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Queda de avião do Grupo Ponzan mata dois e fere um em Marília

Um avião bimotor do Grupo Ponzan Alimentos cai na manhã desta quarta-feira (10) em Marília (SP), mata o piloto Gabriel Maloni da Cruz e o passageiro Henrique Guariente e fere um terceiro ocupante. O acidente ocorre minutos após a decolagem do aeroporto da cidade e mobiliza equipes de resgate e órgãos de investigação.

Queda logo após a decolagem e resgate sob pressão

A aeronave, de prefixo PT-MDB, decola do aeroporto de Marília por volta das 11h, em voo privado com três ocupantes. Poucos minutos depois, cai na região de um clube local, a poucos metros do campo de futebol, em área cercada por residências e vias de bairro.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu são acionadas imediatamente e chegam ao local com ao menos sete viaturas. Os socorristas encontram Gabriel Maloni e Henrique Guariente presos às ferragens. Os dois morrem ainda no local, antes de qualquer remoção.

Um terceiro passageiro, identificado como Pablo, é resgatado com vida e levado para atendimento médico. Seu estado de saúde não é divulgado oficialmente até o fim da tarde. A cena do acidente é isolada, enquanto peritos iniciam os primeiros levantamentos e recolhem fragmentos da fuselagem espalhados pelo entorno.

O avião pertence ao empresário Carlos Eduardo Alves, dono do Grupo Ponzan Alimentos, empresa de destaque no setor alimentício da região. Gabriel, que pilotava a aeronave, trabalhava para o grupo havia cerca de dois anos e era o responsável pelos voos corporativos. A Anac registra o bimotor como privado, com dois motores convencionais e “situação normal” de aeronavegabilidade no Registro Aeronáutico Brasileiro.

Comoção na empresa, na cidade e dúvidas sobre segurança

A queda do avião atinge em cheio a rotina de Marília, polo regional com forte presença da indústria alimentícia. Funcionários da empresa, moradores próximos ao clube e frequentadores do aeroporto acompanham o vaivém de ambulâncias e carros de polícia e tentam entender como um voo curto termina em tragédia em poucos minutos.

Nas redes sociais, o empresário Carlos Eduardo Alves, abalado, confirma que não estava a bordo e diz que passa bem. Em depoimento público, lamenta a morte do piloto e do passageiro. “Como muitos sabem, nossa aeronave acabou vindo a cair hoje em uma fatalidade com nosso piloto e pessoas que estavam juntas. Meus sentimentos à família. Gabriel amava o que fazia, toda hora disposto a cumprir o que servia, para mim é uma perda tamanha”, escreve.

O Grupo Ponzan Alimentos divulga nota oficial em que manifesta “profundo pesar” pela morte de Gabriel Maloni Mendes da Cruz e confirma o óbito de outra vítima, além de uma pessoa hospitalizada. A companhia afirma que presta apoio às famílias e promete “total colaboração” com as autoridades que investigam as causas do acidente. “Neste momento de imensa tristeza, toda a família Grupo Ponzan se solidariza com os familiares, amigos e colegas de trabalho de Gabriel, expressando nossas mais sinceras condolências diante desta perda irreparável”, diz o texto.

A tragédia reacende na cidade o debate sobre a segurança em voos regionais de pequeno porte. O aeroporto de Marília opera rotineiramente aeronaves comerciais e privadas, e a presença de bimotores em rotas executivas é comum. Cada novo acidente, porém, volta a expor a distância entre as exigências técnicas do setor e a percepção do público sobre fiscalização, manutenção e treinamento.

Investigações, responsabilidades e efeitos práticos

Os primeiros dados oficiais indicam que não há irregularidade registrada na documentação do avião. No sistema da Anac, o PT-MDB aparece com situação de aeronavegabilidade regular, o que significa, em linguagem simples, autorização vigente para voar. A checagem de laudos de manutenção, histórico de voos e possíveis falhas mecânicas, no entanto, depende de investigação técnica mais aprofundada.

Peritos especializados em segurança de voo analisam destroços, trilha de impacto e relatos de testemunhas para traçar a sequência dos últimos minutos do bimotor. A proximidade da queda com o clube e o campo de futebol deve entrar no relatório, já que o avião atinge uma área que, em outros horários, costuma receber mais pessoas. A ausência de vítimas em solo evita um quadro ainda mais grave, mas reforça a preocupação com rotas de aproximação e decolagem próximas a zonas urbanas.

Para o Grupo Ponzan, o impacto é humano e operacional. A empresa perde um piloto que integra sua rotina há cerca de dois anos e precisa rever, ao menos temporariamente, sua logística de viagens executivas. Internamente, o episódio abre espaço para reavaliação de protocolos de segurança, política de contratação de tripulantes e uso de aeronaves próprias em trajetos curtos.

No entorno do aeroporto, a queda coloca em evidência as condições de infraestrutura do terminal e o papel da concessionária Rede Voa, responsável pela administração. A empresa informa que a aeronave decola normalmente, com três passageiros, e confirma que o acidente ocorre já fora da área do aeroporto, na região do clube. Caberá aos relatórios oficiais apontar se fatores externos, falha humana, problema mecânico ou combinação de causas explicam o desfecho.

O que vem a seguir para as famílias e para a aviação local

Nos próximos dias, os familiares de Gabriel e Henrique enfrentam velórios, sepultamentos e uma rotina abruptamente interrompida. A terceira vítima, Pablo, segue em acompanhamento médico, enquanto amigos e colegas aguardam notícias sobre sua recuperação. A empresa promete manter apoio psicológico e material aos parentes dos mortos e ao sobrevivente.

As investigações formais podem levar meses até a divulgação de um laudo conclusivo, etapa que costuma reunir análises mecânicas, meteorológicas, operacionais e de treinamento. No curto prazo, o caso alimenta a pressão por mais transparência em relatórios de segurança, especialmente em cidades médias que dependem de aviões de pequeno porte para deslocamentos rápidos de empresários e profissionais.

A cada novo detalhe, a queda do bimotor do Grupo Ponzan deixa de ser apenas um acidente isolado e passa a integrar o debate sobre como o país trata a aviação geral, que responde por milhares de voos anuais longe dos grandes aeroportos. Em Marília, a pergunta que permanece é se a tragédia desta quarta-feira poderia ter sido evitada e o que precisa mudar para que a próxima decolagem não termine no chão.

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