baixas de bairros litorâneos, a água tende a avançar por ruas, estacionamentos e garagens. Em dias de condição extrema, o cenário inclui calçadas submersas, danos em quiosques e estruturas precárias à beira-mar.

Para a pesca artesanal, o aviso tem efeito imediato. Saídas que estavam programadas para a noite de sábado e madrugada de domingo são revistas. Em comunidades tradicionais do litoral sul e da Grande Florianópolis, a ordem é evitar o mar aberto, principalmente para embarcações pequenas. O mar de fundo, com ondas grandes e mais espaçadas, torna o retorno à costa mais perigoso, mesmo em períodos de aparente calmaria.

A navegação de lazer e o turismo náutico também sentem o impacto. Operadores de passeios de barco em regiões como a baía norte e a baía sul de Florianópolis monitoram a evolução da previsão e cancelam viagens conforme o mar sobe. Em praias expostas ao oceano, a orientação de guarda-vidas e órgãos de segurança é clara: banhos devem ser evitados e práticas como surfe e stand up paddle exigem atenção redobrada, mesmo para atletas experientes.

Na orla urbana, comerciantes acompanham a aproximação das ondas com cautela. Bares e restaurantes junto à areia recolhem mesas e guarda-sóis, enquanto estruturas mais frágeis, como decks de madeira, parecem mais vulneráveis ao impacto da ressaca. Em alguns trechos, episódios anteriores de mar muito agitado deixaram marcas em calçadões e ciclovias, o que reforça o temor de novos danos.

No interior do Estado, a passagem da frente fria traz outro retrato. O sábado é marcado por temporais isolados em várias regiões, com máximas entre 20°C e 25°C na maior parte do território catarinense. No norte, os termômetros ainda podem ultrapassar os 30°C, mas o cenário muda rápido. A partir da tarde, o vento vira para sul e avança do litoral para o planalto, trazendo ar mais frio e rajadas fortes na faixa costeira.

Frio, geada e monitoramento nos próximos dias

O domingo amanhece com tempo mais estável na maior parte de Santa Catarina. Uma massa de ar seco e frio avança sobre o Estado, abre espaço para o sol entre nuvens e reduz a chance de chuva na maior parte das regiões. No entanto, o mar segue agitado e a ressaca continua sendo o principal ponto de atenção no litoral, com alerta mantido entre a Grande Florianópolis e o litoral sul.

Na Serra, o frio ganha protagonismo. As temperaturas se aproximam de 0°C na madrugada de domingo, com condições para formação de geada em áreas de maior altitude. Produtores rurais observam o comportamento do termômetro com cuidado, já que episódios de frio intenso em início de mês costumam afetar lavouras mais sensíveis. Em outras regiões, as mínimas variam entre 11°C e 16°C, reforçando a sensação de mudança brusca em relação aos dias anteriores.

A segunda-feira (4) traz de volta um quadro de instabilidade. O tempo fica mais fechado, com muitas nuvens e possibilidade de chuva e temporais isolados ao longo do dia. No litoral, o mar permanece agitado entre o litoral sul e a Grande Florianópolis, mantendo o risco moderado a alto para ocorrências ligadas à agitação marítima, como ressaca, alagamentos costeiros e danos pontuais em estruturas à beira-mar.

Órgãos de defesa civil municipais e estadual mantêm equipes em prontidão ao longo do fim de semana e na virada para a semana seguinte. A orientação é que moradores acompanhem os boletins oficiais, evitem se aproximar de costões e áreas sujeitas a ondas muito fortes e não tentem atravessar trechos alagados, seja a pé, seja de carro. Em caso de emergência, os canais 199 da Defesa Civil e 193 do Corpo de Bombeiros seguem como referência.

O episódio volta a expor a vulnerabilidade de áreas urbanas que avançam sobre a linha da costa. Em cidades com calçadões, estradas e moradias coladas ao mar, cada evento de ressaca funciona como teste de resistência. A sequência de frentes frias no inverno e na primavera tende a repetir esse tipo de situação. A forma como o litoral de Santa Catarina se prepara para esses episódios, com planejamento urbano e adaptação das estruturas, define o tamanho dos danos que ainda podem vir nas próximas marés altas.

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